O fardo de “time sensação” do futebol paulista e brasileiro está pesado demais para o Mirassol. São onze jogos sem vitórias. O mandante que permaneceu invicto no ano passado já perdeu duas partidas em sua casa e não acerta o caminho das vitórias. O Mirassol parece que perdeu a magia. De “clube sensação” e temido do último Brasileirão, o time acordou de um sonho e se afundou na zona do rebaixamento nesta temporada, com seis pontos em oito jogos. O desempenho é medíocre: uma vitória, três empates e quatro derrotas, a última delas para o Botafogo, que não ganhava de ninguém.
“Estamos passando por um momento muito difícil, uma provação enorme”, disse o técnico Rafael Guanaes, que demonstrou nervosismo nos jogos recentes do Mirassol. Na partida contra o Santos, ele trocou insultos contra o técnico Vojvoda e os dois foram expulsos. Já no duelo com o Cruzeiro, Guanaes foi contido por seguranças após fortes reclamações contra a arbitragem.

Além do destempero de Guanaes e do fraco futebol apresentado no Brasileirão, o time tem outros problemas. Mesmo assim, os números não são ruins. A equipe mantém médias altíssimas de controle de bola, frequentemente superando seus adversários. Antes da data-Fifa, o Mirassol era o segundo colocado em posse de bola e o sexto nas finalizações certas. Mas os resultados não acontecem.
Desafios e desmanche
Guanaes triplicou a sua atenção nesta temporada. O Brasileirão é apenas um dos torneios que o Mirassol precisa se concentrar. Na próxima semana, a caminhada é pela América. A equipe tem mais desafios pela frente: Copa Libertadores e Copa do Brasil. “É uma temporada muito desafiadora para o clube e para todos nós. Fase boa passa, fase ruim também passa. E a gente vai seguir trabalhando. As maiores lições podem ser extraídas nesses momentos”, analisou o treinador.
O elenco sofreu um verdadeiro desmanche nesta temporada. O zagueiro Jemmes assinou com o Fluminense. Já o lateral Lucas Ramon e o meia Danielzinho foram para o São Paulo e se tornaram essenciais no Morumbi. Algumas opções ofensivas também deixaram o grupo. Gabriel foi para o Sporting Cristal, do Peru, e Chico da Costa assinou com o Cruzeiro. Ao todo, 17 jogadores foram embora. E muitos outros foram contratados. A necessidade de vender se deu por dois motivos: fazer mais dinheiro e a pedido dos jogadores, que queriam vestir outras camisas.

A rotatividade impediu a manutenção do entrosamento que levou o time às primeiras colocações do Brasileirão passado. Mas o Mirassol foi um dos times que mais contrataram no futebol brasileiro. Vieram 14 atletas. O atacante Tiquinho Soares veio emprestado pelo Santos. O zagueiro William Machado estava no Ceará. O defensor de 29 anos foi a contratação mais cara do clube: US$ 1,5 milhão (R$ 8 milhões). O time ainda não está entrosado e precisa de tempo.
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O principal aliado do Mirassol era o Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião. O local funcionava como um alçapão do time, que permaneceu invicto como mandante durante todo o último Brasileirão. Mas nesse ano a realidade é diferente. Em março, o Mirassol perdeu a série de 22 jogos após apanhar do Coritiba. O pior de tudo é sofrer com a ameaça de cair no Nacional, uma condição que o elenco não viveu em 2025.





