Nova York — Lionel Messi deu as caras no evento pré-final da Copa do Mundo organizado pela Fifa e pela Fanatics nesta sexta-feira, em Nova York, contrariado. Ele e o técnico da Argentina, Lionel Scaloni. Mas quem pagou US$ 80, cerca de R$ 400, para ver o astro da Argentina de perto precisou se contentar com acenos, sorrisos, duas respostas e menos de 15 minutos de presença no palco. Foi um fiasco o evento da Fifa que arrastou os jogadores dos dois finalistas da Copa do Mundo para um pavilhão popular no centro de Manhattan. Além de Messi e Scaloni, estiveram no evento o goleiro Dibu, também da Argentina, e os espanhóis Rodri e o técnico Luis de la Fuente.

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O que se viu foi um Messi em versão “atração de luxo”. Pouco tempo, muita expectativa e todos os olhos voltados para ele e um constragimento visível. A Fifa levou a entrevista oficial da final para dentro do Fanatics Fest, no Javits Center, um festival de esporte, entretenimento, consumo e celebridades. Na prática, transformou a véspera da decisão em entretenimento pago para fãs. Messi estava desconfortável. Acenou para público e não entendeu as perguntas feitas em inglês por esportistas contratados, como Tom Brady.

Dibu, Scaloni e Messi participam de evento aberto ao público da Fifa em Nova York dois dias antes da final / Robson Morelli

A presença de Messi era uma incógnita durante boa parte do dia. Como capitão da Argentina, havia a expectativa de que ele participasse da entrevista coletiva ao lado de Lionel Scaloni, assim como Rodri apareceu com Luis de la Fuente pela Espanha. Mas o escolhido para falar oficialmente pela seleção argentina foi o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez.

Messi estava constrangido

Só que Messi apareceu no evento por algum motivo, possivelmente contratual. Todos eles chegaram de helicóptero. Não foi exatamente uma entrevista no formato tradicional de coletiva, e em outro palco, diante de poucos jornalistas e muitos fãs que compraram ingresso para vê-lo de perto. Parecia um show de TV de fim de tarde nos fins de semana. O camisa 10 foi chamado pelo ex-zagueiro Rio Ferdinand e pelo ator e humorista Kevin Hart, apresentadores do evento.

Messi distribuiu acenos, sorriu e respondeu duas perguntas, uma feita pelo tenista Novak Djokovic e outra por Tom Brady. A presença dos dois ajuda a explicar o que a Fifa tenta fazer nesta Copa: transformar o futebol em produto global de entretenimento, misturando Mundial, celebridades, NFL, NBA, tênis, música, redes sociais e consumo. Uma grande “salada” esportiva. Quem não gostou de participar do evento foi o técnico Scaloni.

Scaloni reclamou educadamente

Educado, ele deixou claro que só estava ali por causa de Luis de la Fuente, seu amigo. E também por Messi. Deixou claro que aquilo não tinha nada a ver com a final do Mundial. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, não participou do ato. Ele preferiu se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, em evento oficial de ahredecimento pelo Copa. “Não vou dizer o que lhe disse (a Luis de La Fuente), porque estávamos em uma situação surreal, no meio de um… mas isso faz parte do futebol que estamos vivendo. Eu fui lá porque ele ia também. Então disse a ele: ‘Vim por você’. E outras coisas mais que prefiro não contar. Mas já sabem o que penso”, disse Scaloni.

Djokovic perguntou a Messi sobre o processo de jogar futebol nas ruas da Argentina quando criança. Brady quis saber da famosa foto em que o argentino aparece com Lamine Yamal ainda bebê, em um ensaio antigo ligado ao Barcelona. O detalhe é que Messi e Yamal estarão frente a frente domingo, na final da Copa, no MetLife Stadium, em New Jersey. “Jogamos futebol com muita paixão, com vontade sempre, seja onde for, no colégio, na rua ou em uma equipe. Acho que nunca pensamos na pressão, vemos como algo natural de jogar, competir. Afinal, somos um grupo competitivo, que gosta de ganhar, mas isso é um esporte e um esporte coletivo. O rival também joga e nem sempre se pode ganhar. Ainda pequeno, fui aprendendo que também se perde mais do que se ganha, e assim cresci como pessoa e jogador”, disse Messi no evento.

Scaloni, técnico da Argentina, deu entrevista coletiva antes da final da decisão com a Espanha / Robson Morelli

Como não fala inglês, Messi precisou da ajuda da tradutora para entender a pergunta de Brady. Depois, sem olhar diretamente para o multicampeão da NFL, elogiou o jovem espanhol. Disse que Yamal é um grande jogador, que acompanha sua carreira por causa do Barcelona, clube que ama, e que o atacante de 19 anos tem tudo para alcançar algo histórico. Messi também tratou a foto com Yamal como uma loucura do destino. Um era ídolo em formação no Barcelona. O outro, um bebê. Agora, os dois se encontram em uma final de Copa do Mundo. O argentino desejou sorte ao espanhol, mas deixou claro que fará o possível para que ele não conquiste o título desta vez.

Kevin Durant fez pergunta a Dibu

A Espanha também participou do evento, mas ficou em segundo plano. Rodri, eleito o melhor jogador do mundo em 2024, e o técnico Luis de la Fuente responderam a perguntas e falaram da final. Mesmo assim, a presença de Messi ofuscou o lado espanhol. Não por acaso. Aos 39 anos, em sua última Copa, o argentino é o maior produto esportivo desta decisão.

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Kevin Durant também apareceu para interagir com Dibu Martínez. O goleiro argentino, que ainda não havia participado da conversa, brincou ao ser chamado. “Eu?”, reagiu, antes de entrar no papo. Pouco depois, o evento foi encerrado. A sensação para boa parte do público foi simples: Messi passou, o evento aconteceu.

A Fifa sabe disso. A Copa de 2026 tem final com show, ingressos caríssimos, anel de campeão, presença de Donald Trump e agora entrevista pré-jogo dentro de um festival pago. Tudo gira em torno da capacidade de transformar futebol em experiência vendável. E ninguém vende mais do que Messi. Mas a iniciativa da Fifa foi furada. Jogadores e treinadores não gostaram de estar ali. De la Fuente criticou a falta de educação dos americanos, que não o deixaram falar e pediram somente Messi.

No domingo, todos eles farão sua última partida nesta Copa. E deixarão a vida em campo para ficar com o título. Messi pode ser bicampeão, pode encerrar sua história em Mundiais diante da Espanha e pode deixar o torneio como o grande personagem da edição de 2026. Ele e os seus companheiros de batalha não mereciam passar por isso. Foi constrangedor.

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