O Corinthians foi a Bogotá para trazer pelo menos um ponto e, com isso, garantir antecipadamente sua classificação ao mata-mata da Libertadores. Só não podia imaginar que precisaria sofrer tanto para arrancar o empate somente aos 48 minutos do segundo tempo, quando tudo levava a crer que a invencibilidade na competição cairia nos 2.640 metros de altitude da capital colombiana.
O gol salvador saiu dos pés — ou melhor, da cabeça — de um personagem que já começa a se acostumar com o papel de herói improvável. Gustavo Henrique, o zagueiro-artilheiro, apareceu na área como autêntico centroavante em meio ao desespero corintiano. Aproveitou cruzamento perfeito de Matheuzinho e cabeceou firme, com estilo, no ângulo esquerdo do goleiro colombiano. Um golaço!

Pelas circunstâncias, o 1 a 1 diante do Santa Fé tem gosto de vitória. O Corinthians agora soma dez pontos em quatro jogos e pode até celebrar a vaga já nesta quinta-feira, dependendo do resultado entre Platense e Peñarol pelo Grupo E. E, caso a classificação antecipada não venha agora, o time ainda terá duas partidas pela frente — uma delas em casa — para confirmar algo que muita gente considerava mais difícil numa chave tratada desde o início como das mais complicadas da competição.
O bom Hugo Souza
O empate também passou diretamente pelas mãos de Hugo Souza. O goleiro foi decisivo principalmente no início do segundo tempo, quando fez ao menos três defesas difíceis e evitou que o Corinthians afundasse antes da hora. Mas nem ele resistiu quando Rodallega apareceu livre na área. Aos 40 anos, alguns quilos acima do peso ideal e quase 300 gols na carreira, o veterano atacante colombiano mostrou que experiência ainda decide jogo. Aproveitou uma enorme desatenção defensiva, recebeu às costas de Gabriel Paulista, saiu cara a cara com Hugo e teve tranquilidade para tocar no canto.
Até ali, o Corinthians parecia derrotado física e emocionalmente, depois de ter controlado todo o primeiro tempo, sem sustos. A altitude já fazia alguns jogadores puxarem o ar a cada arrancada, e o Santa Fé tinha voltado com uma postura bem ofensiva para o segundo tempo, apoiado pela atmosfera hostil de Bogotá. Foi aí que apareceu outro personagem importante da noite: Fernando Diniz.
O recorde de Diniz
Com o resultado, o treinador alcançou a marca de 18 jogos seguidos sem derrota na Libertadores — a última aconteceu ainda em 2023, quando dirigia o Fluminense. Mas, mais importante que a estatística pessoal, foi a coragem demonstrada à beira do campo. Com o time perdendo, Diniz abriu mão da proteção dos volantes, empurrou a equipe para frente e apostou tudo no empate. Não aceitou a derrota como algo natural nem se acomodou diante dos efeitos da altitude.
Dieguinho entrou bem pela direita, criou situações perigosas e parece pedir passagem. Já Pedro Raul apareceu como esperança de um gol aéreo, mas segue em branco e viu Gustavo Henrique lhe dar uma verdadeira aula de como se ataca uma bola dentro da área.
Segundo tempo sem ar
Curiosamente, o Corinthians não havia feito um primeiro tempo ruim. Muito pelo contrário. A equipe suportou bem os efeitos da altitude e jogou de igual para igual com o Santa Fé nos 45 minutos iniciais. Raniele teve boa chance aos 14 minutos, André assustou aos 32 e o time brasileiro conseguiu controlar razoavelmente a pressão colombiana. O problema apareceu depois do intervalo, quando o ritmo caiu, os espaços surgiram e o desgaste físico começou a pesar.
Ainda assim, o saldo final é excelente. O Corinthians volta ao Brasil com a sensação de missão cumprida e com a cabeça livre para se concentrar na obrigação de domingo: vencer o São Paulo, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro. Porque se na Libertadores tudo parece caminhar bem, no Brasileirão o alerta continua ligado. Já passou da hora de o time reagir e sair da zona de rebaixamento. Nesta quarta-feira, Fernando Diniz completou um mês de trabalho: oito jogos e apenas uma derrota.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Ainda é cedo para cobranças mais pesadas, mas alguém que nasceu na Zona Leste e já vestiu a camisa do clube sabe perfeitamente como funciona o termômetro corintiano. No Dia das Mães, em Itaquera, haverá apenas um resultado capaz de manter o bom astral da era Diniz: a vitória.





