Pelo terceiro ano seguido e em três competições diferentes, Espanha e França estarão frente a frente na luta por uma vaga na final em jogo. Nesta terça-feira, às 16h (horário de Brasília), em Arlington, no Texas, as duas seleções disputam a primeira semifinal da Copa do Mundo. O encontro amplia uma sequência iniciada na Eurocopa de 2024, prolongada na Liga das Nações de 2025 e agora transportada para o maior palco do futebol. Até aqui, os dois capítulos terminaram com vitória espanhola.
A história começou em 9 de julho de 2024, em Munique. A França abriu o placar logo aos nove minutos, quando Kylian Mbappé recebeu pela esquerda e cruzou para Randal Kolo Muani marcar de cabeça. A resposta espanhola nasceu dos pés de um adolescente que ainda aprendia a conviver com a velocidade da própria ascensão. Aos 16 anos e 362 dias, Lamine Yamal recebeu diante da área, afastou-se da marcação de Adrien Rabiot e acertou um chute colocado que tocou na trave antes de entrar. Além de empatar a semifinal, tornou-se o jogador mais jovem a marcar na história da Eurocopa. Apenas quatro minutos depois, Dani Olmo completou a virada espanhola.

Espanha e França protagonistas
A Espanha venceu por 2 a 1, eliminou uma seleção francesa que havia sofrido apenas um gol durante toda a competição e avançou à decisão. Cinco dias mais tarde, superou a Inglaterra em Berlim e conquistou o quarto título europeu de sua história. A semifinal também apresentou ao futebol de seleções uma nova ordem espanhola: uma equipe jovem, agressiva com a bola e capaz de reagir imediatamente depois de sofrer um golpe.
Onze meses depois, Espanha e França voltaram à Alemanha para outra semifinal. Desta vez, o cenário foi Stuttgart e a competição, a Liga das Nações. O roteiro não repetiu o jogo mais controlado de Munique. As duas seleções produziram uma partida aberta, veloz e caótica, com nove gols e mudanças bruscas de domínio. Nico Williams e Mikel Merino colocaram a Espanha em vantagem ainda no primeiro tempo. Depois do intervalo, Yamal marcou de pênalti, Pedri fez o quarto e os espanhóis abriram 4 a 0. Mbappé descontou, mas Yamal voltou a marcar e transformou o placar em 5 a 1. A classificação parecia resolvida antes mesmo dos 70 minutos.
A França, entretanto, recusou-se a abandonar a partida. Rayan Cherki, que fazia sua estreia pela seleção principal, marcou o segundo. Dani Vivian desviou contra a própria meta, e Kolo Muani fez o quarto nos acréscimos. A reação não foi suficiente para evitar a vitória espanhola por 5 a 4, mas deixou uma advertência que permanece válida antes do novo encontro: mesmo quando parece derrotada, a França possui recursos para voltar ao jogo. A partida foi a mais goleadora da história da Liga das Nações.
Rivais se conhecem
A Espanha avançou à decisão, embora depois tenha perdido o título para Portugal nos pênaltis. Ainda assim, o confronto de Stuttgart consolidou sua vantagem recente sobre os franceses. Em dois anos consecutivos, por competições diferentes, a seleção espanhola encontrou maneiras distintas de vencer o mesmo adversário. Em 2024, virou o placar rapidamente e protegeu uma vantagem mínima. Um ano depois, foi devastadora durante seus melhores momentos ofensivos e precisou sobreviver a uma reação que quase transformou goleada em empate.
Os encontros também criaram uma memória compartilhada entre os protagonistas. Unai Simón, Marc Cucurella, Fabián Ruiz, Dani Olmo, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Nico Williams, Mikel Oyarzabal e Yamal participaram dos dois jogos pela Espanha e permanecem no grupo deste Mundial. Do lado francês, Mike Maignan, Theo Hernández, Adrien Rabiot, Ousmane Dembélé e Mbappé também carregam as lembranças das eliminações na Alemanha.
Na Copa de 2026, os caminhos voltaram a convergir. A França eliminou a Suécia por 3 a 0 em sua primeira partida de mata-mata, passou pelo Paraguai por 1 a 0 nas oitavas de final e derrotou Marrocos por 2 a 0 nas quartas. A Espanha superou a Áustria por 3 a 0, venceu Portugal por 1 a 0 e garantiu a classificação diante da Bélgica por 2 a 1. Depois de seis confrontos eliminatórios somados, as duas potências chegam ao jogo que definirá o primeiro finalista da Copa.
Experiência na bagagem
A pressão histórica, porém, não é igual. A Espanha tenta voltar à decisão mundial pela primeira vez desde 2010, quando conquistou seu único título ao derrotar a Holanda na África do Sul. A França busca algo ainda mais raro: disputar a terceira final consecutiva. Campeã em 2018 e vice para a Argentina em 2022, está a uma vitória de prolongar uma presença quase permanente nos momentos decisivos do futebol internacional. É justamente essa sequência francesa que a Espanha tentará interromper. Nos dois confrontos anteriores, soube atacar as fragilidades do adversário, mas também experimentou os perigos de permitir que Mbappé e seus companheiros permanecessem vivos. Os resultados recentes oferecem confiança, não garantias.
A França chega ao Texas com a oportunidade de mudar o sentido da rivalidade. Mbappé participou diretamente do gol francês em 2024 e marcou no duelo de 2025. Maignan, Dembélé, Theo Hernández e outros remanescentes também viveram as duas eliminações. Para eles, a semifinal representa mais do que uma vaga: é a chance de evitar que a Espanha estabeleça um domínio sobre um confronto que passou a aparecer sempre que uma decisão está próxima.

Paris também faz parte dessa história
Entre as duas semifinais vencidas pela seleção principal espanhola, houve ainda um capítulo olímpico dessa rivalidade. Em 9 de agosto de 2024, no Parque dos Príncipes, a Espanha derrotou a anfitriã França por 5 a 3, após a prorrogação, e conquistou em Paris sua segunda medalha de ouro no futebol masculino. Embora aquele confronto tenha envolvido seleções olímpicas, formadas majoritariamente por jogadores sub-23, onze atletas daquela final estão nos elencos que disputam a atual Copa do Mundo.
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Pelo lado espanhol, Joan García, Eric García, Pau Cubarsí, Marc Pubill e Álex Baena participaram da campanha campeã. Pela França, Manu Koné, Maghnes Akliouche, Rayan Cherki, Désiré Doué, Jean-Philippe Mateta e Michael Olise ficaram com a medalha de prata. Assim, para parte importante da nova geração das duas seleções, o reencontro no Texas também recupera a lembrança de uma decisão movimentada em Paris, na qual os espanhóis novamente impediram uma conquista francesa.





