Carlo Ancelotti falou como um bom italiano, que cresceu em um futebol mais duro e pragmático, em que a primeira missão era sempre a de não sofrer gols. Em sua entrevista nesta segunda-feira, o técnico da seleção brasileira comentou que a maioria das seleções campeãs do mundo ganhou as Copas por terem sido menos vazadas e não porque tinham ataques de ouro. Deixou a entender que essa é a sua maior preocupação: não sofrer gols. Ele vai levar nove defensores, contando os laterais. E confirmou Danilo, do Flamengo, na lista final. Foi o primeiro nome confirmado. Ele, Marquinhos e Casemiro são seus jogadores de confiança.
Mas Ancelotti está errado. O ataque decide, sim, quem leva o título. E nesta edição, certamente a Fifa vai bater todos os recordes de gols e de artilheiros que ainda estão de pé. Isso porque há mais jogos (104) e seleções mais frágeis. É muito provável o torcedor aplaudir “chuvas” de gols durante as disputas. O Brasil pode golear dois de seus rivais da fase de grupos, por exemplo: Haiti e Escócia.

A maioria das campeãs — cerca de 15 das 22 edições da Copa do Mundo — também teve o melhor ataque do torneio. Isso significa dizer que em aproximadamente 68% das Copas, o campeão também foi a seleção que fez mais gols. Portanto, times de ataques fortes tendem a ganhar a competição da Fifa, sim senhor. Vale lembrar que o campeão da Copa de 2026 vai ser conhecido depois de oito partidas. Há 48 seleções no torneio. Nunca o Mundial teve tantos times participantes.
Em 1998, França fez 15 gols
A seleção brasileira de 1970, liderada por Pelé, marcou 19 gols para se sagrar campeã no México. Foi o terceiro título mundial do Brasil. O atacante Jairzinho marcou sete gols em seis jogos. Ele balançou as redes em todas as partidas do Brasil. Mais recentemente, no Mundial de 1998, a França ganhou do Brasil na final e se tornou campeã em sua casa. O time francês marcou 15 gols e teve o ataque mais produtivo da competição. Graças aos sete gols diante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, a Alemanha também teve um ataque muito efetivo para se tornar campeão do mundo no Maracanã diante da Argentina. Os alemães fizeram 18 gols.
Ancelotti sabe disso. Mas ele fez questão de deixar nas entrelinhas algumas de suas características das quais não abre mão, como mandar a campo um time equilibrado e de marcação inteligente, não tão alta, mas também não tão baixa. O seu Real Madrid fazia isso com os jogadores de frente. Ele vai repetir a dose na Copa com os quatro atacantes que pretende escalar, com Matheus Cunha fazendo a armação e marcando pelo meio de campo. E Vini recuando pela esquerda.
Campeões com melhores ataques
1930 – Uruguai campeão – 15 gols
1934 – Itália campeão – 12 gols
1954 – Alemanha Ocidental – 25 gols
1958 – Brasil – 16 gols
1962 – Brasil – 14 gols
1966 – Inglaterra – 11 gols
1970 – Brasil – 19 gols
1978 – Argentina – 15 gols
1982 – Itália – 12 gols
1986 – Argentina – 14 gols
1998 – França – 15 gols
2002 – Brasil – 18 gols
2014 – Alemanha – 18 gols
2018 – França – 14 gols
2022 – Argentina – 15 gols







Melhor ataque de 2018 foi a Bélgica
Melhor ataque de 2022 foi a França.
Os anteriores a 94 eu não conferi, mas só esses dois mudam bastante a matéria.