A Copa do Mundo de 2030 começou para a seleção brasileira nesta quarta-feira. Mais do que uma simples convocação para três amistosos, a primeira lista de Carlo Ancelotti depois do Mundial de 2026 representa o início de uma reconstrução. O treinador italiano chamou 26 jogadores e promoveu uma renovação significativa no grupo que disputou a Copa nos Estados Unidos, México e Canadá. São 17 caras novas, alguns atletas do Mundial e uma série de recados.
Ancelotti não ficou preso ao passado. Dos 26 jogadores que participaram da última Copa, apenas nove permaneceram nesta primeira lista: Marquinhos, Gabriel Magalhães, Douglas Santos, Bruno Guimarães, Danilo, Raphinha, Rayan, Endrick e Vinicius Junior. Ele não abre mão de talento e de atletas com potencial. A ausência de nomes importantes como Neymar, Casemiro, Danilo, Alex Sandro e Weverton mostra que o treinador italiano entendeu que o ciclo precisava começar de maneira diferente. Esses jogadores não estarão mais no grupo nacional. Ancelotti agradeceu a todos eles.

A lista também traz oito estreantes. Entre eles estão Pedro Morisco, Otávio, Artur Dias, Jair, Matheuzinho, Mauro Júnior, Breno Bidon e Gabriel Bontempo. É uma mudança significativa de perfil, especialmente porque Ancelotti buscou alternativas para posições que vinham apresentando problemas. O meio-campo ganhou juventude, as laterais receberam novas opções e até o gol passou a ser tratado como uma posição aberta. Ele precisa ter opções também no banco de reservas.
Sem lugar garantido
Há, porém, uma mensagem ainda mais importante na convocação: ninguém tem lugar garantido na seleção pelo nome que construiu no passado. A idade deixou de ser o principal critério. O que parece pesar para Ancelotti é o momento do jogador, sua capacidade de participar do novo projeto e, principalmente, a possibilidade de formar uma equipe competitiva para 2030. A seleção não pode esperar mais quatro anos para descobrir que precisava mudar.
Mas isso também depende dele. Ancelotti não tem mais desculpas. Ele começa o seu trabalho no Brasil, com os jogadores que escolheu desde o primeiro dia. O treinador tem a obrigação de fazer melhor do que fez nos EUA. Dar um padrão e oferecer jogadas, planos de voo, mais competência e força. O seu período de adaptação passou. Ele será mais cobrado e vaiado, se for preciso.
Bons atacantes
Ao mesmo tempo que apresentou caras novas, Ancelotti não promoveu uma ruptura completa. Vinícius Júnior continua sendo uma das referências do time. Raphinha permanece, assim como Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães. Endrick também segue no elenco. São jogadores que podem funcionar como uma ponte entre a geração que fracassou em 2026 e aquela que Ancelotti pretende construir para o próximo Mundial. Todos eles estarão quatro anos mais experientes na Copa de 2030.

Entre as novidades, Breno Bidon e Gabriel Bontempo são dois nomes que chamam a atenção. O primeiro representa uma aposta em um meio-campista jovem e criativo, enquanto Bontempo ganha uma oportunidade depois de aparecer entre os jogadores observados pela comissão técnica. Pedro, do Flamengo, também retorna à seleção quase que como uma correção de rota e um pedido de desculpas. Ele passa a disputar espaço em um setor no qual o Brasil precisa encontrar novas soluções.
Três amistosos
Os primeiros testes acontecerão longe de casa. O Brasil enfrentará a Austrália duas vezes, em 25 de setembro, em Townsville, e 29 de setembro, em Brisbane. Depois, em 3 de outubro, enfrentará a Índia, em Calcutá, no primeiro confronto entre as seleções principais dos dois países. Em novembro, a equipe ainda terá amistosos contra Japão e Singapura.
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Ancelotti, portanto, começa seu trabalho mais importante no futebol brasileiro. Não se trata mais de preparar uma seleção para uma Copa que já passou. Trata-se de construir uma equipe capaz de ganhar a próxima. E a primeira convocação deixa claro que o italiano não pretende fazer isso apenas trocando nomes. Ele quer mudar a geração, ampliar as opções e começar a preparar o Brasil para 2030. A CBF vai também acompanhar os jogadores que o treinador entende ser útil para a seleção, mesmo se eles não estiverem bem em seus respectivos clubes.
Os 26 jogadores
Goleiros: Hugo Souza (Corinthians), Otávio (Cruzeiro), Pedro Morisco (Coritiba);
Defensores: Arthur Dias (Athletico-PR), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Jair (Nottingham Forest), Marquinhos (PSG), Mauro Jr (PSV), Matheuzinho (Corinthians), Vitor Reis (Manchester City), Wesley (Roma);
Meias: Andrey Santos (Manchester United), Breno Bidon (Corinthians), Bruno Guimarães (Arsenal), Danilo (Botafogo), Douglas Luiz (Juventus), Gabriel Bontempo (Santos);
Atacantes: Endrick (Real Madrid), Estevão (Chelsea), João Pedro (Chelsea), Pedro (Flamengo), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Samuel Lino (Flamengo), Vini Jr (Real Madrid).





