Conhecido como um dos mais astutos técnicos de futebol da sua geração, o espanhol Luis Enrique tinha um plano para superar o Bayern de Munique dentro do Allianz-Arena, lotada e fervilhante. Mas se a intensidade que se viu na partida do jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões fazia parte da estratégia no seu plano de jogo, desta vez levaria a melhor o time que fosse mais forte na defesa. O teatro da disputa não estava mais nos atacantes, mas nos defensores.

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Seria necessário executar a estratégia de encurtar os espaços, tirar o campo dos atacantes, mesmo para os mais habilidosos e caprichar na marcação. Claro, “errando” pouco. Frio e calculista como um pistoleiro dos filmes de bangue-bangue, o PSG, atual campeão europeu, soube colocar em prática a estratégia do seu treinador.

Dembélé marcou o gol do PSG na casa do Bayern de Munique logo no começo de jogo e aumentou a vantagem / PSG

Ao fim de um duelo de alto nível, mas menos especular do que os alucinantes 5 a 4 para o PSG, em Paris, a equipe de Luis Enrique foi exímia para jogar com o regulamento embaixo do braço – ainda mais quando exatos 139 segundos após a saída, Ousama Dembélé recebeu um passe milimétrico de Kvaratskhelia e abriu o marcador com um forte chute de perna esquerda, que o goleiro Neuer não conseguiu defender. A vantagem que já era do empate aumentou para um gol.

Linhas de defesa

Era tudo o que as bem montadas linhas de defesa dos franceses precisavam em Munique. Sob pressão de seus adversários terem de marcar pelo menos dois gols para voltar a pensar em classificação, os atacantes da equipe bávara eram bloqueados por um time organizado e disposto a travar o trânsito. Deu certo. Ainda mais em uma noite em que tanto o colombiano Luis Díaz quanto o francês Michael Olise não mostraram a mesma inspiração da partida de ida.

Mesmo com o lateral-esquerdo Nuno Mendes sob pressão por ter recebido um cartão amarelo logo aos oito minutos do primeiro tempo, o jogador português não foi desestabilizado pelos dois habilidosos atacantes do Bayern de Munique em busca de uma falta que pudesse levar à sua expulsão. Enquanto isso, Marquinhos e Pacho foram soberanos na zaga, ao contrário do que se viu no jogo de Paris, quando cada ataque alemão foi um deus-nos-acusa. Pacho foi eleito o melhor do jogo.

O que disse Luis Enrique

Nem o meia Zaire-Emery, que atuou como lateral-direito improvisado na vaga do machucado Hakimi, saiu do tom. Pelo contrário, ele foi outro destaque no sistema defensivo bolado por Luis Enrique.

Luis Enrique entendeu o que era preciso fazer no seu PSG contra o forte Bayern de Munique em sua casa / Instagram

Em compensação, com os espaços que surgiam para a equipe francesa e a velocidade e habilidade dos seus atacantes, não seria exagero afirmar que o Paris Saint-Germain só não saiu de Munique com a vitória graças à brilhante atuação de Neuer. O veterano goleiro foi decisivo ao defender duas bordoadas de Doué, aos 11 e 19 minutos do segundo tempo.

Perfeita durante quase uma centena de minutos, a defesa dos franceses só sucumbiu à pressão do Bayern no penúltimo minuto do tempo adicional, quando Harry Kane recebeu um passe de Davies dentro da área e mandou um forte chute de pé esquerdo, sem chances para Safonov. Mas era tarde demais para uma virada.

Marquinhos sabe como jogar a final

“Hoje, as defesas foram melhores do que os ataques em um jogo intenso, difícil e em alto nível”, disse Luis Enrique. E como será na final contra o Arsenal em Budapeste? “Será difícil, como foi no ano passado”, prevê o brasileiro Marquinhos, capitão e um dos pilares do time montado e dirigido pelo treinador espanhol. “Não podemos cair na armadilha de que pelo fato de termos eliminado o Bayern de Munique somos os favoritos: no ano passado fizemos dois jogos muito difíceis contra o Arsenal na semifinal”.

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Em 2025, os franceses venceram por 1 a 0 no Emirates Stadium, com um gol de Dembélé, logo no início de jogo, seguindo um roteiro semelhante ao da partida contra o campeão alemão neste ano. E tornaram a vencer por 2 a 1 diante da sua torcida no Parc des Princes. “Teremos de ter mentalidade para ganhar e o nosso treinador vai saber analisar o melhor plano de jogo para vencer mais uma final”, diz o zagueiro e capitão do Paris-Saint Germain. Como se vê, os triunfos do time a ser batido na Europa passam pelas ideias do homem que o criou.

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