Dunga conhece melhor do que a maioria o caminho até uma Copa do Mundo. Já foi criticado como símbolo de uma eliminação, levantou a taça como capitão da seleção brasileira em 1994 e também viveu a pressão de comandar o Brasil à beira do gramado. Por isso, quando fala sobre o momento da equipe de Carlo Ancelotti, suas palavras carregam mais do que opinião. Carregam experiência.
Ele esteve no MetLife Stadium no empate por 1 a 1 com Marrocos na estreia da seleção no Mundial. Antes do jogo, ele deixou alguns recados para o treinador italiano. O principal deles envolve uma palavra que marcou toda a trajetória de Dunga no futebol: coragem. “Tem de ter coragem em uma Copa, trabalhar e jogar futebol. Há um adversário que também trabalhou. Mas o Brasil tem de se impor.”

A frase resume boa parte do que faltou ao Brasil diante dos marroquinos. A seleção teve dificuldades para controlar o jogo, perdeu intensidade em momentos importantes e pareceu jogar abaixo da própria capacidade. Para Dunga, não basta apenas reunir jogadores talentosos. É preciso que a equipe tenha personalidade para assumir o protagonismo.
Dunga perdeu em 1990 e ganhou em 94
O capitão do tetra em 1994, nos Estados Unidos, também evita análises alarmistas, mesmo sabendo de que a seleção não passa por bons momentos. A experiência mostra que as Copas do Mundo raramente são decididas nos primeiros 90 minutos, como disse Ancelotti após o empate na estreia. Em 1990, a geração de Dunga foi eliminada sob críticas. O time perdeu para a Argentina, de Maradona. Quatro anos depois, praticamente a mesma base conquistou o mundo nos Estados Unidos.
Por isso, Dunga entende que ainda existe espaço para evolução no Brasil. A Copa só está começando. Apesar de reconhecer que algumas seleções chegam ao torneio em estágio mais avançado de organização, ele defende que o Brasil continua tendo material humano suficiente para competir com qualquer adversário. “Se a gente colocar, na teoria, os últimos resultados, é lógico que há algumas seleções na frente do Brasil. Mas se a gente colocar em termos de jogadores convocados, a gente não fica tão atrás.”

A declaração funciona como um alerta e também como um incentivo para Ancelotti. O problema da seleção brasileira não parece estar na falta de bons atletas. O desafio é transformar a qualidade individual em rendimento coletivo dentro de um torneio que não permite muitos erros. São oito jogos até a final. O Brasil já fez o primeiro. E terá mais dois na fase de grupos: contra Haiti e Escócia.
Dunga confia nos jogadores do Brasil
Outro conselho importante de Dunga passa pela maneira como uma Copa do Mundo deve ser encarada. Para ele, o Mundial reinicia todas as histórias das seleções classificadas. O que aconteceu nas Eliminatórias, nos amistosos ou nos ciclos anteriores perde importância quando a bola começa a rolar. É nesse ponto que o ex-treinador acredita que o Brasil pode crescer. O empate contra Marrocos deixou a equipe em situação de alerta, mas não comprometeu a campanha. Ainda restam partidas suficientes para ajustes e correções.
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No fim das contas, Dunga resumiu a solução para Ancelotti em três características que marcaram a seleção campeã de 1994. “Se os nossos jogadores tiverem atitude, coragem e personalidade, o Brasil volta a ser Brasil.” Mais do que uma análise sobre o empate na estreia, a mensagem soa como um manual para os próximos passos da seleção. Ancelotti tem pouco tempo para encontrar respostas. Dunga acredita que elas existem. Mas, para encontrá-las, o Brasil precisará competir com a mesma coragem que marcou suas maiores conquistas.





