Há um movimento quase silencioso em curso no Parque São Jorge, mas que pode se revelar decisivo para o futuro do Corinthians. Depois de anos em que a questão da reforma estatutária serviu apenas como combustível para alimentar a guerra entre facções políticas, o tema ganhou um calendário e um norte. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, anunciou nesta semana que a reformulação será concluída em dezembro. E, se tudo correr como previsto, já valerá para as próximas eleições, em 2026.

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A comissão encarregada do projeto apresentará uma primeira versão do texto ainda neste mês. A partir de outubro, lideranças, grupos políticos e coletivos de associados debaterão o conteúdo até se chegar à redação definitiva. A previsão é que, em novembro, o texto seja votado no plenário do Conselho Deliberativo. Depois, em dezembro, ele seguirá para uma assembleia geral de associados. “Vamos fazer o possível e o impossível para que seja deliberado ainda este ano”, prometeu Tuma.

Corinthians promete redefinir o seu estatuto de modo a colocar o clube nos trilhos nos próximos anos / Corinthians

Os temas em debate tocam em feridas conhecidas. A inclusão do direito de voto para o Fiel Torcedor é o ponto mais simbólico — afinal, o sócio-torcedor é quem sustenta o clube no dia a dia, garantindo receitas e lotando arquibancadas. Mas há outros aspectos igualmente cruciais: a regulação do uso do cartão corporativo, por exemplo, ganhou urgência depois das revelações de que dirigentes como Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez utilizaram o benefício para gastos em joalherias de luxo e até para a compra de medicamentos para disfunção erétil. Casos que expõem não só o abuso, mas a falta de qualquer filtro entre o que é patrimônio do clube e o que são caprichos privados.

Reforma do estatuto no Corinthians

Também estão em discussão a proibição da contratação de parentes por dirigentes, novas regras na relação com torcidas organizadas, mecanismos de travas financeiras e administrativas e a inclusão de cláusulas pétreas, que só poderão ser alteradas com quórum mais elevado.

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Em suma, trata-se de um pacote que pode significar um divisor de águas. O Corinthians, tantas vezes usado como trampolim político ou tratado como propriedade privada, tem diante de si a chance de erguer barreiras institucionais contra o patrimonialismo e de democratizar sua estrutura.

Chance de se transformar

Reformar o estatuto não é apenas atualizar regras. É reconhecer que o clube precisa se reconciliar com sua própria grandeza e com a torcida que o sustenta. É olhar para o futuro e construir garantias de que a história recente — marcada por dívidas, escândalos e disputas por poder — não se repita. Se dezembro marcar, de fato, essa virada, será um momento histórico: o Corinthians finalmente diante do espelho, disposto a se transformar.

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