Boston – Meio-campista do Lille, com estilo elegante e refinado, Ayyoub Bouaddi bem que poderia estar vestindo a camisa branca da França na partida contra o Marrocos pelas quartas de final da Copa do Mundo, em Boston. Nascido em Senlis, nos arredores de Paris, em 2007, ele joga no Lille, uma das principais equipes da Ligue 1. Desde os seus 15 anos, foi convocado para muitas seleções francesas nas categorias de base.
Poderia muito bem defender a França ao lado de Mbappé e Ousmane Dembélé. No entanto, por ter ascendência marroquina, e jamais ter sido lembrado pelo técnico da França, Didier Deschamps, o jogador da seleção francesa sub-21 aceitou defender a seleção marroquina. Hoje, ele comanda o meio-campo da equipe africana, ao lado de Neil El Aynaoui, outro jogador de origem francesa, que nasceu em Nancy. Há uma legião de jogadores de Marrocos que poderiam estar na França.

Para se ter uma ideia do peso destes marroquinos vindos do exterior, na seleção magrebina, em boa parte da partida contra o Brasil, todos os onze jogadores do Marrocos eram de fora do país. E isso nem é difícil de ser explicado: dos 26 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026, apenas oito, efetivamente, nasceram em território marroquino. Até mesmo o técnico Mohamed Ouahbi nasceu e cresceu fora do território marroquino: na Bélgica, onde fez carreira. Ele defendeu o Anderlecht, de Bruxelas.
Marrocos teve investimento na base
Segundo o ex-técnico Walid Regragui, que em 2022 levou o Marrocos à semifinal da Copa do Mundo, há um investimento grande na seleção nacional. Além do investimento feito pela Federação Marroquina de Futebol em campos de treinamento, na preparação física e estrutura da medicina esportiva, muito dinheiro foi gasto para prospectar jogadores com origens marroquinas, prontos a representar o país.
Desde 2014, quando esta estrutura para caçar talentos foi modernizada por Nasser Larguet, diretor-técnico da Federação Marroquina de Futebol, um intenso trabalho para observar novos atletas, e organizar peneiras para vê-los de perto, foi organizado em várias regiões do mundo. Assim, por exemplo, foram descobertos, na Espanha, craques como o lateral-direito Achraf Hakim e o atacante Brahim Díaz, dois dos principais jogadores da seleção nesta Copa. Eles vão jogar contra a França.
À procura de ‘estrangeiros’
Mas há também olheiros a serviço dos marroquinos trabalhando na França, Bélgica e Holanda. E até em países mais distantes, como o Canadá, de onde veio o goleiro Yassine Bounou, herói na disputa de pênaltis diante dos holandeses na primeira rodada de mata-matas do Mundial na América do Norte.
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Também são franceses o já mencionado meia Ayyoub Bouaddi e os zagueiros Issa Diop e Redouane Halhal, que defenderam os “Bleus” nas categorias de base. “Eu não faço nenhuma discriminação entre os nosso jogadores que nasceram no Marrocos e em outras partes do mundo”, diz o técnico Ouhabi. “Para mim, eles são 200% marroquinos. O que nos importa é o que eles podem oferecer para a nossa seleção e o desejo de eles conquistar algo conosco.”





