Há uma nova Lei de Gill estabelecida nesta Copa do Mundo. A de Orlando Gill, para ser mais específico. Depois de uma atuação segura no empate por 1 a 1 do Paraguai com a Alemanha na segunda fase, o goleiro do San Lorenzo (ARG) foi o grande herói de uma surpreendente disputa por pênaltis em Houston, nos Estados Unidos. O resultado de 4 a 3 colocou os sul-americanos nas oitavas de final para enfrentar o vencedor de França e Suécia, que se enfrentam nesta terça, 29.

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Foram necessários 90 minutos de tempo normal e outros 30 de prorrogação até que herói paraguaio mostrasse os seus “superpoderes”. Antes disso, teve muita unha roída para quem estava torcendo por uma das duas equipes.

Gustavo Gómez e demais companheiros celebram Orlando Gill, goleiro que brilhou nos pênaltis / Paraguai

Porque se alguém imaginava que o Paraguai se postaria de uma maneira um pouco mais defensiva para segurar a Alemanha, errou feio. Não foi “um pouco”, foi muito mesmo. Reconhecidamente sólidos na fase de defesa, apostaram todas as fichas na linha comandada pelo capitão Gustavo Gómez. O camisa 15 do Palmeiras era a voz de comando em campo para compactar a Albirroja.

É verdade que, em contrapartida, poucos sul-americanos foram vistos rondando a área alemã. Na meta, o veterano Manuel Neuer, que voltou da aposentadoria para disputar o Mundial, parecia ser um espectator. A tetracampeã instalou um verdadeiro acampamento no setor de ataque.

A posse de bola estéril

Só que, naturalmente – e como já ficou comprovado inúmeras vezes –, controlar a bola está longe de ser sinônimo de domínio genuímo. Para se ter uma ideia, de acordo com a plataforma Sofascore, a Alemanha teve a posse por 79% no 1º tempo, contra apenas 29% do adversário. Na prática, apesar de os alemães estarem no momento ofensivo em quase todo o tempo, nenhuma finalização acertou a meta de Orlando Gill.

Quem estava preparado para esse cenário, tatica e psicologicamente, era a equipe treinada por Gustavo Alfaro. Do lado germânico, o desconforto era claro. A posse de bola improdutiva pressionava ainda mais a já questionada Alemanha, em especial seu técnico Julian Nagelsmann. Jogadores guardando posoição e com pouca movimentação eram incapazes de bagunçar o ferrolho paraguaio.

Mais uma vez, seleção alemã é eliminada de forma precoce da Copa do Mundo / Alemanha

A frieza que sempre foi marca registrada da Alemanha parecia estar desativada. Tal qual a igualmente tradicional força na bola aérea. Entre dois altões (Tah, de 1,95m, e Rudiger, de 1,90m), e frente a frente com Neuer (1,93m), Enciso se agigantou. Depois de bela jogada criada por Almirón na direita, Galarza cruzou e o meia de 1,73m deu uma cabeçada certeira para abrir o marcador nos instantes finais.

E veio o segundo tempo…

O autor do gol sairia com 12 minutos, machucado, para dar lugar a Maurício. Isso instantaneamente após Havertz, num desvio de cabeça letal, completar a jogada de Wirtz. A combinação entre os dois jogadores foi representativa. A dupla, tal qual outros jogadores do time, têm sido criticados por parte da torcida e da imprensa alemã por – segundo eles – não apresentarem uma postura de competitividade. De combate, garra.

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Que parecia ser a palavra de ordem dos paraguaios. A igualdade aumentou a barrinha de ânimo dos alemães e, na mesma medida, abalou um pouco da estrutura da Albirroja. Mas, aos poucos, a dinâmica inicial foi sendo reimplantada: era a Alemanha tentando fazer valer sua superioridade ofensiva enquanto os paraguaios travavam a defesa para tentar beliscar uma finalização letal. No fim das contas, o duelo mostrou que o Paraguai real não era o desastre que pareceu quando levou 4 dos EUA na estreia. E a Alemanha não era a máquina que fez 7 em Curaçao.

Até o último suspiro

A prorrogação foi o caminho depois do 1 a 1 no tempo regulamentar. Como resultado, era mais tensão e menos fôlego na equação. Se a guerra era o mesma, as armas utilizadas, também. A jogada aérea, que havia movimentado o placar, ameaçou fazê-lo novamente. Após cobrança de escanteio, Tah foi lá no alto para testar firme para o fundo do gol. Foi abraçado, comemorou. Mas não valeu: após consulta ao VAR, a arbitragem encontrou uma falta de Anton em Gill.

Orlando Gill, goleiro do San Lorenzo, foi o grande nome da classificação paraguaia na Copa / Paraguai

Este é o nome que vai ecoar em Assunção, Ciudad del Leste, Luque ou Pedro Juan Caballero. A máquina de criar heróis e vilões foi inescapável e, dela, saiu levado nos braços Orlando Gill. O goleiro parou as cobranças de Havertz e Woltemade, além de contar com um tiro isolado de Tah para cravar Paraguai na próxima fase. Neuer, que se despede novamente da seleção, ainda pegou a cobrança de Balbuena – Sanabria também mandou pra fora. Vale lembrar que os Gustavo Gómez e Maurício, os representantes do palmeiras, guardaram. É o fim da Era Neuer. E o início uma nova, a de Gill.

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