Eram 6 minutos do 2º tempo quando Luciano arrancou pela direita e, dentro da área, buscou passe para Tapia. A bola passou e Allan, que vinha na cobertura, escorregou no gramado e derrubou o atacante são-paulino. Àquela altura, o placar do Morumbi marcava 2 a 0 para o time da casa, diante de um Palmeiras que já mostrava outra postura ao reinício do Choque-Rei após o intervalo. Pênalti. Sem querer, mas pênalti, que o árbitro Ramon Abatti Abel não marcou. Um erro grave, que poderia dar outro contorno ao jogo, e que se junta à gigantesca pilha de erros graves da arbitragem brasileira.

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É claro que a bola na marca da cal poderia minar o ânimo palmeirense e garantir uma partida mais tranquila para os são-paulinos. Isso se o time convertesse uma eventual cobrança, é importante ressaltar. Mas jamais saberemos. No restante do jogo também é importante dizer que o Tricolor teve mais reclamações, como uma possível expulsão de Andreas em falta no volante Marcos Antônio. O palmeirense ganhou amarelo.

Mesmo com erros da arbitragem, o São Paulo, de Crespo, teve chance de liquidar a fatura ainda no primeiro tempo / SPFC

Para o que não tem se dado muito holofote, no entanto, até porque o lado vencedor geralmente chia menos, é que o Verdão também cobra a expulsão de Bobadilla e uma falta de Pablo Maia no lance do segundo gol dos mandantes, aquele de Tapia após cruzamento da esquerda.

Insinuações precisam de provas

A terceira coisa que também é bem importante dizer sobre o jogo, mesmo que isso pareça não importar dependendo de que lado do erro sua equipe está, é que a ciranda de equívocos ajuda e atrapalha todos os times, sem exceção. Essa afirmação é bastante fácil de ser constatada diante da profusão de marcações errôneas da arbitragem.

Especulações de favorecimento consciente, como alguns andam fazendo por aí (incluindo profissionais da mídia e até o diretor do Flamengo José Boto), necessitam de provas. Afinal, estamos diante de mais um enorme escândalo no futebol ou de mais uma enorme choradeira de perdedor?

Ramon Abatti Abel, árbitro Fifa, foi afastado ainda no domingo pela CBF após a partida São Paulo e Palmeiras / Palmeiras

No entanto, apesar dos erros crassos da arbitragem no Morumbis, ficará na retina dos palmeirenses uma das maiores viradas do “Time da Virada”. Para alguns palmeirenses, ela não é mais importante do que aquele 4 a 3 recente diante do Botafogo, de 2023, porque ali foi uma virada diante de um adversário direto pelo título brasileiro. Outros já colocam essa do Morumbi acima daquela no Rio por se tratar de um rival local, pela temperatura de um clássico.

Virada e liderança

O fracasso da arbitragem não pode tirar do time de Abel Ferreira uma vitória histórica, gostem ou não os torcedores rivais. Há críticas sobre a escalação inicial, a grande quantidade de erros técnicos dos atletas e a intensidade inferior à do São Paulo na primeira etapa. Tanto que o Palmeiras foi amassado, com um revés de 2 a 0 que poderia até ter sido mais. Os anfitriões, energizados pela atmosfera de confiança do estádio com 33 mil pessoas e o placar favorável, poderiam imaginar um Palmeiras entregue. Mas veio o pênalti não marcado.

Sosa, autor do terceiro gol, garante o Palmeiras na liderança do Brasileirão após virada sobre o São Paulo / Palmeiras

O jogo seguiu e foi só aos 24 minutos que Vitor Roque descontou, abalou a confiança tricolor e pavimentou o caminho da virada, sacramentada por Ramón Sosa aos 43. Foram 19 minutos entre os três gols de um Palmeiras que não se entrega.

Demora para ler o jogo

O segundo beneficiado do jogo além do Palmeiras foi Hernán Crespo. Se Abel Ferreira escalou mal, mas voltou com três substituições e outra postura do intervalo, o técnico são-paulino saiu muito bem do 1º tempo, mas quando retornou já não tinha mais o time nas mãos. O São Paulo teve espaço e conseguiu agredir. Teve chances e não soube concluir com a mesma eficiência do primeiro tempo – três delas, inclusive, com possibilidade para finalizar dentro da área. Depois disso, mais tarde, quando o 9 palmeirense mandou para as redes, o time sentiu. E mais do que deveria.

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Em 19 minutos, o encanto tricolor acabou. Os gritos de injustiça foram ouvidos, mas a verdade também é que Crespo se perdeu no segundo tempo, assim como o seu time. Além das reclamações, o técnico argentino tem de dar muitas explicações. Por que seu ataque falhou tanto? Como explicar que uma defesa perfeita na etapa inicial se desestruturou tanto na segunda parte do jogo? Por que seus comandados se abalaram em demasiado após levarem um gol? Mas ele preferiu falar da arbitragem apenas.

Basicamente, avisou que não faria análise do jogo por causa dos erros do árbitro, uma narrativa que serve de bote salva vidas para esconder falhas gritantes da equipe. Que já vinha machucada pela eliminação para a LDU na Libertadores e com crise interna de gestão. Um discurso que não ajuda em nada o gigante São Paulo a se reerguer. Pelo contrário.

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