Sob a ilustre presença de Carlo Ancelotti, o Santos arrancou um empate quase milagroso contra o Mirassol na noite desta terça-feira, na abertura da quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O time da casa chegou a fazer 2 a 0, com gols de Igor Formiga e Negueba. Mas o Santos foi atrás da reação e chegou à igualdade com dois gols de Gabigol, quando a derrota já parecia tão certa quanto justa.

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Até o primeiro gol santista, o Mirassol atropelava o Santos. Dominava todas as ações, se valia dos erros de um adversário desorganizado e totalmente exposto. O volume de jogo, a intensidade e a agressividade ofensiva davam ao time do interior a sensação de controle absoluto do roteiro da partida. Mas o futebol, como sempre, insiste em desafiar a lógica. No fim das contas, o que vale é bola na rede — e nisso o Santos encontrou em Gabigol o seu salvador improvável da noite.

Santos: Gabigol foi o ‘herói’ inesperado da partida ao marcar os dois gols da equipe diante do Mirassol / Santos FC

Ancelotti e a ausência de Neymar

Mais importante do que o jogo em si, porém, foi o subtexto que pairava sobre ele. A partida em Mirassol era aguardada com atenção especial por causa da presença de Ancelotti, que acompanhava tudo de perto com o olhar de quem começa a desenhar o futuro da seleção brasileira de Futebol. O foco da observação era claro: Neymar, incluído na pré-lista da convocação para os próximos amistosos da equipe canarinho.

O problema é que Ancelotti foi a Mirassol justamente para não ver Neymar. O craque foi poupado para estar inteiro no clássico com o Corinthians no domingo. A ausência acabou sendo uma frustração para quem esperava observar de perto o principal talento brasileiro de sua geração — e também um prejuízo esportivo para o próprio Santos.

Impacto além do jogo

Mas o impacto da ausência vai além do jogo. Ela abre espaço para uma pergunta inevitável neste momento da carreira de Neymar: até que ponto o craque está realmente em condições de voltar a atuar em alto nível e justificar uma nova convocação para a seleção?

Ancelotti não pôde tirar conclusões em Mirassol — e talvez nem tenha outra oportunidade de ver Neymar em campo antes de fechar sua lista. Conhecendo o treinador italiano, pessoas próximas garantem que nenhum jogador será convocado apenas pelo peso do nome, pelo passado ou por eventuais pressões externas. No método de Ancelotti, currículo ajuda, mas não decide.

Oportunidade perdida

Assim, Neymar perdeu uma oportunidade valiosa de responder em campo às dúvidas que ainda cercam seu futuro na seleção. Antes da partida, o próprio jogador demonstrou irritação com as especulações que cercam sua condição física e suas decisões recentes. “Já que tem muita gente criando teorias sobre o que está acontecendo comigo: não está acontecendo nada. Se eu jogo machucado, como falaram no ano passado, eu estou errado. Se eu penso só em mim, estou errado. Se eu me poupo, estou errado. Se eu jogo com uma dor ou algo que possa agravar, estou errado. Está complicado, hein? Muito difícil acertar, cara. Muito difícil agradar todo mundo”.

E completou: “O que mais me surpreende, quer dizer, não me surpreende, são as pessoas, essa gente aí que parece que está ao meu lado todos os dias e começa a inventar histórias, a falar isso, como se fosse a maior verdade do mundo, como se os caras fossem os donos da razão. É muito complicado ser eu, nossa senhora. Tenho que ter saco para aturar vocês, viu?”

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O desabafo deve ser respeitado e ouvido. Mas não exime ninguém de se questionar se não é o caso de achar que é preciso paciência para aturar Neymar e seus altos e baixos. Até quando o futebol vai esperar Neymar mostrar que está pronto para ser o que é – ou o que foi.

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