Esqueça o desempenho dos times brasileiros no Mundial de Clubes da Fifa assim que a bola voltar a rolar no Brasileirão e nas competições da CBF, como a Copa do Brasil. Quando o Fluminense voltar dos Estados Unidos nesta sexta-feira, após a eliminação para o Chelsea, e se juntar a Palmeiras, Flamengo e Botafogo na retomada, eles não serão nem de longe as equipes competitivas da inédita disputa da Fifa.

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E sabe por quê? Porque no futebol brasileiro e sul-americano, organizado pela Conmebol, joga-se a cada dois dias, com viagens para todos os cantos, curtas, médias e longas, sem tempo para treinar e, principalmente, para descansar os atletas. O VAR é confuso e a arbitragem não tem padrão. Ou seja, tudo o que os quatro clubes vivenciaram no Mundial da Fifa não existe no Brasil. A realidade é dura, o que não quer dizer que devemos aceitá-la. Com tempo, os brasileiros jogaram melhor nos Estados Unidos.

Palmeiras x Chelsea: Abel teve tempo para treinar e recuperar seus jogadores de uma partida para outra / Robson Morelli

Tomara que o presidente da CBF, Samir Xaud, tenha assistido aos jogos do Mundial e percebido os rendimentos dos clubes brasileiros. Se fez isso com atenção e com a responsabilidade que tem, deve ter entendido a necessidade de tirar rodadas do futebol nacional. Os times e os jogadores precisam de tempo para trabalhar.

Falta tempo para treinar

Tempo para treinar e para descansar é um pedido recorrente dos treinadores brasileiros. Renato Gaúcho e Abel Ferreira, de dois clubes presentes no Mundial, comentam com frequência sobre isso. Ocorre que os cartolas ainda não entraram nessa briga, tampouco os dirigentes das federações.

Chegou o momento em que os times do Brasil precisam escolher as competições que querem disputar com mais competência, de modo a brigar, de fato, pelo título. O que se faz atualmente no Brasil é jogar todas as disputas e focar naquela que tem mais condições de ganhar, mas de forma aleatória. A reclamação geral dos europeus nos Estados Unidos foi contra o número de partidas no calendário. Eles não querem mais jogos nem competições.

Torcedor tem de apoiar

Essa mudança de postura dos clubes, de até abrir mão de determinadas competições, pressupõe também o entendimento dos torcedores. A torcida não aceita que o seu time ‘abandone’ uma ou duas competições. Na lógica dos torcedores, o clube terá mais chance de ganhar um troféu se ele participar de mais disputas. Se possível de todas do ano. E isso não é verdade. Na maioria das vezes, ele perde todas.

Flamengo contra o Bayern de Munique: experiência de uma disputa curta, mas com jogos a cada três dias / Flamengo

Há times na Libertadores que caem na etapa de grupos, ou mesmo nas fases anteriores a ela, por falta de preparo. Portanto, ou joga-se menos ou os elencos precisam ser maiores e de mais qualidade, o que pressupõe dinheiro para contratar.

Sem dinheiro

Mas os clubes não têm dinheiro para formar elencos grandes e de qualidade. Não pagam sequer os salários em dia. Apenas alguns conseguem bancar folhas de pagamento com 26 atletas de primeira linha, como Palmeiras e Flamengo, por exemplo. Mas essa não é ainda a realidade do futebol brasileiro.

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Mudar esse cenário passa necessariamente pela CBF, que já acena com a redução de datas dos Estaduais. A entidade também vai propor conversas nesse sentido com a Conmebol também. Samir Xaud promete encaminhamentos para reorganizar o futebol. Mexer no calendário é fundamental.

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