Nova York — A Fifa decidiu contra-atacar e sair em defesa de seus árbitros no momento mais delicado da Copa do Mundo para a arbitragem. Depois das fortes acusações do Egito após a derrota por 3 a 2 para a Argentina, nas oitavas de final, Pierluigi Collina, diretor de arbitragem da entidade, rebateu qualquer suspeita de interferência externa às decisões dos árbitros credenciados para as partidas do Mundial ou às decisões do VAR, defendeu a integridade dos juízes e explicou lances que colocaram o árbitro francês François Letexier e o próprio VAR no centro da polêmica.

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A fala de Collina veio depois de 96 partidas disputadas na Copa. O torneio terá 104 jogos. A Copa de 2026 já tem 50% mais jogos do que a edição do Catar, em 2022, e ainda carrega oito confrontos decisivos das quartas de final em diante.

Pierluigi Collina, responsável pela arbitragem da Fifa: ex-árbitro sai em defesa dos árbitros, do VAR e de Infantino / Fifa

Segundo ele, a avaliação geral da arbitragem nesta Copa do Mundo é positiva, embora erros e discussões façam parte de uma competição tão grande e extensa no calendário. Pela primeira vez, um Mundial tem 48 seleções e 104 jogos.

No geral, estamos satisfeitos. É claro que discussões construtivas sobre as decisões sempre farão parte do futebol, mas acusações infundadas não têm lugar no nosso esporte.
Pierluigi Collina

O recado tem endereço claro. O técnico do Egito, Hossam Hassan, disse que a partida contra a Argentina foi “claramente manipulada” e sugeriu favorecimento ao time de Messi na competição. A frase virou uma bomba política para a Fifa e sua arbitragem. Collina não citou o treinador diretamente, mas respondeu ao ponto mais sensível da acusação: a integridade da arbitragem.

Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros da Copa do Mundo da Fifa. Quando isso acontece, pode provocar reações que levam a ameaças contra eles e suas famílias. Isso não está certo.
Pierluigi Collina

Ele toca num ponto complicado e, de fato, o futebol tem avançado alguns sinais nesse sentido. Árbitros, jogadores e treinadores não podem ser ameaçados por torcedores descontentes, tampouco ensandecidos. Não há como não concordar com Collina nesse sentido. Mas não é disso que se trata a discussão. O que o treinador do Egito cobrou diz respeito a atitudes dentro de campo, de bola rolando.

Collina sai em defesa de Infantino

Há muitas “discussões” a serem feitas em relação à arbitragem nesta Copa. Como, aliás, uma possível expulsão de Messi na primeira fase. Ou mesmo da interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao cartão vermelho postergado para um jogador da seleção americana.

Gianni Infantino: presidente da Fifa ainda não respondeu sobre a arbitragem na Copa do Mundo / Fifa

Collina também blindou Gianni Infantino das acusações. O diretor de arbitragem afirmou que ninguém pode dizer que os árbitros da Fifa são influenciados por qualquer pessoa, nem mesmo pelo presidente da entidade. Segundo ele, Infantino sempre demonstrou apoio ao trabalho da chamada “Equipe Um da Fifa” e confia na independência do departamento de arbitragem. Ou seja: ele disse que nada do que acontece com a arbitragem está sob o comando do presidente da Fifa.

Fifa se defende de acusações

A Fifa, portanto, tenta separar duas coisas. Uma é discutir decisões de campo. Outra é insinuar manipulação. Collina aceita a primeira. Diz até que essas discussões fazem parte do futebol e sempre farão. Mas rejeita completamente a segunda. Em uma Copa marcada por jogos grandes, VAR decisivo e acusações públicas, a entidade sabe que a confiança na arbitragem é parte fundamental da credibilidade do torneio. Ninguém aceitaria acompanhar uma partida de futebol de cartas marcadas. É contra isso que Collina, Infantino e Fifa lutam.

O caso mais quente continua sendo entre Argentina e Egito. A seleção africana teve um gol de Mostafa Ziko anulado quando vencia por 1 a 0. O lance gerou revolta porque poderia ter deixado o Egito com dois gols de vantagem antes da reação argentina. Collina explicou que, após cada gol, o VAR revisa toda a fase de posse de bola do ataque. Se uma falta for identificada na construção e tiver influência no gol, a recomendação é para revisão em campo.

O que Colina também disse?

Foi isso, segundo ele, que aconteceu no lance do gol anulado do Egito. A Fifa entende que o egípcio Marwan Attia pisou claramente no pé de Lisandro Martínez na origem da jogada, segundos depois do gol e bem longe das redes. Para Collina, não importa se a infração aconteceu perto ou longe do gol, nem quanto tempo se passou até a bola entrar. Se a falta faz parte da construção ofensiva, ela pode levar à anulação.

Acreditamos que falta é falta. Independentemente de a falta parecer óbvia ou não. Se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir.
Pierluigi Collina

A entidade também explicou outro lance reclamado pelo Egito, já no fim da partida. Para a arbitragem, não houve falta de Julián Alvarez em Mohamed Salah. Collina disse que o defensor tocou primeiro na bola e depois houve um contato normal de jogo. Por isso, árbitro e VAR entenderam que não havia motivo para a intervenção.

A explicação não deve encerrar a revolta egípcia. O Egito saiu da Copa sentindo que foi prejudicado, enquanto a Argentina avançou às quartas de final depois de uma virada dramática. Para os argentinos, foi mais uma noite épica de Messi. Para os egípcios, uma eliminação carregada de suspeita e que vai dar ainda muito pano pra manga. Mas para a Fifa, virou um problema de imagem. E ela já começou a combater isso.

Messi fecha o dia dos artilheiros com três gols e se iguala a Klose como o maior artilheiro na história das Copas
Messi e sua Argentina estão no centro das discussões sobre as acusações de ‘manipulação de resultados’ na Copa / Fifa

Collina tentou colocar ordem no debate. Ele não quer abafar o caso, mas explicá-lo. Jogar uma luz racional no que foi e não foi marcado. Ele defendeu os árbitros, explicou os critérios do VAR e deixou claro que a Fifa não aceitará acusações de manipulação sem provas. Mas também sabe que, em Copa do Mundo, uma decisão polêmica não desaparece com uma entrevista. Ela fica. Ainda mais quando envolve Messi, Argentina, Egito, gol anulado e a palavra que a Fifa mais teme: manipulação.

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Nem a Fifa nem Collina, no entanto, tiveram a mesma reação quando Donald Trump acusou o árbitro brasileiro Raphael Claus de ter um “histórico suspeito” no caso do cartão vermelho dado ao jogador americano Balogun. Nesse caso, a entidade atendeu ao pedido de revisão do cartão feito pelo presidente dos EUA e o jogador pôde atuar na partida seguinte. Claus passou por “moleque”, mas ganhou o apoio dos brasileiros.

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