O sorteio das oitavas de final da Libertadores reservou ao Corinthians um daqueles confrontos que carregam peso muito além da simples disputa por vaga. Encarar o Rosário Central significa enfrentar um dos clubes mais tradicionais e competitivos do futebol argentino, mas também abre a possibilidade de um duelo estrelado entre dois nomes internacionais que já dividiram o mesmo vestiário na Premier League: Memphis Depay e Ángel Di María.

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Curiosamente, os dois foram companheiros no Manchester United em 2015. Na época, Memphis chegava à Inglaterra cercado de expectativa, enquanto Di María deixava o clube pouco depois. Onze anos mais tarde, podem voltar a cruzar caminhos numa Libertadores, agora como referências técnicas de dois gigantes sul-americanos.

Memphis Depay já foi para a Copa do Mundo com a sua Holanda, mas ainda não renovou com o Corinthians / Holanda

Para o Corinthians, o sorteio poderia ter sido ainda pior. Havia um risco real de encarar o Palmeiras logo nas oitavas, cenário que elevaria ainda mais a tensão e o grau de dificuldade. Dentro das possibilidades existentes, o Rosário aparece como um adversário duríssimo, mas ainda assim menos traumático do que um clássico brasileiro eliminatório. Enquanto isso, o Palmeiras acabou contemplado com um caminho teoricamente mais confortável diante do Cerro Porteño, seu velho é conhecido freguês na competição e nos sorteios.

Atenção com o Rosário Central

Ainda assim, ninguém no Corinthians pode tratar o sorteio com alívio excessivo. O Rosário Central está longe de ser um adversário acessível. Trata-se de um clube de primeira prateleira do futebol argentino, competitivo, intenso e acostumado a jogos grandes. E existe um componente histórico que sempre pesa: times argentinos seguem sendo encarados como os adversários mais perigosos da América do Sul em mata-matas continentais.

O próprio Corinthians recebeu um aviso recente de que não existe espaço para soberba. A derrota para o Platense, dentro da Neo Química Arena, deixou claro como um time argentino organizado pode competir em altíssimo nível mesmo longe de casa. O Corinthians fez uma boa fase de grupos, teve campanha sólida e chegou perto de terminar entre os melhores líderes, mas isso não o transforma em favorito absoluto. Pelo contrário, a tendência é de uma eliminatória equilibrada.

Fernando Diniz vai usar a parada da Copa para treinar o Corinthians para as oitavas da Libertadores / Corinthians

Existe ainda um ingrediente histórico nesse confronto. Corinthians e Rosário Central já se enfrentaram nas oitavas da Libertadores de 2000. Na ocasião, os dois venceram seus jogos em casa pelo mesmo placar: 3 a 2. A classificação corintiana veio apenas nos pênaltis, no Morumbi. Mais de duas décadas depois, o reencontro resgata uma memória importante de uma Libertadores que exigiu sofrimento até o último instante.

Diniz não teve tempo para ajeitar o time

Outro detalhe fundamental é o calendário. Os confrontos acontecerão somente depois da Copa do Mundo, e isso muda completamente o cenário. Até lá, muita coisa pode acontecer. Elencos podem mudar, jogadores podem sair, reforços podem chegar e os times terão tempo raro para ajustes físicos e táticos.

No caso do Corinthians, essa pausa talvez seja ainda mais importante do que para qualquer outro brasileiro envolvido no torneio. Fernando Diniz assumiu o clube há menos de dois meses e, desde então, viveu apagando incêndios. Entre sequência de jogos, pressão por resultados e crises internas, mal conseguiu implementar suas ideias. E trabalhos de Diniz exigem tempo. Historicamente, seus times dependem da assimilação coletiva de conceitos pouco convencionais dentro do futebol brasileiro.

Mas com ou sem Memphis Depay?

Diniz foge do modelo padronizado dos treinadores que apenas replicam mecanismos conhecidos. Seus times jogam por aproximação, ocupação dinâmica de espaços, circulação agressiva e construção apoiada desde trás. É um modelo diferente, que precisa de repetição, confiança e entendimento coletivo. A parada da Copa pode representar o primeiro período real de treinamento desde sua chegada.

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Mas existe outro desafio talvez ainda maior: manter o elenco intacto. A próxima janela de transferências promete ser turbulenta. Há jogadores valorizados, empresários pressionando por negociações e um ambiente financeiro que sempre transforma o Corinthians em alvo vulnerável do mercado. Nesse cenário, a situação de Memphis Depay ganha importância decisiva. O holandês já viajou para a Copa sem assinar a renovação que vinha sendo alinhavada. Sua permanência gera insegurança. E é impossível ignorar o impacto disso no futuro esportivo da equipe. Sem Memphis, o desafio do Corinthians será mais difícil.

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