Apesar da força da camisa, do orçamento, do tamanho da torcida e da história, o Corinthians virou freguês do Red Bull Bragantino nos últimos anos. O recorte é constrangedor: em dez jogos recentes, apenas duas vitórias corintianas, um empate, e sete triunfos do time do interior. Agora oito. Uma vantagem absurda, difícil de explicar apenas pelo acaso. O capítulo mais recente dessa história foi escrito na noite desta quinta-feira, em Bragança Paulista, e, desta vez, é impossível ignorar que o Corinthians contribuiu diretamente para mais uma invertida na Terra da Linguiça.

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A responsabilidade pela derrota por 3 a 0 passa, antes de tudo, pelas escolhas de Dorival Júnior. Preocupado em poupar o time titular para o primeiro clássico do ano, domingo, contra o São Paulo, o treinador mandou a campo uma escalação medonha, desfigurada na defesa, meio-campo e ataque, com apenas o goleiro Hugo entre os jogadores considerados titulares. A aposta era arriscada demais para um adversário que manteve a base do ano passado, joga com intensidade e, historicamente, transforma sua casa em um ambiente hostil para o Corinthians.

Corinthians joga mal com time reserva e perde para o Red Bull Bragantino por 3 a 0 pelo Paulistão / Corinthians

O resultado foi um passeio. E só não terminou em goleada no primeiro tempo porque o Bragantino desperdiçou chances em série. A etapa inicial foi simplesmente terrível para o Corinthians, incapaz de dar um chute sequer ao gol. Um time lento, espaçado, fisicamente dominado e sem qualquer sinal de imposição — exatamente o oposto do que se espera de quem carrega uma camisa pesada.

O que disse Mateus Bidu

“Apesar do início de temporada e das circunstâncias do jogo, não podemos tomar três gols como tomamos hoje” avaliou Mateus Bidu, resumindo o sentimento de perplexidade de todos os corintianos. Quase uma vergonha.

No intervalo, já em desvantagem, Dorival tentou consertar a bobagem inicial com cinco substituições: Matheuzinho, Bidu, Carrillo, Bidon e Yuri Alberto. Mas o roteiro já estava escrito. E o estrago já estava feito. Mesmo com os reforços, o Corinthians ainda sofreu mais dois gols e apenas confirmou o que ficou evidente ao longo de toda a temporada passada: o desnível entre titulares e reservas é um abismo.

Dorival conhecia o rival?

É difícil acreditar que o próprio Dorival tenha realmente imaginado que poderia sair de Bragança Paulista com um bom resultado nessas condições. Otimismo demais, talvez. Ou uma leitura equivocada do momento e do adversário. Toda derrota traz lições, e essa pode ter o mérito de escancarar algo que o Corinthians insiste em empurrar com a barriga: alguns jogadores simplesmente não têm condição de seguir no elenco.

Dorival Júnior subestimou o Red Bull Bragantino em sua casa e perdeu a primeira partida no Paulistão / Corinthians

Dois, em especial, viveram uma noite desastrosa e estiveram diretamente envolvidos nos três gols sofridos. Cacá foi mal como lateral-direito e pior ainda como zagueiro. Hugo, por sua vez, segue sem ser lateral, ala ou qualquer coisa próxima disso. Sempre que joga, deixa a Fiel com saudade de Bidu. Não é implicância, é constatação repetida. Outros jogadores também revelam falta de qualidade, mas não estão marcados pela torcida.

Num campeonato curto, com apenas oito rodadas classificatórias, qualquer vacilo cobra um preço alto. Após duas rodadas, o Corinthians ocupa a nona colocação geral e, hoje, estaria fora das finais. Entende-se a preocupação em poupar jogadores no início da temporada, mas que esse chocolate sirva de alerta: não dá para confiar em um elenco que todos sabem ser desequilibrado.

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O retrospecto recente só reforça o argumento. Nos últimos 11 encontros, o Bragantino venceu oito vezes. Quase sempre ficou evidente o desequilíbrio físico entre as equipes e a falta de vontade do Corinthians de se impor como o time de maior camisa. A história se repetiu nesta quinta-feira. O Braga venceu praticamente todos os duelos, usufruiu da passividade do adversário e explorou um Corinthians desinteressado, sonolento e inofensivo. Um Corinthians que costuma derrubar técnico. Abre o olho, Dorival!

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