Cristiano Ronaldo saiu da Copa do Mundo pela última vez como sempre viveu dentro dela: no centro da imagem. Aos 41 anos, depois da derrota de Portugal por 1 a 0 para a Espanha, nas oitavas de final, o maior artilheiro da história das seleções confirmou aquilo que já pairava sobre o torneio como uma despedida anunciada. “Foi o meu último Mundial, sim, e digo isso com a consciência de quem viveu tudo o que podia viver dentro de uma Copa, de quem deu tudo em campo ao longo de tantos anos e de tantas edições, sempre com o mesmo compromisso e a mesma ambição de representar Portugal da melhor forma possível”, afirmou o atacante, encerrando uma trajetória iniciada em 2006 e esticada até o limite do tempo, da ambição e da própria biologia.

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A frase, no entanto, não veio acompanhada de uma aposentadoria imediata da seleção portuguesa, porque Cristiano fez questão de separar uma coisa da outra e deixar claro que o fim nas Copas não significa necessariamente o fim com Portugal. “Há tempo para pensar, não é uma decisão que eu queira tomar agora, no calor do momento, depois de uma derrota que dói, porque a seleção significa muito para mim e tudo o que fiz aqui foi com entrega total, então preciso de tranquilidade para refletir sobre o futuro”, explicou, demonstrando que, embora uma porta tenha se fechado, ele ainda não quis encerrar completamente o capítulo com a camisa portuguesa.

Cristiano Ronaldo emocionado
Emocionado após sua última partida de Copa, Cristiano Ronaldo retribui o apoio da torcida com aplausos / Reprodução

Cristiano Ronaldo resume a carreira

O astro português, por sua vez, tentou dar ao fim um sentido menos amargo e mais reflexivo, reforçando que, apesar da tristeza, não há arrependimento em relação ao que construiu com a seleção. “Claro que estou triste por sair assim, ninguém quer terminar uma competição desta forma, mas ao mesmo tempo saio com a consciência tranquila, porque sei que dei tudo o que tinha, sempre dei o meu melhor, sempre procurei ajudar a equipa e honrar esta camisola em todos os momentos”, afirmou, resumindo a própria relação com Portugal como uma história de entrega contínua.

Não é uma despedida simples. Cristiano Ronaldo deixa os Mundiais sem a taça que mais perseguiu, mas com uma coleção de marcas que talvez ninguém volte a reunir tão cedo. Foi a seis Copas, marcou em todas elas e transformou longevidade em recorde, obsessão em combustível e Portugal em uma seleção acostumada a se sentir candidata. Antes dele, o país não tinha títulos. Com ele, vieram a Eurocopa de 2016 e duas Ligas das Nações.

Por isso, Cristiano Ronaldo também fez questão de defender o tamanho da própria obra e de contextualizar o que conquistou ao longo da carreira internacional. “Ganhei três títulos por Portugal e isso tem um significado enorme para mim, especialmente a Euro de 2016, que coloco no mesmo nível de uma Copa do Mundo, porque foi um momento histórico para o nosso país e para todos nós que estivemos envolvidos”, disse, em uma tentativa de reafirmar o valor de um legado que sempre será comparado à ausência do título mundial.

Aceitar o destino

O futebol, porém, raramente permite finais sob encomenda. Contra a Espanha, o roteiro foi cruel: Portugal resistiu, competiu e levou o golpe no fim, com o gol de Mikel Merino. Cristiano permaneceu em campo até o apito final, à espera de uma bola que não chegou, de uma última chance que não apareceu, de um último gesto capaz de alterar a história, mas desta vez nem ele conseguiu dobrar o destino.

“É a vida de um futebolista, às vezes ganhamos, às vezes perdemos, e temos de saber lidar com isso, seguir em frente e aceitar que nem sempre conseguimos aquilo que mais desejamos, mesmo quando damos tudo de nós”, refletiu Cristiano, em uma fala que sintetiza o contraste entre a grandeza da carreira e a simplicidade inevitável do desfecho.

Cristiano Ronaldo parada para hidratação 1
Capitão, Cristiano Ronaldo usa a sua experiência para motivar os companheiros na pausa para hidratação / Reprodução

Fim de ciclo também no banco

A eliminação também encerrou a passagem de Roberto Martínez pelo comando da seleção portuguesa. O treinador confirmou a saída após a derrota e se despediu falando em orgulho pelo período à frente da equipe. “É certo, é meu último jogo com a seleção de Portugal”, disse Martínez, que havia assumido o cargo depois da Copa de 2022 e conquistou a Liga das Nações de 2025.

O próximo ciclo português, portanto, começará sem o técnico espanhol e, provavelmente, com a discussão sobre como reconstruir a equipe para 2030, quando Portugal será um dos anfitriões da Copa do Mundo, ao lado de Espanha e Marrocos. Jorge Jesus aparece como um dos principais candidatos ao cargo. Ex-Flamengo, Benfica e Al-Nassr, o treinador é visto como nome forte nos bastidores para comandar uma seleção que precisará atravessar a transição mais delicada de sua história recente: imaginar Portugal sem Cristiano Ronaldo como eixo emocional e esportivo.

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