O Corinthians saiu do Couto Pereira na noite deste domingo com uma derrota que vai muito além do placar de 2 a 1 para o Coritiba. Se a classificação épica diante do Rosario Central, no meio da semana, cobrou um preço físico e emocional, o time pagou essa conta em Curitiba. Mas seria confortável demais colocar mais esse tropeço apenas na conta do desgaste. O problema do Corinthians é maior, mais profundo e, a cada rodada, mais evidente. O time parecia de ressaca. Pesado, lento, sem inspiração e, principalmente, sem repertório ofensivo. A energia que sobrou para a batalha contra os argentinos não apareceu diante do Coritiba. E olha que o rival não precisou fazer uma grande partida para vencer. Bastou ser organizado, aproveitar as fragilidades do Corinthians e esperar que as chances de gol aparecessem.

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E apareceram. Assim, o time da casa venceu mais uma. Ou melhor, o Corinthians conseguiu uma proeza dolorosa: perder seis pontos nos dois confrontos diretos com o Coritiba. No primeiro turno, em Itaquera, havia levado 2 a 0. Agora, no Couto Pereira, voltou a perder. Seis pontos desperdiçados contra um adversário que trabalha com uma folha de pagamento e recursos inferiores aos do Corinthians. Pior: havia 15 anos que o Corinthians não perdia para o Coritiba no Paraná. Outra proeza, pois! É difícil não olhar para isso com preocupação.

Corinthians sofre o gol no cabeceio de Paulo Roberto
No cruzamento para a grande área, Paulo Roberto se antecipa a Gabriel Paulista e anota o segundo gol do Coritiba / Coritiba

Corinthians sem fôlego

O desgaste provocado pela Libertadores precisa ser considerado. Seria injusto ignorá-lo. Mas não pode servir como explicação única para uma atuação tão ruim. Porque o que o Corinthians mostrou em Curitiba foi, mais uma vez, a consequência de um elenco curto, desnivelado e desajustado. Um grupo em que a diferença entre quem começa jogando e quem entra em campo quando os titulares estão ausentes é assustadora. Sem Hugo, Mateuzinho, Bidu, Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay — este último começando no banco —, o Corinthians se transforma em outro time. Só que um time muito pior. Sem repertório, sem confiança e sem capacidade de sustentar o próprio jogo.

Pedro Raul é talvez o exemplo mais evidente dessa dificuldade. Para além de ser um jogador limitadíssimo, ele vira um ônus tático. Com ele em campo, o Corinthians se vê obrigado a abandonar um padrão de posse de bola, circulação e infiltrações para jogar com ligação direta e chuveirinhos. A presença do centroavante passou a funcionar quase como uma ordem para que a bola fosse levantada para a área. Cruzamento atrás de cruzamento, na esperança de que o grandalhão aparecesse para resolver. Não resolveu.

Pedro Raul parece viver uma relação de incompatibilidade absoluta com a camisa do Corinthians. A bola não chega; quando chega, não produz e, aos poucos, a torcida perdeu a paciência. Não é apenas uma questão técnica. É uma questão de encaixe. O Corinthians parece pior quando precisa jogar dessa maneira. E quem entra no lugar dos titulares também não consegue manter o nível.

Limitações do elenco

A presença de Millans na lateral-direita, por exemplo, representou uma queda evidente em relação à entrega e à regularidade de Matheuzinho, tanto na marcação quanto no apoio. Não é culpa de quem entra. O jogador está ali, tem contrato, treina e precisa estar preparado para jogar quando a oportunidade aparece. Mas o problema está aí: o Corinthians não tem peças suficientes capazes de manter o padrão quando precisa mexer no time. É um elenco que obriga Fernando Diniz a fazer ajustes demais.

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Ainda no primeiro tempo, enquanto Pedro Raul brigava com a bola e o Corinthians brigava consigo mesmo, Diniz passou um bom tempo conversando ao pé do ouvido com Memphis Depay. Talvez porque soubesse que, naquele cenário, o holandês seria uma das poucas possibilidades de mudança de cenário e de resultado. Memphis até entrou bem. Botou gás, tentou acelerar, procurou participar. Fez uma fumaça enquanto teve fôlego. Mas dessa vez nem o craque holandês conseguiu ser o salvador da pátria. O Corinthians estava desajustado demais para que a entrada de um jogador extraclasse pudesse consertar tudo.

Coxa faz o dever de casa

O Coritiba abriu o placar aos 39 minutos, numa jogada ensaiada de escanteio. JP Chermont recebeu no meio, levantou a bola para a área e Pedro Rocha, depois de deixar Kaio César no chão, bateu cruzado, entre o goleiro e a trave. Um gol de bola parada. O tipo de lance que um time concentrado deveria saber evitar. No segundo tempo, o cenário piorou. O time precisava buscar o resultado, mas se lançou ao ataque de maneira desorganizada, abrindo espaços enormes para os contra-ataques. O Coritiba agradeceu. Aos 28 minutos, JP Chermont cruzou pela direita e Paulo Roberto apareceu livre para cabecear. O segundo gol foi um banho de água fria em qualquer esperança corintiana de reação.

Últimos suspiros

Depois disso, o Corinthians foi mais desespero do que futebol. Raniele ainda marcou aos 47 minutos, de cabeça, aproveitando cruzamento da esquerda. Um gol improvável, quase fortuito, que devolveu alguma esperança nos últimos instantes. Mas era tarde demais. O Corinthians já havia desperdiçado toda a partida. O Corinthians pode até ter chegado ao Couto Pereira cansado depois da guerra contra o Rosario Central. Pode até ter sentido no corpo e na cabeça o peso de uma classificação conquistada no limite. Mas um time que pretende subir na tabela não pode transformar cada ausência em uma sentença de fragilidade. E é isso que está acontecendo.

Corinthians Raniele faz o gol do Timão
Raniele marca o gol nos acréscimos da etapa final, mas era tarde para buscar o empate no Couto Pereira / Corinthians

O Corinthians tem hoje um grupo de jogadores que consegue competir quando reúne seus principais nomes. Quando chega perto daquele núcleo de 11, talvez 13 jogadores realmente confiáveis, o time tem força para enfrentar adversários importantes. Quando precisa sair dessa zona de conforto, a queda é brutal. E talvez essa seja a principal lição da noite: o problema não está apenas nas pernas cansadas depois da Libertadores. Está na falta de peças capazes de substituir quem não pode jogar sem que o time perca completamente sua identidade.

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