Assim que o árbitro francês François Letexier apitou o fim da semifinal da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, entre Fluminense e Chelsea, no MetLife Stadium, em East Rutherford, o atacante Arias caiu em prantos. Com os olhos cheios de lágrimas e expressão de desapontamento, o colombiano sentia a dor da derrota por 2 a 0 para os ingleses, sinônimo de eliminação para o time brasileiro chegar mais longe na competição.
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“Naquela hora, senti uma mistura de sentimentos: tristeza e frustração por termos falhado chegando tão perto de uma final e vazio por eu e meus companheiros termos dado tudo o que podíamos”, disse Arias, um dos melhores da competição.

João Pedro é pago para isso
Para dar ainda mais requintes de crueldade ao último capítulo do Fluminense no Mundial, o herói do jogo foi o atacante brasileiro João Pedro, por ironia revelado para o futebol em Xerém, onde fica concentrada a formação das categorias de base do tricolor carioca. Ele marcou os dois gols que definiram a sorte da partida. Mesmo estando entre os mais importantes da sua carreira, em respeito ao clube que o formou para o futebol, não comemorou nenhum de seus gols. No segundo, ele apenas sorriu.
O Fluminense me deu tudo. Me mostrou para o mundo. Se estou aqui, é porque pessoas do clube acreditaram em mim. Sou e serei sempre muito grato, sinto pena, mas tenho que ser profissional, fazer o meu trabalho.
JOÃO PEDRO, ATACANTE DO CHELSEA
João Pedro nasceu em Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo. O Flu o descobriu aos 9 anos. Ele foi testado como volante, mas já tinha qualidades de goleador.
E, mesmo já demonstrando seu talento e fazendo parte da mesma geração de jogadores nascidos entre 2001 e 2002, que marcaram época no Fluminense – como o meia André e os também atacantes Luiz Henrique e Martinelli, em 2019, João Pedro acabou vendido para o Watford por cerca de 11,5 milhões de euros (equivalentes a R$ 74 milhões. Foi uma solução para trazer algum dinheiro para os cofres do clube, quase sempre vazios como o da maioria dos times brasileiros.
Muito dinheiro por João Pedro
Depois, ele foi vendido para o Brighton e, há poucas semanas, foi adquirido pelo Chelsea. Ok, a cada transação envolvendo seu ex-jogador, o Fluminense até ganhou um percentual do valor das negociações. Segundo cálculos da ESPN, dos 55 milhões de libras esterlinas (R$ 411,3 milhões) que o clube londrino pagou pelo atacante, cerca de 1,37 milhão de libras esterlinas (o equivalente a R$ 10,2 milhões) foi transferido para o Flu, por uma cláusula da Fifa.
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Mas, mesmo arrecadando esta montanha de dinheiro, ironicamente, a venda de João Pedro pode ter sido um mal negócio para os brasileiros. Se tivesse chegado à final da Copa do Mundo de Clubes de 2025, o Fluminense faturaria, pelo menos US$ 30 milhões, valor que o vice-campeão receberá de prêmio. No câmbio de hoje é uma bolada equivalente a R$ 166,2 milhões. Assim, por essas e outras, é que Arias não descarta uma despedida do futebol brasileiro.
Não é segredo para ninguém que eu e qualquer jogador de futebol sonhamos em jogar na Europa. Tenho respeito ao Flu e aos nossos torcedores, tenho um contrato de mais três anos, mas o presidente do clube e meu agente sabem como penso.
ARIAS
Enquanto os clubes sul-americanos, como o Fluminense, não conseguem segurar seus craques, o jejum de títulos dos times da América só aumenta. Em dezembro próximo fará treze anos que o Corinthians ergueu um troféu mundial, no Japão. Portanto, o abismo com os europeus parece ser cada vez mais intransponível. Por Fernando Valeika de Barros, de East Rutherford





