Ele é atacante, mas não tem medo de fazer uma função mais defensiva. Nesta Copa do Mundo, ele marcou dois gols e vive a expectativa de se transferir para o futebol inglês. Este é Bradley Barcola, um ponta-esquerda moderno que utiliza a perna direita para cortar para dentro da área de maneira imprevisível. Na equipe do técnico Didier Deschamps, ele é um jogador polivalente podendo atuar nas duas pontas e até mesmo centralizado como segundo atacante. Na estreia da França no Mundial contra Senegal, no MetLife Stadium, em New Jersey, o treinador preferiu deixar Barcola no banco de reservas. Contudo, ele entrou no final do segundo tempo.
Em seu primeiro toque na bola, ele aproveitou a oportunidade e marcou o terceiro gol da França com uma linda cavadinha. A vitória por 3 a 1 fez os “Les Bleus” somarem os três primeiros pontos no Grupo I. Com o bom desempenho, o jogador teve nova chance contra o Iraque, na segunda rodada, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A partida sofreu uma paralisação devido a motivos climáticos, ficando mais de duas horas parada após o fim do primeiro tempo. Na partida contra a seleção asiática, Bradley Barcola teve uma atuação tática consistente. Mas o protagonismo ficou com Mbappé que marcou dois gols e Dembélé que marcou outro. Com a goleada por 3 a 0, a França teve a classificação confirmada.

Já contra a Noruega, o camisa 12 entrou na metade da etapa final e contribuiu com uma assistência para um dos gols na vitória por 4 a 1, no Gillette Stadium, em Boston. Nos acréscimos, Bradley Barcola fez um cruzamento preciso da esquerda para Désiré Doué cabecear livre para o fundo da rede. Com aproveitamento de 100% na primeira fase, a equipe do técnico Didier Deschamps ganhou os holofotes do mundo como uma das equipes favoritas para o título.
Titular na segunda fase
Na partida da fase 16-avos, a França não deu chances para o time irregular da Suécia, no MetLife Stadium. Foram 25 finalizações dos franceses contra apenas oito dos adversários. Escalado desde o início da partida, Bradley Barcola marcou um gol no início da segunda etapa. O habilidoso Michael Olise conseguiu um passe milimétrico e encontrou o ponta-esquerda livre. Na disputa contra o goleiro Zetterstrom, o camisa 12 bateu firme e com muita precisão. Com a vitória por 3 a 0, a “Le Bleus” conseguiu se classificar para as oitavas de final. No jogo truncado contra o Paraguai, ele recebeu um cartão amarelo e ficou pendurado para a sequência da competição.

Momento no PSG
Após a saída de Mbappé, Bradley Barcola tornou-se um jogador essencial no campeonato francês no Paris Saint-Germain. Embora prefira atuar no lado esquerdo, muitas vezes é utilizado em outras funções. Na última temporada na Ligue 1, o ponta foi o artilheiro do time com 11 gols em 29 partidas disputadas. A equipe conquistou o pentacampeonato consecutivo, mas teve seis derrotas no campeonato, um número considerado alto para os padrões financeiros do clube no cenário local.

A equipe também conquistou a Champions League em uma decisão nos pênaltis contra o Arsenal, da Inglaterra. Mesmo com a conquista, o jogador francês cogita deixar o time parisiense devido a perda de espaço. Ele iniciou a decisão contra o time inglês no banco de reservas. Esse fato o incomodou profundamente. Após a saída do ídolo egípcio Mohamed Salah, o Liverpool demonstrou interesse no jogador. Outra equipe que está de outra ponta é o próprio Arsenal. É esperado um leilão pelo atleta em torno de 150 milhões de euros (R$ 881,83 milhões).
Início no Lyon
Nascido na cidade de Villeurbanne, Bradley Barcola tem descendência togolesa. Seu irmão mais velho, Malcolm Barcola, é goleiro e se naturalizou para defender a seleção do Togo. O ponta iniciou sua carreira nas divisões de base do Lyon. Mas ganhou oportunidade como titular da equipe com o técnico Laurent Blanc, um dos zagueiros da França na conquista da Copa de 1998. Na época, o treinador alertou que o jovem ainda precisava melhorar na finalização. “Ele precisa trabalhar um pouco mais na frente do gol, porque ele ainda não tem a mentalidade de um artilheiro”.

Em 2023, com apenas 20 anos, ele se tornou um dos protagonistas na equipe conhecida como “les gones”. Sua velocidade, habilidade em abrir os lados e visão de jogo chamaram a atenção dos gigantes europeus. Na época, Barcola fez uma dupla de ataque com o centroavante Alexandre Lacazette que impressionou o futebol local. Em agosto do mesmo ano, o jogador foi negociado para o PSG por 50 milhões de euros (R$ 263, 7 milhões). Desde então, Bradley Barcola se tornou um dos protagonistas do futebol francês.
Sobrevivendo às críticas
Mesmo assim, o ponta-esquerda enfrentou duras críticas na imprensa francesa sobre sua falta de repertório técnico e sua pouca maturidade nos momentos decisivos. Comentaristas diziam que ele era apenas um “aprendiz de corredor”, sugerindo que ele tinha apenas velocidade e não era um jogador técnico. O próprio Barcola disse que evita ver a imprensa especializada. “Meus amigos que me mandam o que saem na imprensa. Às vezes rimos disso, mas não passa daí”.
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Aos 23 anos, o atacante disputa sua primeira Copa do Mundo. Diante das críticas, o técnico Didier Deschamps saiu em defesa do jogador. “Ele tem uma capacidade de aceleração e drible que pouquíssimos têm. Ele sabe que confiamos nele e que tem tudo para estar no nível mais alto”.





