Cuca tratou de baixar a temperatura no Santos depois do empate por 1 a 1 com o Mirassol, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão. Mesmo frustrado com um resultado ruim diante de um rival que atuou parte da partida com um jogador a menos, o treinador evitou cobranças públicas, protegeu o elenco e pediu equilíbrio às vésperas do confronto decisivo com o Palmeiras pela Copa do Brasil. “Tem de ter equilíbrio e calma, saber valorizar as coisas boas que eles fizeram, mesmo não tendo resultado positivo”, afirmou.
Para o treinador, o Santos produziu o suficiente para construir um resultado melhor. Cuca reconheceu, porém, que faltou transformar o volume ofensivo em gols. “Acho que as duas coisas faltaram”, respondeu ao ser questionado se houve falta de sorte ou de eficiência. “No começo, a gente teve muitas oportunidades frente a frente e depois faltou a efetividade. Se nós tivéssemos efetividade, a gente tinha feito mais gols e ganhado o jogo.”

Cuca protege ambiente
O treinador também fez questão de evitar que erros individuais virassem motivo para expor jogadores do Santos. Escobar participou do lance que originou o gol do Mirassol, mas recebeu respaldo público. “O Escobar pode ter falhado no lance, mas a gente estava bem montado. Ele é muito importante para nós. É difícil ele ser vencido por baixo, por cima. Ele tem muito crédito com a gente.”
A preocupação agora muda de endereço. O Santos enfrenta o Palmeiras fora de casa e Cuca não esconde a diferença de cenário entre as equipes. “Lógico que a gente sabe que é um jogo muito difícil. O Palmeiras é o favorito. Joga em casa, é o líder do campeonato e tem um elenco muito numeroso e com muita qualidade.” Mesmo assim, o técnico deixou claro que não pretende utilizar a superioridade do rival como desculpa. “Não pode negar o favoritismo do Palmeiras, mas a gente vai, dentro da nossa proposta, tentar fazer o melhor possível na quarta-feira.”
A presença de Neymar, porém, continua sem confirmação. Cuca afirmou que conversará com o camisa 10 antes de decidir como utilizar o seu principal jogador. “Eu vou conversar com ele amanhã (segunda-feira). A gente vai tomar as decisões não só com ele, como com todo o elenco, e depois definir o que de melhor a gente pode fazer.” Cuca também reforçou o peso de Neymar na organização ofensiva do Santos. “A bola tem de ser dele. É ele que é o nosso criador. Quando a bola está no pé dele, saem as jogadas que a gente quer.”

Cuca contemporiza ‘chilique’
Outro assunto da entrevista foi a reação de Gabigol ao deixar o campo. Contrariado com a substituição aos 37 do segundo tempo, o atacante manifestou insatisfação, mas Cuca preferiu não transformar o episódio em problema interno. “É normal. O jogador sai de cabeça quente. É mais fácil eu entendê-lo do que ele me entender.” O treinador relacionou a irritação à atuação abaixo do esperado do atacante. “Ele está nervoso por não ter conseguido finalizar no jogo, não ter tido o que ele sempre faz, que geralmente é finalizar e fazer gols. Então não era uma noite boa para ele.”
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Cuca foi além e admitiu que jogadores podem ultrapassar o “limite” após uma substituição. “A gente contemporiza porque sabe que, de cabeça quente, com o sangue quente, ele acaba falando às vezes coisa indevida que mais tarde vai ver que não era aquilo que queria falar.” Em meio às dúvidas, ao tropeço e à proximidade de duas partidas de peso, Cuca encerrou a discussão sobre eventuais alternativas no plantel com uma frase que resume o cenário santista. “Esse elenco é o que a gente tem e não vai ser diferente quarta-feira e nem domingo. É nesse pessoal que vamos pôr toda expectativa, esperança e confiança.”





