Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC

A pressão do Flamengo para a retirada imediata dos gramados sintéticos do Campeonato Brasileiro não terá sucesso no Conselho Técnico da próxima temporada. Há algumas razões para isso. Uma delas é que os campos artificiais se espalharam e seis clubes jogarão em pisos do tipo no Brasileirão 2026: Athletico Paranaense, Atlético Mineiro, Botafogo, Chapecoense, Palmeiras e Vasco.

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Os vascaínos devem iniciar a reforma de São Januário e revezar-se no estádio Nílton Santos, o Engenhão, com o Botafogo. O segundo é que os campos artificiais não são permitidos apenas nas competições da CBF. São admitidos na Libertadores e Copa Sul-Americana, também.

Palmeiras optou por gramado artificial desde a construção do Allianz Parque, em 2014 / Allianz Parque

Por que não em Eliminatórias da Copa do Mundo? Porque a Fifa organiza as Copas em gramados naturais. A permissão do sintético se dá pela dificuldade de nascer grama em regiões como Groenlândia ou Rússia, onde há mais gelo do que terra. A Fifa entende ser a federação do futebol de todo o planeta. Se ela permite um tipo de piso numa região, ele tem de ser permitido em outra, mesmo que o clima seja diferente.

Padrão é a palavra-chave

A CBF não quer pressão para discutir o tema dos gramados. O Flamengo não deve ter sucesso em janeiro, mas a Confederação Brasileira pretende estabelecer um trabalho organizado para chegar a campos melhores do que os existentes atualmente. Padrão é a palavra-chave.

O anúncio desse trabalho deve se dar no início do ano que vem e não mira tirar o que o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, chama de “campos de plástico”. Mira, primeiramente, acabar com os campos de buraco, como o que vitimou Bruno Henrique com lesão grave de joelho em 2023, numa partida contra o Cuiabá.

Vai ter debate sobre os gramados

O fim dos campos sintéticos esbarra também num estudo levantado pela comissão médica da CBF, do doutor Jorge Pagura, que definiu não haver maior risco de lesão no Nílton Santos do que no Maracanã. Mas se vai buscar padrão, a CBF também deverá, em médio prazo, propor a saída gradual tanto dos buracos, quanto dos plásticos. Mas sem pressão, com plano e prazo. Se há agora seis times dependentes de sua situação permitida, a proibição exigirá tempo e adaptação. É óbvio.

Botafogo, de John Textor, também mandou colocar o ‘tapetinho’ no Estádio Nilton Santos, no Rio / Botafogo

A CBF quer o debate. Não a pressão. Especialmente a que esbarra na falta de informação e de educação. Se a questão passasse apenas pelos espetáculos musicais, o MorumBis não teria campo natural. Foi palco de quatro shows nos últimos dois meses de futebol no ano e, por isso, o São Paulo teve de atuar quatro vezes na Vila Belmiro.

Em se plantando, dá

O Allianz Parque teve campo natural entre 2014 e 2019, período em que o Palmeiras ganhou dois títulos brasileiros. A Arena da Baixada optou pela fibra de coco abaixo do piso por causa do terreno movediço. Nenhuma grama pegava no estádio.

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Mas, se a Inglaterra conseguiu trocar seus pântanos do passado por gramados bons e sem buracos, o Brasil também pode conseguir. Afinal, não está escrito na carta de Pero Vaz de Caminha que nesta terra, em se plantando, tudo dá. É uma lenda. Se Caminha tivesse dito isto ao rei Dom Manuel I, em 1500, provavelmente completaria com a frase: “Nesta terra, em se plantando, tudo dá, menos grama em campo de futebol.”

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