Gustavo Alfaro ainda não definiu se permanecerá no comando da seleção paraguaia para o próximo ciclo de Copa do Mundo. Após a eliminação para a França na fase oitavas de final deste Mundial, o treinador declarou que precisava avaliar a sua decisão. Mas o presidente da Associação Paraguaia de Futebol (APF), Robert Harrison, manifestou a intenção de renovar o vínculo com o profissional. Na volta ao país, o treinador e a delegação foram recebidos pelo presidente do país, Santiago Peña.
O técnico assumiu a La Albirroja em agosto de 2024 com a missão de classificar a equipe para a Copa de 2026. O Paraguai vinha muito mal nas Eliminatórias Sul-Americanas. O treinador montou um time competitivo e conseguiu uma arrancada histórica: venceu rivais tradicionais como Argentina, Brasil e Uruguai. O grande pilar da classificação foi o excelente desempenho defensivo. O time sofreu apenas dez gols no torneio. O grande destaque deste Mundial foi o goleiro Orlando Gill, decisivo na partida histórica contra a Alemanha, pela fase 16 avos, em Boston.

Aos 63 anos, o argentino Gustavo Alfaro é dono de um estilo próprio. Bastante paternal com os jogadores, ele prioriza times defensivos e de intenso compromisso coletivo. Por gostar de vencer rivais que atacam, ficou conhecido na imprensa sul-americana como o “caçador de utopias”. Em suas entrevistas, ele sempre demonstra um vocabulário diferente da maioria dos treinadores. “Dentro de campo, lutamos como leões e defendemos o que acreditamos ser nosso”, declarou após a eliminação para a “Le Bleus”, de Mbappé.
Técnico ‘camaleão’
Com uma longa carreira dirigindo clubes menores da Argentina, Gustavo Alfaro ficou conhecido por conduzir o modesto Arsenal, de Sarandí, ao título da Copa Sul-Americana em 2007. Mesmo assim, também treinou grandes clubes do país, como Boca Juniors, Rosário Central e San Lorenzo. Em 2020, ganhou sua primeira oportunidade em seleções ao assumir o Equador. Ele classificou a equipe para a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Contudo, “La Tri” acabou eliminada na primeira fase da competição. Também dirigiu a seleção da Costa Rica entre 2023 e 2024, sem grande sucesso.

A imprensa argentina o chama de “camaleão” por adaptar o estilo das suas equipes de acordo com o adversário. Mesmo assim, a maioria dos times que comanda prioriza a verticalidade e o resultado, sem se preocupar em dar um grande espetáculo. Dos 26 jogadores convocados pelo técnico para a Copa dos Estados Unidos, seis atuam no Brasil. São eles: Gustavo Gómez (Palmeiras), Júnior Alonso (Atlético-MG), Fabián Balbuena (Grêmio), Damián Bobadilla (São Paulo), Maurício (Palmeiras) e Ramón Sosa (Palmeiras).
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Na entrevista coletiva após a eliminação contra os franceses nesta Copa, Gustavo Alfaro comparou a trajetória dos atletas das duas seleções. “Na França, os jogadores competem pela Bola de Ouro para se tornar o maior artilheiro da história da competição, assinar contratos milionários… Aqui, nós temos jogadores que nunca conheceram suas famílias, garotos que sofreram traumas pesadíssimos ao longo da vida. Eles não vieram aqui só para jogar futebol, vieram para lutar por uma vida”.





