Havia uma lógica pronta para esta quarta-feira no Mineirão. O Cruzeiro, dono de um time mais equilibrado, vivendo momento técnico superior e empurrado por um estádio cheio, era o favorito natural no primeiro confronto das semifinais da Copa do Brasil. O Corinthians, por tudo que viveu no ano, parecia chegar apenas para resistir. Mas camisa não lê prognóstico. E a do Corinthians, quando veste a alma, muda o jogo.

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Foi o que aconteceu. Dorival Júnior desenhou uma partida tática perfeita — daquelas em que cada jogador parece saber exatamente o que fazer para contrariar o destino. O plano era claro: bloquear o jogo do Cruzeiro pelos lados do campo, impedir que a bola chegasse limpa a Kaio Jorge e transformar cada centímetro do gramado em território de disputa. O Cruzeiro, acostumado a agredir, se viu travado. O Corinthians, acostumado a sofrer, encontrou prazer nisso.

Memphis Depay marcou o único gol do Corinthians na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro no Mineirão / Corinthians

Com o inimigo neutralizado, restava a aposta em uma bola, um lampejo que pudesse mudar tudo. E ela veio, do jeito que o Corinthians mais gosta — com suor e precisão. Breno Bidon roubou a bola no meio, abriu para Carrillo pela direita; o peruano foi ao fundo e cruzou na medida para Yuri Alberto escorar de cabeça. A bola desviou nas costas de um zagueiro e sobrou viva para Memphis Depay, que apenas tocou para o gol, com o goleiro já vencido no chão. Um a zero. O gol da lógica invertida.

Corinthians foi Corinthians

A partir dali, o jogo virou resistência, do jeito que a Fiel gosta. O Corinthians se multiplicou na defesa, se impôs no jogo aéreo com Gustavo Henrique e André Ramalho e resistiu como quem defende mais que um placar — defende o próprio orgulho. O Cruzeiro tentou, cruzou, pressionou, mas encontrou um muro de concentração e malícia: faltas táticas, catimba, reclamações, tudo dentro da cartilha de quem entende o peso da ocasião.

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Quando o apito final soou, o placar dizia mais do que um simples 1 a 0. Era a vitória da camisa sobre a lógica, da tática sobre o talento, da sobrevivência sobre a estética. O Corinthians volta para Itaquera com a vantagem do empate e, mais do que isso, com algo que parecia perdido: a sensação de ainda poder salvar o ano.

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