A pausa para a Copa do Mundo alimentou na torcida do São Paulo a esperança de que o tempo pudesse servir como remédio para um time adoecido pela falta de resultados e de confiança. Novas ideias, dias de treinamento, ajustes táticos. Tudo isso fazia imaginar um recomeço. Mas bastaram 90 minutos para o torcedor perceber que nada mudou. O Mundial terminou. O sofrimento, não. A derrota por 2 a 1 para o Athletico Paranaense, na noite desta quarta-feira, escancarou que o Tricolor retomou o Campeonato Brasileiro exatamente do ponto onde havia parado: mergulhado na crise, sem vencer há cinco rodadas, incapaz de transformar domínio em vitória e cada vez mais pressionado pela ameaça de uma temporada que se desenha angustiante.

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As vaias ao apito final e os protestos vindos das arquibancadas resumiram o sentimento de uma torcida cansada de esperar por uma reação que demora a chegar. O desespero que antecedeu a paralisação da competição reapareceu intacto na volta do calendário. Como se o sofrimento simplesmente tivesse tirado férias durante a Copa para retornar ainda mais pesado. O roteiro da partida, porém, parecia caminhar em direção oposta durante o primeiro tempo.

São Paulo Artur disputa a bola com João Cruz
Autor do gol do São Paulo em cobrança de falta, Artur arranca e aposta corrida com o atleticano João Cruz / São Paulo FC

Da esperança à triste realidade

O São Paulo fez seus melhores 45 minutos em muito tempo. Dominou completamente as ações, controlou a posse de bola — 66% contra 34% —, ocupou o campo ofensivo e praticamente anulou o Athletico. A equipe de Dorival Júnior encontrava espaços, empurrava o adversário para trás e dava a impressão de que, enfim, transformaria superioridade em tranquilidade. O gol nasceu do talento individual de Artur. Aos 18 minutos, o atacante cobrou falta com rara categoria, colocou a bola no ângulo e ainda contou com a colaboração do goleiro Santos, que chegou a tocar na bola, mas não evitou um dos mais bonitos gols da rodada.

Com a vantagem, o Tricolor manteve o controle da partida. Calleri ainda desperdiçou uma boa oportunidade ao tentar um voleio dentro da área, enquanto o Athletico encontrava em Viveros sua única válvula de escape, sempre acionado em lançamentos longos, mas completamente dominado pela defesa são-paulina. A única notícia ruim antes do intervalo foi a lesão de Rafael Tolói, substituído por Osorio.

São Paulo sofre apagão

Veio o intervalo. E, junto com ele, um apagão difícil de explicar. A impressão foi a de que o São Paulo acreditou que o jogo havia terminado aos 45 minutos. Como se tivesse permanecido no vestiário enquanto o Athletico voltava para disputar o segundo tempo. Foram necessários apenas 38 segundos para a vantagem desaparecer. No primeiro ataque da etapa final, Luiz Gustavo lançou Viveros, que cruzou rasteiro. Leozinho acertou a trave na primeira tentativa, mas, após novo levantamento de Jadson, a bola sobrou livre dentro da pequena área para o próprio atacante empurrar para as redes.

O empate mal havia sido assimilado quando veio o golpe definitivo. Cinco minutos depois, outra desatenção coletiva da defesa são-paulina, desta vez em cobrança de escanteio. A bola atravessou toda a área até encontrar novamente Leozinho, livre pela direita, para finalizar cruzado e vencer Rafael, consumando uma virada construída em apenas cinco minutos de absoluto colapso defensivo.

Incrédulo diante de mais um roteiro cruel, Dorival Júnior lançou mão de tudo o que tinha no banco. Ferreirinha, Danielzinho, Victor Sá e André Silva entraram na tentativa de recolocar o São Paulo no jogo. O time passou a rondar a área adversária, teve volume, pressionou, mas produziu muito pouco para quem precisava buscar o empate.

Noite de pânico

O Athletico, por sua vez, confirmou que atravessa um momento completamente oposto. Organizado, competitivo e cada vez mais seguro sob o comando de Odair Hellmann, soube suportar a pressão, explorar o descontrole emocional do adversário e sair com uma vitória que o coloca na terceira colocação do Campeonato Brasileiro.

No São Paulo, resta mais uma noite de cobranças. As arquibancadas transformaram a frustração em protesto, com críticas dirigidas ao diretor executivo Rafinha e cobranças para que o elenco respeite a camisa tricolor e, antes de qualquer sonho maior, cumpra a obrigação de alcançar os 45 pontos necessários para escapar do rebaixamento.

São Paulo Luiz Gustavo e Luciano
Ex-companheiro no São Paulo, Luciano e Luiz Gustavo travam duelo pela bola no jogo em Bragança Paulista  / São Paulo FC

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É um retrato cruel, mas fiel, do momento vivido pelo clube. A Copa do Mundo mudou o calendário. Não mudou o São Paulo. Nem o sentimento de sua torcida. O Mundial passou. A crise permaneceu. E, pelo que o futebol apresentado nesta quarta-feira mostrou, o sofrimento tricolor continua sem dar qualquer sinal de que terá fim.

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