O Santos passou a semana preparando o terreno para vencer o Mirassol. Poupou Neymar, Gabigol, Barreal, Igor Vinícius e outros jogadores da viagem ao Equador, conseguiu a classificação às quartas de final da Copa Sul-Americana e voltou para a Vila Belmiro com a possibilidade de dar um passo importante para se afastar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Jogou em casa, contra um adversário direto e que ainda ficou com dez homens durante boa parte do segundo tempo. Poucas vezes o cenário poderia parecer tão favorável. Mesmo assim, o Peixe ficou no empate por 1 a 1 e desperdiçou uma oportunidade daquelas que podem fazer falta mais adiante.
Com o empate, o Santos chega aos 26 pontos e permanece na 14ª colocação, enquanto o Mirassol soma 24 pontos e continua em 17º, e abre a zona de rebaixamento. A distância de apenas dois pontos entre eles, portanto, permanece intacta. Agora, o Peixe precisa mudar rapidamente a chave: na quarta-feira (26), às 21h30, enfrenta o Palmeiras, no Nubank Parque, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Depois de não aproveitar uma oportunidade importante para respirar no Brasileiro, Cuca terá poucos dias para preparar a equipe para um clássico eliminatório contra o líder da Série A, que chega embalado pela goleada por 4 a 1 sobre o Vasco. A definição da vaga será uma semana depois, em 2 de setembro, também às 21h30, na Vila Belmiro.

Santos patina
Por causa do Mirassol, o técnico Cuca fez suas escolhas durante a semana. A mensagem era clara: o Santos queria avançar na competição continental, mas entendia que a batalha mais urgente da temporada estava no Brasileiro. Antes da rodada, apenas dois pontos separavam os santistas do rival, que abria a zona de rebaixamento. O plano funcionou pela metade. Faltou completar o serviço. O Mirassol abriu o placar com Eduardo, aos 35 minutos do primeiro tempo, e obrigou o Santos a correr atrás justamente no jogo em que imaginava controlar a situação.
O Peixe teve mais iniciativa, rondou o campo ofensivo e encontrou o empate aos 23 minutos da etapa final graças à principal jogada de talento da noite. Neymar enxergou Barreal entrando na área e deu o passe para o argentino deixar tudo igual. Parecia o momento da virada. A pressão aumentou ainda mais quando Wallisson foi expulso depois de uma falta sobre Neymar, após intervenção do VAR, aos 28 minutos. O Santos passou a ter não apenas o apoio da Vila e suas principais estrelas em campo, mas também superioridade numérica. Era o cenário perfeito para transformar pressão em três pontos.
Não conseguiu. E está aí o aspecto mais preocupante do empate. O Santos mostrou dificuldade para desmontar um adversário que recuou, fechou espaços e passou a defender abertamente o ponto conquistado fora de casa. Teve a bola, teve território e teve tempo, mas não encontrou repertório suficiente para transformar domínio em chances claras na quantidade necessária. Walter apareceu quando foi exigido, a defesa do Mirassol resistiu e o relógio virou inimigo de um Santos cada vez mais apressado. O resultado final deixou uma sensação muito diferente para os dois lados: aquilo que representou resistência para o visitante teve gosto de enorme desperdício para o dono da casa.
Invencibilidade não significa tranquilidade
O empate também coloca em perspectiva a recuperação santista das últimas semanas. O Peixe vinha de vitória expressiva por 3 a 0 sobre o Vasco no Brasileiro e da classificação diante do Macará na Sul-Americana. Depois de um período marcado por protestos, resultados ruins e pressão crescente, começava a surgir novamente uma sensação de estabilidade. O Santos não perdeu do Mirassol e ampliou sua sequência sem derrotas para quatro partidas. Isolado, o dado pode parecer positivo. O problema está no contexto. Para uma equipe que ainda olha com preocupação para a parte inferior da tabela, empatar em casa justamente com um concorrente direto significa manter o perigo por perto.

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Mais do que pontuar, o Santos precisava aproveitar a rodada para criar distância. Por isso, o 1 a 1 expõe que a reação ainda precisa ser tratada com cautela. O time mostrou que consegue competir, atravessou uma eliminatória continental e voltou a obter resultados depois de um período turbulento. Mas ainda falta demonstrar capacidade para assumir o controle de partidas nas quais a obrigação de vencer está claramente do seu lado.





