O infortúnio de Wesley, cortado da seleção brasileira que estreia contra o Marrocos, no próximo sábado, às 19h (horário de Brasília), na Copa do Mundo por causa da lesão na coxa esquerda sofrida no amistoso com o Egito, permitiu a Carlo Ancelotti tampar um buraco que ele mesmo cavou na montagem do grupo que tentará conquistar o hexacampeonato. Tampar parcialmente. Ao escolher Éderson, um meio-campista, para substituir o lateral-direito, o treinador italiano aumenta a opção no setor mais empobrecido da equipe.

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Empobrecido pelo próprio Ancelotti, que chamou apenas cinco jogadores genuínos de meio-campo, acreditando que seria suficiente, pois pode contar com alguns atacantes mais versáteis para atuar por ali se necessário for.

Carlo Ancelotti muda o perfil da seleção brasileira e convoca o volante Éderson para o lugar do lateral direito Wesley / CBF

Seleção brasileira fragilizada

Porém, os dois amistosos da reta final de preparação para a Copa deixaram claro que ter apenas Casemiro, Bruno Guimarães, Danilo Santos, Lucas Paquetá e Fabinho pode deixar o cobertor curto demais para a disputa da principal competição do futebol mundial. Por isso, Ancelotti chamou o meio-campista que fará 27 anos durante o Mundial, jogou no Corinthians e tem uma sólida passagem pelo futebol italiano. Desempenho que o está levando da Atalanta para o Manchester United inglês.

Com Éderson, o treinador ganha mais um jogador capaz de exercer várias funções. Pode ajudar na marcação, na construção do jogo principalmente pelo lado direito e chegar na área. A opção por Matheus Pereira seria mais atraente. É sempre bom ter um jogador criativo, bom boa visão das jogadas, capaz de organizar o time. No entanto, como o cruzeirense não foi testado e em algumas ocasiões demonstrou instabilidade emocional, acabou preterido.

A lateral-direita, no fundo, não é um grande problema para Ancelotti. Faz tempo que o futebol brasileiro não tem um grande jogador na posição. Tanto que Vitinho e Paulo Henrique, que estão no grupo dos 55 nomes enviados à Fifa, não arrancam suspiros nem de botafoguenses e vascaínos.

Sem Wesley, a seleção perde seu lateral mais ofensivo. Mas Danilo e Ibañez (algo me diz que acabará sendo o titular na Copa…) dão para o gasto.

A vez de Endrick

O desempenho de Endrick nos amistosos contra Panamá e Egito, assim como no de março contra a Croácia, leva a uma constatação: o jovem atacante formado pelo Palmeiras merece ser titular. Não parecia ser a primeira, nem a segunda, opção de Ancelotti. Mas o garoto tem talento e estrela. Falta experiência? Pode ser. No entanto, o mais importante é que ele demonstra não sentir o peso de jogar na seleção.

seleção brasileira Endrick comemora o seu gol contra o egito
O atacante Endrick mostra personalidade, faz o gol da vitória sobre o Egito e pede passagem no time titular / CBF

O lado obscuro da Copa

O comportamento dos norte-americanos com as delegações de Irã e Iraque são indignos de um país organizador de Copa do Mundo. Interrogar jogador por sete horas, como no caso de um iraquiano, além de negar visto de entrada e obrigar a seleção iraniana a treinar em outro país – e ter de ir aos Estados Unidos apenas para jogar com a obrigação de voltar ao México no mesmo dia -, é uma afronta ao espírito do esporte. Mas como temos na presidência da Fifa o maior de todos os puxa-saco de Donald Trump, o rigor da entidade à mistura de futebol com política foi para o espaço. E segue o baile.

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