A classificação do Cruzeiro, com a goleada por 4 a 0 sobre o Barcelona-EQU, nesta quinta-feira, no Mineirão, não resolve apenas a vida da Raposa na Libertadores. Ela fecha uma fotografia mais ampla — e poderosa — para o futebol brasileiro no continente: nenhum representante do país ficou pelo caminho na fase de grupos da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana.
Em um calendário espremido, com oscilações internas e elencos pressionados por diferentes frentes, a permanência coletiva dos brasileiros nas duas competições reforça a superioridade do futebol nacional no cenário sul-americano.

Na Libertadores, a distribuição mostra bem os diferentes caminhos. O Flamengo foi o caso mais imponente: terminou a fase de grupos com 16 pontos, cinco vitórias e um empate, fechando a melhor campanha geral da primeira fase. O Corinthians também passou como líder de sua chave, com 11 pontos. Já Fluminense, Cruzeiro, Palmeiras e Mirassol avançaram como segundos colocados, cada um com uma história própria de resistência.
Libertadores brasileira
O Cruzeiro foi o último brasileiro a entrar em campo e pressionado, mas o que era tensão virou um passeio. Matheus Pereira abriu o placar logo aos cinco minutos da etapa inicial, após assistência de Fagner, e voltou a marcar aos 26 minutos do segundo tempo. Antes disso, Christian havia ampliado aos sete minutos da etapa final, e Luis Sinisterra fez o terceiro aos 11 minutos, dando ao time do técnico Artur Jorge o controle definitivo da partida.
Na quarta-feira, o Fluminense venceu, por 3 a 1, o Deportivo La Guaira-VEN e precisou conviver com altos e baixos, mas garantiu o segundo lugar, atrás do Independiente Rivadavia, que deu a força para o Tricolor carioca ao derrotar o Bolívar-BOL, também pelo mesmo placar.
Antes da Raposa, o Palmeiras, mesmo depois de tropeços no caminho, goleou o Junior Barranquilla-COL, por 4 a 1, e terminou na segunda colocação. O Mirassol, estreante em Libertadores, também passou em segundo, depois de perder a liderança para a LDU na rodada decisiva.
Agora é torcer no sorteio
A posição importa porque muda o grau de dificuldade do sorteio. Na Libertadores, os líderes de grupo formam um pote e os segundos colocados outro. Como não há restrição para confrontos entre equipes do mesmo país, o sorteio pode colocar brasileiros frente a frente já nas oitavas. Flamengo x Fluminense, Corinthians x Palmeiras ou outros duelos nacionais deixam de ser hipótese distante e entram no campo real das possibilidades.
Na Sul-Americana, o mapa é diferente, mas a lógica brasileira se repete: ninguém caiu. Atlético-MG, São Paulo e Botafogo avançaram diretamente às oitavas como líderes de seus grupos. Santos, Grêmio, Vasco e Red Bull Bragantino ficaram em segundo e terão de disputar os playoffs contra equipes que terminaram em terceiro lugar na fase de grupos da Libertadores.
Esse detalhe é essencial para o torcedor entender o que vem pela frente. Na Sul-Americana, ser líder significa escapar de uma fase. Ser vice manteve o clube vivo, mas com um obstáculo a mais. Os segundos colocados da Sul-Americana cruzam com os terceiros da Libertadores antes de chegarem às oitavas, em uma espécie de repescagem continental.

Caminhada até a decisão
O sorteio desta sexta-feira, em Luque, no Paraguai, às 12h (horário de Brasília), vai além da definição dos próximos adversários. A Conmebol também desenhará o caminho até a decisão, tanto na Libertadores quanto na Sul-Americana. Isso significa que os clubes não saberão apenas quem enfrentam nas oitavas ou nos playoffs: saberão também em que lado da chave estarão e quais encontros podem surgir nas fases seguintes.
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É aí que o cenário ganha peso. O Brasil chega com seis clubes nas oitavas da Libertadores e sete ainda vivos na Sul-Americana. A força numérica aumenta as chances de protagonismo, mas também eleva o risco de confrontos nacionais precoces. A mesma presença maciça que amplia a possibilidade de título também pode encurtar o caminho de alguns brasileiros.




