A Croácia ainda respira. Não foi com brilho, não foi com autoridade e muito menos com aquele futebol capaz de assustar os adversários mais fortes da Copa. Mas, em Mundial, sobreviver também é uma virtude. Depois de estrear levando quatro gols da Inglaterra e deixar no ar a sensação de que sua geração dourada poderia estar chegando ao fim sem aviso prévio, a equipe de Zlatko Dalic derrotou o Panamá por 1 a 0 e recolocou o próprio destino sobre a mesa no Grupo L.
O placar magro conta só parte da história. A outra parte está no peso da vitória. Para a Croácia, perder ou empatar significaria entrar na última rodada praticamente sufocada, dependendo de cálculos, tropeços alheios e de uma improvável combinação de resultados. Com o gol de Ante Budimir, aos nove minutos do segundo tempo, os croatas saíram da beira do abismo e empurraram a decisão para o confronto direto contra Gana.

Croácia sofre até o fim
Foi um jogo duro de assistir em alguns momentos. A Croácia teve mais repertório, mais experiência e mais jogadores acostumados a noites grandes. Mas demorou a transformar isso em controle real. O Panamá, limitado, competitivo e bem organizado, não se comportou como figurante. Fechou espaços, aceitou sofrer sem se desmanchar e tentou incomodar sempre que encontrava campo para atacar, sobretudo pelos lados.
No primeiro tempo, a equipe panamenha chegou a construir uma das melhores oportunidades da partida. Em uma bola levantada pela direita, José Luis Rodríguez apareceu para finalizar de cabeça e obrigou Dominik Livakovic a trabalhar. O lance serviu como alerta: a Croácia podia até ser superior no papel, mas não tinha margem para jogar no piloto automático.
O problema croata era claro. Havia posse, havia tentativa de circulação, havia a procura por Modric para organizar o jogo. Faltava, porém, agressividade no último terço. A bola passava pelos pés experientes do camisa 10, mas encontrava uma barreira panamenha compacta, sempre disposta a transformar cada chegada croata em uma disputa física.
Aposta dá resultado
Dalic percebeu o risco e mexeu no intervalo. A entrada de Budimir deu à Croácia o que ela mais precisava: presença de área, referência para atacar cruzamentos e capacidade de transformar uma jogada simples em uma vantagem decisiva. E foi exatamente assim que o jogo se resolveu.
Aos nove minutos da etapa final, Marco Pasalićcparticipou da construção, Josip Stanisic recebeu em condição de cruzar e colocou a bola na zona mais perigosa da área. Budimir apareceu como centroavante clássico, atacando o espaço certo, no tempo certo, para completar e fazer o gol que manteve a Croácia viva na Copa.
Depois disso, o jogo mudou menos do que o placar sugeria. A Croácia não atropelou. Não transformou o 1 a 0 em domínio absoluto. Preferiu administrar, baixar o risco e proteger o resultado com a frieza de quem conhece o peso de uma fase de grupos. O Panamá tentou reagir, empurrou bolas para a área e buscou algum caos nos minutos finais, mas novamente esbarrou em sua maior limitação no torneio: competir não bastou.
A seleção panamenha está eliminada sem ter marcado um gol. Perdeu por 1 a 0 para Gana, voltou a perder pelo mesmo placar para a Croácia e chega à última rodada contra a Inglaterra apenas para cumprir tabela. Foi uma campanha de resistência, mas sem eficiência. Na Copa, dignidade sem ponto costuma ser uma lembrança amarga.

Situação da chave
Para a Croácia, o cenário é simples e cruel. Inglaterra e Gana lideram o Grupo L com quatro pontos. A Croácia tem três. Panamá, zerado, já não pode mais alcançar ninguém. Na rodada final, os croatas enfrentam Gana em uma decisão direta. Se vencerem, avançam ao menos como segundos colocados. Se empatarem, ainda podem sonhar com uma vaga entre os melhores terceiros, mas ficarão reféns dos outros grupos. Se perderem, o Mundial acaba.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Tik Tok
A Inglaterra, por sua vez, pega o Panamá e tem o caminho mais confortável para confirmar a liderança. Gana entra contra a Croácia podendo jogar pelo empate para terminar à frente dos europeus. Ou seja: o Grupo L chega à última rodada com um favorito, um eliminado e uma final antecipada.





