O Corinthians fez 1 a 0 a 1min40s de jogo e achou que teria uma vitória fácil contra a lanterninha Chapecoense em Itaquera. Mas o gol de Matheus Bidu no começo da partida, no entanto, foi o retrato de uma ilusão. Uma triste ilusão para o torcedor corintiano, que enfrentou uma noite fria, com menos de 10 graus em São Paulo, para assistir a mais um vexame do Corinthians.

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Foi a quarta derrota seguida no Campeonato Brasileiro. Quatro derrotas que fazem a torcida ligar o botão de alerta para o medo do rebaixamento. Enquanto os adversários que estão na parte de baixo da tabela vão somando pontos, o Corinthians patina nos mesmos 32 pontos, sem dar sinais de que tenha força para reagir. Pior: já não consegue botar medo em ninguém mesmo jogando em Itaquera, o que era um fator decisivo num passado não tão distante. Hoje o Corinthians é o quarto pior mandante do campeonato, com aproveitamento inferior a 45%.

Fernando Diniz começa a ter o seu trabalho questionado no Corinthians: quatro derrotas seguidas / Corinthians

E se perder mais uma vez já seria difícil de engolir, perder para a Chapecoense torna tudo ainda mais doloroso. O time catarinense chegou a Itaquera como lanterna do campeonato, com apenas duas vitórias até então. Saiu de São Paulo com a terceira — diante de Santos, São Paulo e, agora, Corinthians — e com uma vitória histórica: em 20 jogos anteriores em Itaquera, jamais havia conseguido vencer.

Diniz no seu limite?

É o tipo de resultado que não pode ser tratado apenas como mais uma derrota. Mais do que a frustração pelo insucesso e a preocupação cada vez maior com a tabela, é preciso começar a discutir a resposta do trabalho de Fernando Diniz. Será que o treinador chegou àquele momento do ciclo em que o encantamento inicial começa a se transformar em decepção? Diz a lenda que todo trabalho de treinador tem prazo de validade e obedece a um ciclo que vai do encantamento à decepção. E parece que essa história pode estar começando a se repetir no Corinthians.

Depois de um início animador, o time parece perdido, confuso, sem força e inspiração e, principalmente, sem jogadas capazes de traduzir em futebol a enorme posse de bola que costuma ter. O Corinthians começa os jogos aparentando controlar o jogo. Toca a bola de um lado para o outro, ocupa o campo rival, mantém a posse. Mas não chuta nem agride. Não cria jogadas ofensivas dentro da área adversária. Fica preso a uma zona em que quase nada acontece, como se tocar a bola fosse, por si só, uma prova de controle do jogo.

Qual domínio?

Não é. É uma falsa sensação de domínio. Uma ilusão de que as coisas estão sob controle quando, na verdade, o oponente está apenas esperando o momento certo para atacar. Neste domingo, essa sensação foi potencializada pelo gol marcado logo no primeiro minuto. O Corinthians ganhou uma vantagem que deveria servir para aumentar a confiança e permitir que a equipe jogasse com mais tranquilidade. Acabou acontecendo o contrário. O gol precoce tirou parte da urgência da equipe. E, sem a pressão de buscar o resultado, faltou intensidade e agressividade. Faltou aquela disposição de transformar o domínio territorial em chances reais de gol.

Garro teve a chance de marcar no primeiro tempo, mas faltou capricho na cara do gol / Reprodução

É verdade que o Corinthians criou oportunidades, principalmente no primeiro tempo. Memphis Depay desperdiçou duas chances claras. Rodrigo Garro também teve uma boa bola nos pés. A equipe chegou a fazer outro gol, de letra, com Breno Bidon, mas o lance foi anulado por impedimento na origem da jogada. Ainda assim, não dá para dizer que a vitória da Chapecoense tenha sido uma injustiça. O time entendeu o jogo que precisava fazer. Defendeu-se, fechou os espaços e esperou as oportunidades para contra-atacar. Quando elas apareceram, foi letal.

Chapecoense foi melhor

O empate nasceu dessa estratégia. Em uma jogada rápida pela esquerda, a Chapecoense chegou à área, ganhou o rebote do outro lado e encontrou Heitor livre de marcação. O lateral cruzou na medida para Marcinho se antecipar à defesa corintiana e cabecear para o gol. Marcinho, aliás, tem uma dessas ironias que o futebol adora produzir: é filho do Terrão, formado nas categorias de base do Parque São Jorge, dez anos atrás. Foi um jogador criado dentro de casa que ajudou a transformar a noite do Corinthians em um pesadelo.

No segundo tempo, o cenário piorou. O Corinthians voltou desorganizado, acelerado de maneira desordenada e cada vez mais exposto aos contra-ataques. Aos 20 minutos, Diniz tentou uma cartada para abrir ainda mais a equipe em busca do gol da vitória. Memphis e Allan saíram para as entradas de Lingard e Gui Negão. Minutos depois, veio o banho de água fria. Outro gol da Chape, novamente com o ex-corintiano Marcinho.

Marcinho fez dois gols

Em uma ligação direta do goleiro, Bolasie ganhou espaço, cruzou para o meio da área e Marcinho apareceu em velocidade para mandar a bola para o fundo do gol. A partir daí, o Corinthians se perdeu de vez. Desmontou em campo. E Diniz contribuiu para isso. As substituições voltaram a parecer confusas, sem conseguir alterar a lógica da partida. Puro desespero. Aos 38 minutos, saíram Garro e Carrillo para as entradas de Pedro Raul e Matheus Pereira. O time terminou a partida com Gustavo Henrique como centroavante, numa tentativa desesperada de encontrar no jogo aéreo a solução que não havia conseguido construir pelo chão.

Chuveirinho na área

Em campo era o Timão dos últimos jogos, no modo chuveirinho! Bola para a área, uma atrás da outra, na esperança de que aparecesse uma cabeçada salvadora. Só que o chuveirinho acabou virando uma ducha de água fria sobre uma torcida que já sofria com os menos de 10 graus da noite paulistana. Aos 47 minutos, Pedro Raul ainda teve a chance do empate. Foi o único cruzamento bem encaixado em toda aquela sequência. O centroavante subiu entre os zagueiros, cabeceou bem, mas o goleiro da Chapecoense defendeu com o pé direito. Era a última esperança. E também o retrato de um Corinthians que já não sabe muito bem como atacar. É isso que precisa preocupar.

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Não é apenas a quarta derrota consecutiva. Não é apenas a distância para os adversários que lutam contra o rebaixamento ou o fato de o Corinthians ter perdido para o lanterna, um time que até então havia vencido somente duas vezes no campeonato e que jamais havia triunfado em Itaquera. É a maneira como o time vem perdendo. É a sensação de que o trabalho de Diniz começa a entrar naquela fase em que as ideias já não surpreendem, os adversários aprenderam a neutralizá-las e o treinador não encontra respostas para mudar o roteiro. A torcida, que sempre apoia até o último minuto, já está perdendo a paciência. “Time sem vergonha”, gritou a Fiel ao final da partida, cobrando outra postura para o duelo de quarta-feira contra o Estudiantes, na Libertadores. É ganhar ou ganhar…

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