Mbappe brilhou. Messi deu show. Cristiano Ronaldo decepcionou. A estreia dos três maiores astros da Copa do Mundo reservou um enredo bem diferente para o “Robozão”, que não teve o mesmo brilho dos outros astros de sua categoria. Na véspera da estreia, Cristiano Ronaldo fez um apelo aos portugueses espalhados pelo mundo. Aos 41 anos, às portas de sua sexta Copa do Mundo, o capitão pediu confiança. Pediu que o povo acreditasse nele e nos companheiros para a caminhada que começava no Texas. Era uma convocação emocional aos leões do mar. Noventa minutos depois, porém, o sentimento predominante no país era de frustração.
Portugal deixou o gramado de Houston com um empate por 1 a 1 diante da República Democrática do Congo, resultado que soou como derrota para uma seleção que chegou ao Mundial carregando todas as credenciais de favorita. Dona do segundo melhor aproveitamento entre as equipes europeias neste ciclo de Copa, atrás apenas da Espanha, sustentada pelo meio-campo campeão da Liga dos Campeões com o PSG e por uma geração tecnicamente exuberante, a equipe portuguesa parecia destinada a uma estreia tranquila.

Durante alguns minutos, essa impressão até ganhou forma. Logo aos cinco minutos, Pedro Neto encontrou espaço pela esquerda e levantou a bola na medida para João Neves infiltrar entre os zagueiros e cabecear para as redes. O gol precoce parecia abrir caminho para uma tarde confortável, quem sabe até uma goleada. A diferença técnica entre as equipes saltava aos olhos e a sensação era de que a questão não seria se Portugal venceria, mas por quantos gols venceria.
Como diria Muricy Ramalho, a bola pune
A República Democrática do Congo, antigo Zaire — o mesmo que enfrentou o Brasil na Copa de 1974 — não atravessou décadas de ausência para desperdiçar sua volta ao maior palco do futebol. Organizada em uma linha de cinco defensores, protegida por três meio-campistas de forte capacidade física e armada para explorar os contra-ataques, a equipe africana executou com precisão o plano desenhado por sua comissão técnica e foi buscar o empate na raça.
Portugal dominou a posse de bola, mas produziu muito pouco. Rodou o jogo de um lado para o outro, empilhou passes e ocupou o campo ofensivo, mas raramente encontrou brechas na muralha congolesa.
O castigo chegou nos acréscimos do primeiro tempo. Em uma cobrança curta de escanteio, a defesa portuguesa perdeu completamente a referência da jogada. Masuaku recebeu pela esquerda e cruzou para Wissa aparecer livre na pequena área. A cabeçada foi perfeita. Diogo Costa não teve qualquer chance de reação.
Nada de CR7
Na etapa final, Portugal até tentou retomar o controle emocional do jogo, mas nunca conseguiu recuperar a fluidez dos primeiros minutos. O relógio passou a correr mais rápido do que as ideias portuguesas.
E, no centro de toda a expectativa, Cristiano Ronaldo viveu uma tarde discreta. O craque entrou em campo perseguindo um feito histórico: tornar-se o primeiro jogador a marcar gols em seis Copas do Mundo diferentes. Enquanto Lionel Messi, Kylian Mbappé e Erling Haaland iniciaram suas campanhas balançando as redes, o camisa 7 português terminou a estreia em branco. A bola chegou pouco. Em uma das raras oportunidades dentro da área, chegou até a acertar o gramado antes da finalização. Em outra, concluiu sem direção.
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Foi uma atuação que simbolizou o jogo de Portugal: muita expectativa, pouca efetividade.
Do outro lado, o empate teve sabor de conquista histórica.
Em apenas sua segunda participação em Copas do Mundo, a República Democrática do Congo alcançou duas marcas inéditas de uma só vez. Marcou seu primeiro gol em Mundiais e conquistou seu primeiro ponto e está na briga para avançar à fase de mata-mata, o que seria um sonho.
O técnico se Portugal, o espanhol Roberto Martinez, admitiu a decepção após a partida, embora tenha tentado relativizar o peso do resultado.
“Começamos o jogo muito bem, mas levamos um gol no final do primeiro tempo e não conseguimos mudar o quadro na etapa final. Faz parte de um campeonato como a Copa do Mundo.”
Roberto Martinez
Talvez faça mesmo. Porque a história dos Mundiais está cheia de seleções que confundiram favoritismo com vitória antecipada. Portugal continua sendo uma das equipes mais talentosas desta Copa, mas não basta confiar só no nome e na camisa. É preciso jogar mais bola.




