Um novo goleiro estreou no Bahia e o time ainda não perdeu como mandante. Briga na parte de cima da tabela e sonha em voltar a liderar o Brasileirão depois de nove anos. O Bahia, do técnico Rogério Ceni, começa a incomodar. Após o revés diante do Remo, a equipe conseguiu um resultado expressivo na Arena Fonte Nova na quarta-feira, ao superar o Athletico-PR por 3 a 0. Mostrou bom futebol, mas principalmente poder de reação. Ceni comanda a equipe com mãos de ferro.
“O time teve consciência defensiva e comprometimento. Defensivamente, os jogadores se entregaram muito”, ressaltou o treinador. A volta do meia Everton Ribeiro e a estreia do goleiro Léo Vieira foram alguns dos destaques do Bahia. Mas o personagem da partida foi o atacante Everaldo. Após um período de críticas, o centroavante se achou em Salvador e já é um dos responsáveis pela manutenção da invencibilidade do time em casa. A torcida está empolgada. O Bahia está metido entre Palmeiras, Fluminense e São Paulo, só pesos pesados do futebol nacional.

Everaldo tem 34 anos. Ele fez dois gols contra o Furacão e ainda foi protagonista de um lance duvidoso. No fim do primeiro tempo, o atacante sofreu um pisão dentro da área adversária, caiu e o árbitro marcou pênalti. Mas o responsável pelo VAR recomendou a revisão e avaliou que o jogador do Bahia teria simulado. Ele tomou cartão amarelo e teve o pênalti cancelado.
Os rompantes de Ceni
O Bahia foi o último time do Brasileirão a perder a invencibilidade, quando foi superado pelo Remo no Mangueirão na oitava rodada: 4 a 1. Foi, diga-se, uma senhora derrota. Ceni ficou visivelmente incomodado com o resultado. Ele apontou que as falhas tinham sido coletivas e que o Bahia precisava mudar muito para evoluir. “Isso mostra que ainda falta preparo para disputar na parte de cima da tabela. Foi um desastre o que a gente fez no segundo tempo. É inaceitável”, reconheceu no dia.

O treinador não costuma fugir das críticas ao elenco e a si mesmo na função. Nos bastidores, ele alterna cobranças ríspidas com discursos emocionantes. Na entrevista coletiva após a partida contra a equipe paraense, Ceni se envolveu em uma discussão ácida após questionamentos sobre batedores de pênalti. “Se cada um que bater e perder a gente tiver de escolher outro, sei lá…daqui a pouco vai entrar você… Eu não posso, estou gordo e velho”, brincou.
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Após a vitória contra o Athletico, o técnico respirou aliviado. Ele se desculpou pelo momento de desabafo que teve no jogo do Mangueirão contra o Remo e mostrou certo arrependimento. “Eu fiquei decepcionado comigo mesmo pelo jogo. Acho que até me excedi na entrevista, mas foi uma coisa que me incomodou. A minha vida é o jogo, a minha vida é voltada para construir a vitória como foi hoje”, admitiu.
Este é o Bahia de Rogério Ceni, com rompantes de alegria, desabafo e que está dando muito trabalho para os grandes times de Rio e de São Paulo. O Bahia briga na parte de cima do Brasileirão, com 17 pontos. Tem uma campanha bastante chamativa, com oito vitórias, cinco empates e apenas uma derrota.





