O 4 a 0 sobre a Chapecoense serviu como uma cortina. Na primeira partida do Flamengo pelo Brasileirão depois da Copa do Mundo, Pedro voltou a decidir, Lorran deixou sua marca e o time venceu sem sustos, em Santa Catarina. Pelo placar e pela diferença técnica entre as equipes, havia motivos para imaginar que o período de paralisação tinha feito bem ao trabalho de Leonardo Jardim.

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Os jogos seguintes trataram de desfazer essa impressão. Contra São Paulo e Internacional, o Flamengo ficou no empate por 1 a 1 e, mais preocupante do que os quatro pontos perdidos, a equipe repetiu também o desempenho. Entrou devagar, demorou a encontrar caminhos para o gol e só aumentou o ritmo depois do intervalo. Foram cinco pontos conquistados em nove possíveis. Um rendimento insuficiente para quem tenta alcançar o Palmeiras e não pode escolher rodadas para competir.

Flamengo Leonardo Jardim
O técnico Leonardo Jardim reconhece que o desempenho do Flamengo deixou a desejar nos dois últimos jogos / Reprodução

Flamengo desperdiça brechas

Os adversários tornam os tropeços ainda mais incômodos. São Paulo e Internacional atravessam momentos de pressão, acumulam problemas dentro e fora de campo e não chegaram aos confrontos em posição confortável. Ainda assim, o Flamengo não conseguiu se impor sobre nenhum dos dois. A conta apareceu rapidamente na classificação. O Palmeiras, que havia perdido para o Atlético-MG no domingo, respondeu com uma goleada por 4 a 0 sobre o Vitória e chegou aos 47 pontos. O Flamengo ficou com 39. Tem um jogo a menos, mas agora está oito pontos atrás do líder.

Leonardo Jardim não tentou enfeitar a atuação contra o São Paulo. “Temos que ser honestos: fiquei decepcionado pelo primeiro tempo”, afirmou o comandante português Depois, reforçou a cobrança: “Podemos fazer mais e melhor”, completou.

O treinador tinha razão ao apontar o começo ruim. O Flamengo tocou a bola sem incomodar, acelerou pouco e facilitou o trabalho defensivo do adversário. A equipe melhorou na segunda etapa, ocupou o campo ofensivo com mais frequência e pressionou até conseguir o empate. A reação, porém, não mudou a essência da noite. O time só começou a jogar quando já precisava corrigir o prejuízo.

Em Porto Alegre, a história se repetiu. “A primeira parte não foi boa, principalmente no jogo ofensivo”, reconheceu Jardim.

Equipe vira comum

O Flamengo teve a bola, mas fez pouco com ela. Trocou passes de um lado para o outro, avançou com dificuldade e raramente encontrou o Internacional desorganizado. O time gaúcho, que não vencia havia quatro partidas, abriu o placar com Vitinho, aos 26 minutos do primeiro tempo. Samuel Lino empatou aos 33 minutos da etapa final.

Jardim afirmou que pretende “unir o grupo em termos de trabalho” e lembrou que, após a Copa, “os jogadores foram entrando a conta-gotas”. É uma explicação importante para entender por que o Flamengo voltou tão desajustado. Parte do elenco permaneceu trabalhando com a comissão técnica, enquanto dez jogadores estiveram a serviço de suas seleções. Os retornos ocorreram em momentos diferentes, com níveis distintos de desgaste e preparação.

Esse cenário ajuda a explicar a perda de entrosamento. Não pode ser usado por muito tempo para justificar o futebol apresentado. O Flamengo montou um grupo caro e numeroso justamente para atravessar períodos de convocações, lesões e calendário apertado sem abandonar a disputa pelos títulos.

A fala mais forte de Jardim depois do empate com o Internacional tratou diretamente da classificação. “Com certeza, os resultados preocupam.” Na sequência, ele apontou o risco que o Flamengo precisava evitar. “Não podemos perder pontos para não deixar que o nosso rival abra distância.”

Flamengo Samuel Lino e Pedro na comemoração do gol de empate
Samuel Lino (à esq.), autor do gol de empate, é abraçado por Pedro; Flamengo vê o Palmeiras se distanciar / Flamengo

Tempo para arrumar a casa

Foi o que ocorreu. Antes da Copa, o time de Jardim costumava entrar nos jogos pressionando, recuperava a bola perto da área adversária e criava dificuldades desde os primeiros minutos. Esse Flamengo ainda não reapareceu. O meio-campo está menos dinâmico, os atacantes recebem a bola diante de defesas já montadas e a posse se transforma muitas vezes em circulação sem profundidade.

Há ainda um componente de urgência. O Flamengo só volta a campo no dia 9 de agosto, contra o Vitória, no Maracanã. Três dias depois, enfrenta o Cruzeiro, no Mineirão, pela partida de ida das oitavas de final da Libertadores. Jardim terá, portanto, alguns dias para treinar com o elenco mais próximo daquilo que considera ideal. É o tempo que faltou nas primeiras rodadas da retomada e que agora precisará ser bem aproveitado.

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Oito pontos ainda não encerram a disputa pelo Brasileiro, principalmente porque o Flamengo tem uma partida a menos. Mas a distância já cobra uma reação. Mais do que olhar para o Palmeiras, Jardim precisa fazer o próprio time voltar a ser reconhecido em campo.

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