Na mesma semana em que começaram os mata-matas das oitavas de final da Copa Libertadores da América, um antigo gigante da competição respirou um pouco mais aliviado. Depois de 120 dias, o Boca Juniors, sete vezes campeão sul-americano, conseguiu uma vitória. E não pense que foi contra um esquadrão. O clube mais popular da Argentina ganhou do nanico Independiente Rivadavia por 3 a 0, no estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza. Mesmo assim, foi um alívio.

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Até então, o último triunfo do Boca tinha sido dia 19 de abril contra o Estudiantes de La Plata. Para ilustrar o tamanho da crise, apenas em duas ocasiões na sua história o clube portenho de Maradona chegou perto de fazer uma campanha tão ruim: em 1957 e em 2021, quando ficou dez partidas sem vencer.

La Bombonera, lendário estádio do Boca Juniors: clube argentino vive um dos piores momentos de sua história / Conmebol

A situação atual é resultado de uma crise crônica. Mesmo com Juan Román Riquelme, um dos maiores jogadores da história do Boca, ocupando a presidência, o clube enfrenta uma fase turbulenta, em que não faltam problemas de gestão e muitas confusões. No fim de julho, Riquelme decidiu dissolver o Conselho de Futebol do Boca, um órgão consultivo que incluía os ex-ídolos Maurício Serna, Raúl Cascini e Marcelo Delgado: no papel, a instituição deveria agregar jogadores, comissão e diretoria e ajudar na tomada de decisões. Porém, as escolhas feitas não foram as melhores.

R$ 360 milhões em reforços

Nos últimos meses, embora o clube tenha investido cerca de R$ 360 milhões em jogadores rodados, como o meia espanhol Ander Herrera e o argentino Leandro Paredes, ambos ex-Paris Saint-Germain, e repatriado o atacante Miguel Merentiel, que estava no Palmeiras, os resultados foram desastrosos. Na fase pré-Libertadores, o Boca foi eliminado em casa, perdendo nos pênaltis para o Alianza Lima. No Mundial de Clubes da Fifa, caiu na etapa de grupos, despedindo-se com um vergonhoso empate com o Auckland City, da Nova Zelândia. Dias depois, perdeu para o modesto Atlético Tucumán, na fase de oitavas de final da Copa da Argentina.

Jogadores do Boca Juniors mostram a camisa do time de 2024: elenco forte, mas sem resultados na prática / Divulgação

Apesar do triunfo contra o Independiente Rivadavia no último domingo, o técnico Miguel Ángel Russo continua na corda bamba. Ele conhece como poucas pessoas os bastidores do Boca Juniors. Mas nessa sua passagem pelo clube, Russo não conseguiu encontrar um padrão de jogo eficiente ao time e colecionou conflitos com alguns dos líderes do elenco.

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Bateu de frente com o lateral-direito Marcos Rojo, campeão mundial com a seleção argentina em 2022, no Catar, e uma das vozes mais respeitadas no grupo, que foi embora para o Racing. Também teve conflitos com o zagueiro Cristian Lema e o lateral-esquerdo Marcelo Sarachi. Eles ainda seguem no clube, mas foram colocados para treinar separados dos companheiros. No próximo domingo, o Boca Juniors enfrentará o Banfield, no estádio La Bombonera. Se tropeçar, a chapa voltará a esquentar.

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