Você pode dizer o que quiser de Carlo Ancelotti, mas ninguém jamais poderá acusá-lo de incoerência. O treinador da seleção brasileira deu mais uma demonstração de que conduz seu trabalho guiado por convicções próprias na tarde desta segunda-feira, ao anunciar a lista de 26 jogadores convocados para os amistosos da próxima data-Fifa contra França e Croácia, nos Estados Unidos.
Sem rodeios e sem qualquer preocupação em atender expectativas externas ou fazer agrados pessoais, Ancelotti deixou claro que a convocação teve como ponto de partida a avaliação do aspecto físico dos jogadores brasileiros. A partir dessa premissa, construiu a lista apresentada — e, sobretudo, explicou algumas ausências que naturalmente chamariam atenção, entre elas a de Neymar.

O treinador foi direto ao ponto. Se o craque do Santos não atingir o padrão físico exigido pelo nível da competição, não estará na Copa do Mundo. A porta, é verdade, não está fechada. Ancelotti admitiu publicamente que Neymar ainda pode aparecer na lista final do dia 18 de maio. Mas o recado foi cristalino: a vaga terá de ser conquistada no presente, não herdada pelo passado.
Condição competitiva
É uma mensagem que vale para Neymar — e para todos os outros jogadores que ainda alimentam o sonho de disputar o Mundial. No método de trabalho de Ancelotti, currículo pesa menos do que condição competitiva. A seleção que ele pretende levar à Copa precisa estar preparada para suportar o ritmo físico e mental de um torneio curto, intenso e implacável.
Dentro dessa lógica, a convocação apresentada foge um pouco daquilo que se imaginava como a base já consolidada do grupo que disputará o Mundial. Pelo menos oito jogadores aparecem como novidades, chamados justamente para preencher lacunas abertas por problemas físicos de nomes que vinham sendo observados mais de perto.

Ancelotti admitiu que quer aproveitar os amistosos para conhecer melhor alguns desses jogadores, dentro e fora de campo. Mais do que a avaliação técnica, o treinador quer observar comportamento, personalidade e capacidade de adaptação ao ambiente da seleção. É nesse contexto que nomes como Danilo, Gabriel Sara, Rayan, Bremer, Léo Pereira, Ibañez, Igor Thiago e Endrick ganham espaço para mostrar como reagem ao peso de vestir a camisa da seleção em um momento decisivo do ciclo.
Vestibular para a Copa
Os novatos entram nesse processo como candidatos reais a uma vaga. Os testes de agora são, na prática, uma espécie de vestibular final para a Copa. Quem responder bem ao desafio poderá ganhar terreno na disputa. Quem não conseguir acompanhar o nível exigido corre o risco de ver o sonho ficar pelo caminho.
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A convocação desta segunda-feira, portanto, diz muito sobre a maneira como Ancelotti pretende conduzir a seleção brasileira até o Mundial. Mais do que nomes, ela revela critérios. E, no futebol brasileiro, acostumado durante décadas a conviver com pressões externas, preferências pessoais e decisões pouco transparentes, a coerência talvez seja a maior novidade de todas.





