Maurício precisou de poucos minutos para mostrar que não voltou da Copa do Mundo do mesmo tamanho. Com dois gols ainda no começo da partida, o meia encaminhou a vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o Coritiba, no Couto Pereira, e transformou a primeira atuação oficial depois do Mundial em uma demonstração de força. O desempenho, porém, não lhe rendeu apenas elogios. Rendeu também uma cobrança pública de João Martins: o jogador agora precisa assumir a responsabilidade reservada aos protagonistas.
O auxiliar João Martins, que comandou a equipe na partida no lugar do suspenso Abel Ferreira, aproveitou a atuação decisiva para estabelecer uma divisão bastante clara entre o Maurício que chegou ao clube, vindo do Internacional, e aquele que retornou da Copa como integrante da seleção paraguaia. Para a comissão técnica, a experiência internacional elevou o patamar do jogador — e, consequentemente, o nível de exigência.

“A seleção ajudou muito porque, quando nós conseguimos chegar a outros patamares, isso ajuda-nos. Quando chegamos ao nosso clube, aumenta a responsabilidade. Ou seja, já não é um jogador qualquer. Já é um jogador internacional paraguaio, que disputou a Copa do Mundo, que eliminou a Alemanha, que bateu o pênalti contra [a Holanda]. Já é isto tudo. E isto é um acumulado de experiências e um acumular de responsabilidade. E o que nós exigimos ao Mauricio é isso. Já não é o Mauricio que vinha do Internacional, que jogava bem e que, de vez em quando, fugia dos duelos e andava ali. Não. Agora é o Mauricio com muita responsabilidade por tudo isto que se passou na Copa do Mundo e por estar há dois anos no Palmeiras.”
Maurício precisa corresponder
A fala carrega um elogio, mas também uma advertência. Maurício já não pode depender somente da qualidade técnica, da chegada à área ou da capacidade de finalização. Ao lembrar que o jogador “fugia dos duelos”, João revela um aspecto que incomodava a comissão: a oscilação na intensidade competitiva. A cobrança agora é para que o meia participe de todos os momentos da partida, assuma o peso das decisões e se comporte como alguém que atravessou experiências que poucos jogadores do elenco viveram.
O impacto de Maurício também chega em um momento delicado da janela de transferências. Questionado sobre a possibilidade de perder jogadores, João deixou claro que a comissão deseja preservar o elenco, mas reconheceu os limites da área técnica diante de uma eventual decisão administrativa.
“Nós não queremos perder ninguém. Mas o Palmeiras é uma empresa”, afirmou. Segundo ele, se a direção decidir negociar algum atleta, caberá à comissão “arranjar soluções” para combater as consequências esportivas. A resposta não confirma proposta, negociação ou saída. Revela, entretanto, que o crescimento de Mauricio é acompanhado pela consciência de que seu valor de mercado também aumentou.
O meia passou a despertar atenção internacional depois da participação pelo Paraguai. A Atalanta e equipes da Major League Soccer, dos Estados Unidos, foram apontadas como interessadas, mas João evitou tratar qualquer movimento como concreto. A posição pública da comissão permanece a mesma: o Palmeiras não quer perder o jogador que acaba de elevar ao posto de peça central.
Barboza deixa o ego do lado de fora
A coletiva também ajudou a explicar como o Palmeiras pretende atravessar um campeonato longo e administrar as mudanças no elenco. Sobre Barboza, estreante no sistema com três zagueiros, João destacou menos os aspectos técnicos e mais o comportamento apresentado desde a chegada.
De acordo com o treinador, o argentino facilitou a própria adaptação ao deixar “o ego fora dos portões”. João contou que o defensor procurou os companheiros, participou das conversas no café da manhã e permaneceu próximo ao grupo nos primeiros dias para acelerar sua integração. O resultado, segundo ele, é a impressão de que Barboza já está no clube há mais tempo.

A blindagem a Khellven
Se Mauricio recebeu cobrança e Barboza ganhou elogios pela integração, Khellven foi protegido. João Martins fez uma defesa contundente do lateral, contestado por parte da torcida, e o apresentou como exemplo de profissionalismo no cotidiano da Academia de Futebol.
O auxiliar afirmou que Khellven está entre os primeiros a chegar e os últimos a deixar os treinamentos, além de demonstrar entrega e comportamento irrepreensível. Em seguida, adotou um discurso quase familiar para explicar por que a comissão não pretende abandonar o jogador.
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João disse que o Palmeiras frequentemente escolhe seus “patinhos feios” e afirmou que, quando Khellven sofre, todo o grupo sofre junto. Para ele, nenhum integrante da equipe deve ser “maltratado” sem que os companheiros e a comissão sintam o impacto. A esperança declarada é que atuações como a apresentada em Curitiba mudem essa relação e façam o lateral ouvir seu nome cantado pela torcida no estádio.





