O Corinthians começou o Brasileirão de 2026 como terminou o de 2025: com aquele incômodo de jogar bem e não vencer. Pior do que isso: a derrota de virada por 2 a 1 para o Bahia, na Vila Belmiro, escancarou uma equação de efeito cruel: não venceu com o time principal e não poupou seus principais jogadores para a decisão da Supercopa, no domingo, contra o Flamengo.
A estratégia de Dorival Júnior foi clara. E ousada. Apostar alto logo na primeira rodada, escalar praticamente força máxima, incluir até a estreia de Memphis Depay na temporada, tudo para evitar que se repetisse o trauma do ano passado, quando um início ruim empurrou o Corinthians para meses de luta contra o rebaixamento. A ideia era simples: largar bem para ganhar confiança, ambiente e margem de erro. O problema é que o futebol raramente respeita planos tão lineares.

Corinthians começou melhor
Durante cerca de 20 minutos, a aposta pareceu fazer todo o sentido. Com a “cavalaria de elite” em campo, o Corinthians envolveu o Bahia. A troca de passes entre Depay, Garro, Yuri Alberto, Carrillo e Bidon foi uma demonstração de força coletiva e talento individual. O gol saiu naturalmente — um golaço iniciado por Bidon e construído com uma bela combinação pelo meio entre Garro e Depay. Em alta rotação, o Timão parecia pronto para matar o jogo cedo.
E quase matou. Minutos depois, Yuri Alberto desperdiçou uma chance inacreditável. Garro fez um corta-luz genial na entrada da área, deixou o camisa 9 absolutamente livre, mas o chute saiu torto. Ali, a magia começou a se dissipar.
Protagonismo do Bahia
Aos poucos, o Bahia mostrou por que é reconhecido como um time bem treinado. Cadenciou o jogo pelo meio, encontrou força pelos lados com Ademir à direita e Pulga à esquerda, este sempre bem acompanhado pela inteligência construtiva de Luciano Juba, lateral que atua quase como meia ao lado de Everton Ribeiro. Comendo pelas beiradas e aproveitando certa desatenção corintiana, o empate veio num chute de fora da área de Jean Lucas, desviado em Raniele, sem chance para Hugo Souza.
Com o jogo igual, prevaleceu o entrosamento do Bahia. O time não se intimidou, passou a controlar a posse e criou as ações mais perigosas. Já nos acréscimos do primeiro tempo, outro vacilo defensivo do Corinthians: Ademir puxou o contra-ataque, Hugo Souza saiu mal e cometeu pênalti. William José bateu com categoria e decretou a virada.

Dorival em um beco sem saída
No segundo tempo, Dorival ficou diante de uma encruzilhada ingrata. Preservar o que restava do físico de seus principais jogadores pensando na Supercopa ou insistir numa reação num jogo que já não se desenhava favorável? Tentou por alguns minutos, mas o contexto não ajudou. O Bahia se fechou, especulou o contra-ataque e entregou a bola ao Corinthians, que rodou, cruzou, insistiu — sem encontrar o caminho do gol.
As cinco substituições desorganizaram ainda mais a equipe. O desespero levou o time a apostar em bolas longas para Pedro Raul e até em Gustavo Henrique improvisado como centroavante nos minutos finais. Mas a história já estava escrita.
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A bola já tinha entrado. E condenou o Corinthians a iniciar o Brasileirão como no ano passado: sofrendo dissabores e resultados melancólicos em casa. Resta agora a chance de passar uma borracha imediata nesse tropeço com uma vitória sobre o Flamengo, domingo, em Brasília, na disputa do primeiro título da temporada. Se vier, pode compensar a frustração da estreia. Se não vier, a equação — essa sim — tende a ficar ainda mais pesada.





