Ele não foi um primor de técnica. Mesmo assim, tinha dedicação e um grande faro de gols. Para o centroavante Geraldão não existia gol feio. O importante era marcar. O jogador é conhecido por suas duas passagens pelo Corinthians, equipe na qual venceu o Paulistão de 1977 e de 1979. O ex-atleta de 77 anos morreu nesta quinta-feira, mas a causa não foi divulgada. Mesmo tendo passado por outros clubes, o Corinthians foi a equipe que mais defendeu: 280 partidas e marcou 91 gols.
Geraldo da Silva nasceu na cidade de Álvares Machado, interior de São Paulo, em 6 de agosto de 1949. De origem humilde, foi bóia-fria antes de começar no futebol profissional. Após passar por algumas equipes modestas do interior de São Paulo, ganhou destaque no Botafogo, de Ribeirão Preto, onde atuou entre 1970 e 1975. Na época, ele formou uma dupla de ataque com Sócrates e chamou atenção ao ser o artilheiro do Estadual de 1974, com 23 gols. Na temporada seguinte, o Corinthians, que pagou meio milhão de cruzeiros pelo seu passe. Com um desempenho irregular, muitas vezes era preterido no Parque São Jorge por jogadores mais técnicos.

Mesmo assim, tinha muita raça e marcava muitos gols. Era o chamado “trombador”, valente, brigador e cheio de raça. O próprio jogador sabia das suas limitações. Em uma entrevista na década de 1970, ele declarou: “Sei que não sou craque, não procuro me promover. Tudo que consegui na vida foi pelo meu esforço, pelo meu suor. Então a única coisa que quero é respeito”. Sua atuação na conquista do Paulistão de 1977 foi decisiva. Geraldão foi o artilheiro do alvinegro naquele título com 23 gols. Na grande final contra a Ponte Preta, o goleador foi expulso pelo juiz Dulcídio Wanderley Boschilla no segundo tempo.
Consagração no Beira-Rio
Em 1978, o Corinthians contratou Rui Rei para a sua posição. Geraldão foi emprestado para o Juventus, da Mooca, onde disputou um Estadual e voltou para o clube de Parque São Jorge. Foi novamente campeão do Paulistão, atuando fixo na área jogando com articuladores habilidosos como Palhinha e Sócrates. Após a segunda passagem pelo alvinegro, o goleador passou pelo Grêmio e novamente pelo Juventus.

Entre 1982 e 1984, Geraldão teve sucesso no Internacional, de Porto Alegre. A consagração veio nas duas finais que decidiram o título gaúcho de 1982 contra o arquirrival Grêmio. O jogador marcou todos os cinco gols do Colorado nas duas finais daquela conquista: três nos 3 a 1 no Beira-Rio e mais dois no empate de 2 a 2 no Olímpico. Foi artilheiro do Campeonato Estadual de 1982 e bicampeão da competição com o Inter em 1983. Na ocasião, o jogador chegou a declarar: “Não digo que será meu último clube, mas pretendo ficar no Sul por muito tempo”, explicou. Ganhou até uma música da torcida do Internacional: “Gera, gera, gera, Geraldão, és um grande artilheiro, alegria do povão”.
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Também atuou no Colorado-PR, Mixto-MT, Francana-SP, entre outros. Após encerrar a carreira, foi professor de escolinhas de futebol e integrou a equipe de masters do Corinthians. Geraldão é símbolo de um tipo de jogador raro no futebol de hoje. Um atacante fixo, cobrado exclusivamente para marcar gols de cabeça ou utilizando o corpo. Com muita força física e oportunismo.





