O caminho mais longo e doloroso foi o que restou. A Itália na repescagem da Copa do Mundo de 2026 é a realidade de uma seleção que não conseguiu se impor no Grupo I durante as Eliminatórias e agora vê seu destino atrelado a dois jogos de vida ou morte. O primeiro obstáculo está marcado: a Irlanda do Norte, em Bérgamo, nesta quinta, dia 26, às 16h45 de Brasília.

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Para um país que ainda tenta digerir as ausências nos Mundiais de 2018 e 2022, a repescagem surge como um tribunal que a Azzurra está sujeita para evitar uma terceira ausência seguida em Copas. Sob o comando de Gennaro Gattuso, a equipe tenta transformar a preocupação em combustível para evitar o que seria uma tragédia sem precedentes: doze anos sem disputar um Mundial para um time tetracampeão. A última participação foi justamente em 2014, no Brasil.

Gattuso levou a partida para Bérgamo para contar com uma atmosfera de mais apoio à sua equipe / Federação Italiana

Agora, no sistema de jogo único da repescagem europeia, a margem para erros sumiu. Se eliminar os norte-irlandeses, a Itália ainda terá de encarar o vencedor de País de Gales e Bósnia para, finalmente, respirar aliviada e garantir sua vaga na Copa de 2026. O duelo dos rivais acontece no mesmo horário, em Cardiff.

Sai San Siro, entra Bérgamo

A escolha do Estádio Atleti Azzurri d’Italia, em Bérgamo, como sede do primeiro confronto reflete a estratégia de buscar uma atmosfera de “estádio raiz”. Gattuso, conhecido pela entrega absoluta nos tempos de jogador, sabe que a técnica não tem sido suficiente. E a derrota para a Noruega, que empurrou a Itália para essa situação, expôs a fragilidade psicológica da equipe.

Eu queria um estádio em formato de caldeirão. Espero que não tenhamos cometido um erro. gennaro Gattuso

Responsável pela decisão, o ex-volante escolheu o ambiente que considera mais favorável, com mais apoio e menos pressão ao time. “Eu escolhi o estádio e a Federação Italiana me apoiou. No San Siro, se você errar um passe, eles te vaiam. Em Bérgamo, é diferente. Me receberam de braços abertos na minha estreia.”

O campo e o trauma

Dentro das quatro linhas, a grande aposta atende pelo nome de Mateo Retegui. O atacante é o símbolo de uma Itália que precisou buscar soluções fora de suas fronteiras tradicionais para resolver a seca de gols. “Não sei se ‘pressão’ é a palavra que sinto. Tenho muita vontade de jogar essa partida, desde o jogo contra a Noruega em Milão. Queremos mostrar a todos que estamos prontos, porque é a verdade”, disse o centroavante argentino naturalizado italiano.

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Ao lado dele, Chiesa e Barella precisam assumir o protagonismo que a história exige. Para a Itália, o desafio é duplo: superar o bloqueio defensivo da Irlanda do Norte e, principalmente, vencer o pânico que parece tomar conta do elenco em momentos decisivos, como aconteceu nos traumas recentes contra Suécia e Macedônia do Norte – as eliminações na repescagem que tiraram a seleção dos últimos dois Mundiais.

Uma Copa que não aceita desculpas

A ironia que persegue a Federação Italiana é cruel. A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, com 48 participantes, desenhada também para que os gigantes não fiquem fora. Se mesmo com o aumento de vagas a Itália não conseguir se classificar, a crise deixará de ser técnica para se tornar estrutural. Enquanto o mundo aguarda pela confirmação de Neymar por Ancelotti e celebra a longevidade de Messi e Cristiano Ronaldo, a Itália luta para não ser a única grande potência ausente na festa. Não haverá uma segunda chance. A “batalha de Bérgamo” deixará esse grupo marcado. De um jeito ou de outro.

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