Nas horas de dificuldade na vida, muitas pessoas contam com a ajuda divina. O Corinthians conta com o Vasco! Mais uma vez o time carioca virou a tábua de salvação para o Timão, que respira mais aliviado no Brasileirão. O Corinthians não vencia desde 19 de fevereiro. Nove jogos de jejum no campeonato que pesavam como um fardo — e que começaram a ser deixados para trás na tarde deste domingo, na Neo Química Arena.

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O 1 a 0 sobre o Vasco não foi apenas a repetição de um roteiro conhecido, mas celebrou uma espécie de renascimento do clube no campeonato nacional. Resultado muito festejado por tirar o time da zona de rebaixamento e que permite reorganizar o ambiente e instalar uma atmosfera positiva para o confronto decisivo contra o Peñarol, no meio da semana, pela Libertadores — onde um novo triunfo pode praticamente encaminhar a classificação.

Bidu tecebe passe gemial de Garro, faz a joga e marca o gol da vitória do Corinthians sobre o Vasco / Corinthians

Mas não foi só o resultado que fez a torcida sair em paz com o Corinthians. Há sinais mais profundos da reconstrução. O time chegou ao sexto jogo consecutivo sem sofrer gols — algo que não acontecia há 12 anos. Em um time que passou boa parte de temporadas anteriores desorganizado, a solidez defensiva virou a assinatura do trabalho de Fernando Diniz, que, curiosamente, é um técnico criticado por ser ofensivista demais. O técnico começa, aos poucos, a imprimir suas ideias e, mais do que isso, a entender o elenco que tem nas mãos.

Golaço e passe de Garro

A prova mais eloquente disso esteve em uma escolha que, antes de a bola rolar, soava improvável e parecia uma esquisitice perigosa. Sem Matheusinho, suspenso, Diniz apostou em Raniele improvisado na lateral-direita. Não era apenas uma mudança posicional, mas uma estratégia. Do outro lado estava Andrés Gómez, principal válvula de escape do Vasco. Raniele foi escalado para fechar esse corredor — e fez muito mais do que isso. Entregou uma atuação exuberante: impecável na marcação, anulando Gómez, e surpreendente no apoio, com direito a canetas e chapéus que incendiaram a arquibancada. Um achado. Talvez o tipo de solução que só aparece quando o treinador começa, de fato, a se apropriar do time.

O jogo, ainda assim, pedia um momento de ruptura. E ele veio aos 37 minutos do primeiro tempo, em forma de arte. Garro recebeu na entrada da área e, com um passe de letra tão improvável quanto genial, desmontou a linha de marcação do Vasco. A bola encontrou Bidu, que dominou, girou o corpo e bateu cruzado, de perna direita, para marcar um golaço. Um lance que condensou técnica, ousadia e precisão — desses que mudam o rumo de uma partida travada e superam todos os estudos da prancheta tática.

Expulsão boba de André

Até ali, o Corinthians era melhor, e já tinha criado três chances de gols em cabeçadas de Gustavo Henrique e Raniele. O Vasco competia, marcava, mas pouco ameaçava. E então veio o roteiro que insiste em se repetir — e que precisa, em algum momento, ser interrompido. Aos 44 minutos, André protagonizou mais um episódio difícil de defender. Entrada dura, desnecessária, no campo de ataque numa disputa de bola com Thiago Mendes. Cartão vermelho direto. Outra expulsão evitável, outra decisão inconsequente.

O garoto, que já foi alvo de sondagens do futebol europeu, parece hoje distante da própria realidade. Há talento ali, mas também um descontrole que começa a custar caro. É hora de correção de rota — urgente. E um conselho para o menino não se deixar cair na armadilha do deslumbramento.

Com um a menos durate todo o segundo tempo, o jogo mudou de natureza. O Vasco avançou, tentou fazer valer a superioridade numérica, ocupou o campo ofensivo. O Corinthians, consciente das circunstâncias, encolheu. Linhas baixas, bloco compacto, Yuri Alberto isolado entre três na frente. Renunciou ao ataque sem constrangimento. Porque, naquele contexto, não se tratava de jogar bonito — tratava-se de manter o placar.

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E o time sobreviveu heroicamente, como já havia feito antes, como no dérbi com o Palmeiras. Com bravura, entrega e um estoicismo que estão no DNA do Corinthians e dos corintianos. Cada corte, cada dividida, cada bola afastada era celebrada como um gol. Foi uma defesa coletiva, disciplinada, resiliente. Um time que entendeu o tamanho do jogo que tinha nas mãos. No fim, o placar mínimo carregava pelo menos dois significados: uma vitória com a cara de Corinthians – e com a assinatura de Fernando Diniz.

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