O Palmeiras voltou da pausa da Copa do Mundo com sotaque paraguaio e uma mensagem que vale tanto quanto os três pontos conquistados no Couto Pereira: a liderança não depende apenas dos nomes que normalmente ocupam os holofotes. Na vitória por 3 a 1 sobre o Coritiba, nesta quarta-feira, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, Maurício marcou os dois primeiros gols, Ramón Sosa completou o placar na segunda etapa e transformou a força do elenco na principal notícia da noite.
Mesmo sem Abel Ferreira à beira do campo e com diferentes peças importantes indisponíveis, a equipe administrou a vantagem e encontrou em dois jogadores que retornaram da Copa do Mundo a resposta para fechar o primeiro turno com 44 pontos. O Palmeiras não perdeu o controle da partida em nenhum momento. Maurício e Sosa haviam defendido o Paraguai no Mundial ao lado de Gustavo Gómez. O meio-campista brasileiro, naturalizado paraguaio no início do ano, voltou ao clube com uma concorrência ainda mais pesada pela frente. Contra o Coxa, respondeu da maneira mais objetiva possível: com dois gols que colocaram o Palmeiras no comando da partida e reduziram o espaço para qualquer surpresa.

Palmeiras dita o ritmo
O desempenho reforça uma característica que costuma separar candidatos ao título de equipes apenas competitivas. O Palmeiras não precisa esperar que todos os seus protagonistas estejam disponíveis para manter o nível. Quando um nome sai, outro entra sabendo exatamente qual função deve cumprir. Quando o calendário cobra, o elenco responde.
Em jogo cadenciado, Sosa completou a obra. O atacante fez o terceiro gol na etapa final e matou a tentativa de reação do Coritiba. Sua presença aumenta a disputa em um setor que já reúne Jhon Arias, Vitor Roque, Paulinho e Flaco López. São jogadores de características diferentes, capazes de atuar por dentro, pelos lados ou como referência, e que oferecem à comissão técnica alternativas para mudar o desenho sem reduzir a capacidade ofensiva.
Pelo Coritiba, o jovem Paulo Roberto, em uma falha de marcação do estreante zagueiro Alexander Barboza, descontou para o Coritiba quando o time paranaense ainda tentava transformar o apoio de sua torcida em reação. Foi pouco, afinal, quando foi exigido, o goleiro Carlos Miguel e os jogadores à frente da defesa deram conta do recado.
Paraguaios voltam em alta
O recado dos paraguaios não foi apenas para os perseguidores do Palmeiras na tabela. Foi também para dentro da Academia de Futebol. Maurício e Sosa mostraram que voltaram da Copa dispostos a brigar por espaço. Para um time envolvido no Brasileiro, na Libertadores e na Copa do Brasil, essa concorrência não é problema. É patrimônio.
Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Abel Ferreira viajou com a delegação para Curitiba, mas acompanhou a partida do hotel. Coube aos auxiliares João Martins e Vitor Castanheira comandar a equipe no Couto Pereira. A ausência do treinador principal, porém, não provocou ruptura na identidade do Palmeiras. O time manteve a organização, protegeu a vantagem e soube escolher os momentos para acelerar. A atuação da dupla reforçou a estabilidade de uma comissão técnica que consegue preservar seus princípios mesmo sem Abel na área técnica. Os jogadores conhecem os movimentos, os auxiliares dominam o planejamento e a equipe raramente perde sua estrutura.
Primeiro turno de campanha histórica
Os 44 pontos em 19 jogos representam a melhor campanha do Palmeiras em um primeiro turno desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por 20 clubes, em 2006. São 14 vitórias, dois empates e apenas três derrotas, com aproveitamento de 77,2%. O número supera com folga o desempenho apresentado nas quatro conquistas alviverdes dentro desse formato. Em 2016, o time de Cuca terminou a primeira metade com 36 pontos, fruto de 11 vitórias, três empates e cinco derrotas.
Em 2018, o Palmeiras fechou o turno com 33 pontos, antes de construir uma arrancada histórica sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Naquela campanha, o Verdão somou 47 pontos no returno, permaneceu invicto durante toda a segunda metade da competição e terminou campeão com 80.
Em 2022, a equipe de Abel chegou à metade do campeonato com 39 pontos, 11 vitórias, seis empates e duas derrotas. No ano seguinte, somou 34, com nove triunfos, sete igualdades e três reveses, antes de buscar o Botafogo e conquistar mais uma taça. A comparação não entrega o título de 2026, mas dimensiona a largada. O Palmeiras atual tem cinco pontos a mais do que o campeão de 2022, oito acima do time de 2016, dez sobre a campanha de 2023 e 11 em relação ao primeiro turno de 2018.

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Segue o líder
Ainda há um campeonato inteiro pela frente, com rivais fortes, calendário pesado e uma janela de transferências capaz de alterar forças. Mas o líder encerra a primeira metade com uma combinação difícil de enfrentar: pontuação de campeão, modelo consolidado e um elenco no qual até quem volta de uma Copa do Mundo precisa mandar recado para conquistar lugar. No Couto Pereira, Maurício e Ramón Sosa fizeram mais do que os gols da vitória. Mostraram que a gordura na liderança não é obra de onze titulares. É sustentada por um grupo que continua encontrando soluções, mesmo quando o treinador está no hotel e parte das estrelas ainda espera sua vez.





