O Palmeiras chegou a uma marca que poucos clubes brasileiros conseguem alcançar: R$ 1,78 bilhão de receita em 2025. Mas o número, sozinho, conta apenas metade da história. O balanço financeiro do clube da presidente Leila Pereira mostra de onde veio esse dinheiro — e revela que quase R$ 1 bilhão entrou nos cofres por dois caminhos ligados ao desempenho esportivo: a venda de jogadores e as premiações. Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos ajudaram a transformar o elenco em um dos principais ativos financeiros do clube, enquanto a campanha nas competições, especialmente na Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos, elevou as premiações a um patamar extraordinário. Mas isso não deve se repetir em 2026.

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As vendas de jogadores estão mais tímidas, apesar da iminente saída de Allan para o Manchester City por 40 milhões de euros, o equivalente a R$ 240 milhões. A janela está aberta e o clube resolveu vender atletas da base e alguns menos usados no time de Abel. A meta, revelada, é orçada em R$ 400 milhões. A estimativa com a saída de Allan é de arrecadação de R$ 350 milhões. Mas não se sabe se todo o dinheiro entraria no balanço deste ano.

Desafios sem Leila

O desafio do Palmeiras é evitar o enfraquecimento nas finanças quando Leila for embora, em dezembro de 2027. E levar Abel Ferreira com ela. O Vasco, ao que tudo indica, é o caminho da dirigente.

Palmeiras começa a pensar em suas receitas e administração sem a presidente Leila Pereira / Palmeiras

O resultado do balanço de 2025 impressiona. O Palmeiras registrou R$ 1,7 bilhão de receita bruta operacional, depois de deduções que levaram a receita líquida operacional para cerca de R$ 1,6 bilhão. As despesas operacionais chegaram a aproximadamente R$ 1,25 bilhão, produzindo um resultado operacional positivo de R$ 382 milhões. Fechou, portanto, no azul. Depois do resultado financeiro negativo durante o ano de cerca de R$ 90 milhões, o clube terminou o exercício com superávit de R$ 292 milhões. É uma fotografia de uma operação que tem várias fontes de receita e que não depende das tradicionais televisão, patrocínio e bilheteria.

Vender jogadores

O maior pedaço dessa máquina veio do mercado de jogadores. O Palmeiras registrou R$ 602 milhões em receitas com negociações de atletas. Três operações concentraram a maior parte desse dinheiro: Vitor Reis, vendido ao Manchester City por cerca de R$ 215 milhões; Estêvão, negociado com o Chelsea por R$ 154 milhões; e Richard Ríos, que foi para o Benfica por cerca de R$ 140 milhões. Somadas, as três operações representam R$ 510 milhões. O restante veio de outras negociações, como Thalys, Wesley e Fellipe Jack.

A segunda grande fonte de receita do Palmeiras foi a premiação esportiva, que deu um salto impressionante. O Palmeiras saiu de R$ 69 milhões em premiações em 2024 para cerca de R$ 327 milhões em 2025. O Brasileirão rendeu R$ 54,2 milhões, a Libertadores chegou à R$ 49 milhões e o Campeonato Paulista. o menor de todos, a R$ 3,8 milhões. Elencos competitivos avançam nas disputas e ganham torneios. Isso representa dinheiro em caixa.

Leila Pereira tem mandato na presidência do Palmeiras até dezembro de 2027 / Palmeiras

Mas o número que chamou atenção em 2015 foi o de “outras competições”: R$ 218,7 milhões. É aí que aparece o peso extraordinário da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, que criou uma receita que não fazia parte da operação tradicional do clube em anos anteriores. Se o Palmeiras ganhar a Libertadores, ganhará o direito de disputar a segunda edição deste evento em 2029. Ou seja: é dinheiro garantido para o futuro.

Publicidade e patrocínio

O terceiro grande motor financeiro do Palmeiras tem sido o mercado comercial. Publicidade e patrocínios renderam ao clube no ano passado R$ 214 milhões. O número inclui diferentes propriedades comerciais e não apenas o principal patrocinador estampado na camisa. Também entram receitas do programa Avanti, que alcançou R$ 82 milhões, e do licenciamento de produtos e escolinhas, com cerca de R$ 35 milhões. É o Palmeiras transformando sua marca em receita recorrente. Há espaço para melhorar isso? Sempre há.

De onde veio o dinheiro: em milhões

Negociação de atletas: R$ 602,2 – 34%
Premiações: R$ 327,1 -18%
Publicidade e patrocínios: R$ 213,7 – 12%
Direitos de TV: R$ 200 – 11%
Avanti: R$ 82 – 5%
Arrecadação de jogos: R$ 96,9 – 5%
Licenciamento: R$ 35,2 – 2%
Outras receitas R$ 676,6

Como disse Leila há três semanas, ela é “criativa” para isso. Tem sido. Mas Leila vai embora. Paulo Buosi deve ser o novo presidente. Se for ele, Buosi já chega com a régua lá em cima. O seu primeiro desafio será manter a máquina funcionando. O segundo, aumentar a arrecadação.

Estêvão foi o último grande jogador do Palmeiras vendido para a Europa: Allan pode sair nesta janela / Palmeiras

A televisão, que durante décadas foi tratada como uma das principais fontes de sustentação dos clubes brasileiros, apareceu em 2025 com R$ 200 milhões. O Campeonato Brasileiro respondeu por R$ 116,8 milhões, a Libertadores por R$ 43,8 milhões e o Campeonato Paulista por R$ 30,2 milhões. A arrecadação com jogos ficou próxima de R$ 97 milhões, enquanto o Avanti adicionou outros R$ 82 milhões. São números importantes, mas que ajudam a entender uma mudança: o Palmeiras já não depende de uma única fonte para sustentar sua operação. Outro desafio a partir de 2028 é aumentar essas fontes de receita.

Há receitas de ocasião

É aí que o balanço merece uma segunda leitura, não para avaliar o passado, mas para vislumbrar o futuro. O Palmeiras não construiu os R$ 1,78 bilhão apenas com receitas recorrentes. Uma parte importante do resultado veio de operações que podem variar muito de uma temporada para outra. Venda de jogadores não acontece todo ano no mesmo volume. O clube sente isso na pele nesta temporada. A premiação depende de campanha. Time ruim cai cedo nos torneios. E a Copa do Mundo de Clubes não será disputada todos os anos: é de quatro em quatro. Em 2025, portanto, o Palmeiras combinou uma estrutura comercial forte com receitas extraordinárias que elevaram o faturamento a um patamar excepcional.

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O orçamento para 2026 mostra que o próprio clube sabe disso. O desafio sempre vai ser pagar as contas em dia, sobretudo com o fair play financeiro da CBF em marcha. A previsão do Palmeiras inclui R$ 400 milhões em negociações de atletas, R$ 296,5 milhões em patrocínios e licenciamento, R$ 185,6 milhões em direitos de transmissão, R$ 84,3 milhões do Avanti, R$ 62 milhões em premiações e R$ 61,9 milhões em bilheteria.

Venda de jogadores: em milhões

Vitor Reis → Manchester City: R$ 215,4
Estêvão → Chelsea: R$ 153,7
Richard Ríos → Benfica: R$ 140,4
Thalys → Almería: R$ 26,7
Wesley → Internacional: R$ 9,8

A fotografia de 2025, portanto, não deve ser interpretada apenas como um recorde de faturamento. Ela mostra como o Palmeiras construiu sua máquina financeira — com formação e venda de jogadores, desempenho esportivo, força comercial, torcida e direitos de transmissão — e também revela o desafio de manter essa máquina funcionando quando as receitas extraordinárias diminuírem.

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