Uma denúncia anônima ao Ministério Público, com quatro acusações, fez o São Paulo divulgar uma nota oficial para explicar e se colocar à disposição dos órgãos públicos sobre a instituição do Morumbi. O clube estaria cometendo infrações debaixo das barbas do presidente Julio Casares. As denúncias apontam para gestão temerária. Casares não descarta que esteja diante de uma denúncia política dentro do São Paulo no último ano de mandato da atual presidência. Mesmo assim, o São Paulo vai ter de se explicar.
Não há dúvidas de que, enquanto o MP não apurar os fatos, a gestão de Casares perde credibilidade em todas as suas manobras. Por ora, não há nenhum inquérito. Mais cedo ou mais tarde, a acusação terá de ter um autor. Por ora também, ela é anônima, que também a enfraquece. O episódio vem à público uma semana depois do afastamento de Carlos Belmonte e dos seus auxiliares no futebol.

Há quatro acusações, mas apenas uma delas requer mais atenção porque envolve um possível conflito de interesse do presidente Casares com o próprio São Paulo. Ela diz respeito ao fato de o filho de Casares ser sócio do agente de jogadores Aref Abdul Latif, que seria diretamente ligado às negociações do Tricolor. Se isso se confirmar, há um problema gigantesco aqui: o filho do presidente não pode moralmente negociar com atletas do clube. Eles seriam sócios numa empresa de pet.
Veja as denúncias
As outras denúncias são todas passíveis de discussão, desde que o clube não esteja perdendo dinheiro: venda de atletas da base por valores abaixo do mercado, déficit de R$ 287 milhões no balanço do ano passado e processo na parceria com os atletas de Cotia.
Sobre a venda dos jogadores da base neste ano, com receita total de pouco mais de R$ 200 milhões por cinco atletas, a diretoria tricolor sempre disse da necessidade do clube de fazer dinheiro para pagar suas contas. Mas o São Paulo teve de explicar para o MP como funciona esse tipo de transação no futebol brasileiro.

A gestão temerária é um jeito bonito para apontar que os gestores estão desfalcando o clube, com proveito próprio de alguma forma. Nesse caso, é preciso provar e até se defender de que todas as movimentações financeiras do clube não foram feitas com dolo, com a intenção de prejudicar o São Paulo.
Julio Casares tenta explicar o déficit de 2024 pela falta de premiações das competições e a recusa da venda de Pablo Maio. Precisa provar que fala a verdade. Esse é o problema da acusação. O MP espera ter respostas convincentes.
Juntos em casa de pets
Uma provável parceria da base do clube com investidores nem chegou a ser realizada. Portanto, não há muito o que dizer sobre isso. Não há fato. Mesmo assim, o MP vai querer saber dos detalhes em caso de nova investida sobre o tema no Morumbi. Há muitos cardeais do clube contrários à parceria, que previa 30% dos valores das vendas dos garotos para o investidor e 70% para o São Paulo. Por ora, o negócio naufragou. A explicação oficial é o ano difícil do futebol profissional.
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O filho de Casares e Aref criaram uma empresa de serviços e produtos de pets. Mas ela nunca foi pra frente. Ocorre que Aref leva jogadores para a base do São Paulo em Cotia. São oito atletas do sub-13. Segundo o clube, todos esses meninos passaram pelas peneiras do clube. Apesar das explicações, Casares terá mais problemas em sua gestão. Por ora, não há provas nem pedidos de impeachment.





