O Fluminense sofreu até após o apito final da partida em que fez a sua parte e derrotou o Deportivo La Guaira por 3 a 1 nesta quarta-feira, no Maracanã. A vaga, porém, só foi confirmada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde o Independiente Rivadavia eliminou o Bolívar e sacramentou a segunda melhor campanha da fase de grupos.

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Foi uma noite dividida em duas. De um lado, o Fluminense jogava contra o La Guaira diante da sua torcida, obrigado a vencer para se classificar. Do outro, acompanhava cada movimento do Bolívar, rival direto pela segunda vaga do Grupo C. Antes da rodada final, o cenário era estreito: o Independiente Rivadavia já estava classificado na liderança, com 13 pontos, enquanto Bolívar e Fluminense somavam cinco cada. Os bolivianos, no entanto, levavam vantagem sobre o time carioca no confronto direto, o que obrigava o Flu a ganhar no Maracanã e torcer por um tropeço do adversário.

Fluminense O volante Hércules mostra mais uma vez o seu faro de gol e anota o segundo gol do Tricolor / Fluminense
Volante Hércules mostra mais uma vez o seu faro de gol e marca o segundo do Fluminense no Rio / Fluminense

Coração argentino

A tensão começou a se desenhar ainda no primeiro tempo. O Fluminense abriu vantagem, sofreu o empate e voltou a respirar quando fez 2 a 1 antes do intervalo. Savarino abriu o placar de pênalti, Flabián Londoño empatou e Hércules anotou o segundo. Mas o gol que realmente mudou a temperatura da noite veio fora do Maracanã. Com Leonel Bucca, aos 52 minutos da etapa inicial na Bolívia, o Independiente Rivadavia abriu o placar contra o Bolívar. Naquele instante, a combinação que o Tricolor precisava estava posta.

O problema é que a Libertadores raramente concede conforto sem antes cobrar nervos. Aos 10 minutos do segundo tempo, o Bolívar empatou com Cauteruccio. A partir dali, a conta virou ameaça: mais um gol boliviano e a vitória tricolor sobre o La Guaira deixaria de servir. O Maracanã, então, passou a viver uma estranha mistura de festa contida e ansiedade coletiva. O time precisava manter o resultado no Rio. A torcida precisava secar a reação em Santa Cruz.

O terceiro gol do Flu, aos 21 da etapa final, com Canobbio, deu margem ao marcador, mas não entregou a paz. A vaga continuava dependente do outro jogo. O Tricolor já fazia a sua parte, mas ainda era refém de uma bola do Bolívar, de uma sobra na área, de um chute improvável, de qualquer lance capaz de mudar a classificação nos minutos finais.

Nervos à flor da pele

Por isso, o apito no Maracanã não encerrou a noite nem abriu a festa. A comemoração ficou em suspenso. O torcedor tricolor ainda olhava para a Bolívia. E o alívio só veio poucos minutos depois, quando o Independiente Rivadavia marcou duas vezes nos acréscimos, com Sebastián Villa e Diego Crego, e transformou o empate perigoso em vitória argentina. O Bolívar, que por quase todo o segundo tempo esteve a um gol da classificação, terminou derrotado. O Fluminense, que fez sua obrigação, enfim, pôde comemorar.

A vaga carrega peso porque a campanha foi tudo, menos linear. O Flu entrou em um grupo que parecia administrável, mas rapidamente se colocou em dificuldade. Começou com empate sem gols contra o La Guaira, perdeu em casa para o Independiente Rivadavia e depois caiu diante do Bolívar em La Paz. Após três rodadas, tinha apenas um ponto e via a classificação escorrer para fora do seu controle.

Fluminense O meia-atacante Savarino bate com precisão o pênalti e anota o primeiro gol do Fluminense no Maracanã
Meia-atacante Savarino bate com precisão o pênalti e anota o primeiro gol do Fluminense no Maracanã / Fluminense

A reação começou quando já não havia mais espaço para erro. Em Mendoza, contra o próprio Rivadavia, o Flu arrancou empate por 1 a 1 nos acréscimos, com gol de John Kennedy, resultado que manteve o time vivo na chave mesmo em situação delicada. Depois veio a primeira vitória contra o Bolívar, no Maracanã. O 2 a 1, com gols de Lucho Acosta e John Kennedy, diante de mais de 60 mil torcedores, recolocou o time na disputa. Mas também deixou uma herança incômoda: como havia perdido por 2 a 0 na Bolívia, seguia atrás dos bolivianos no confronto direto e chegava à última rodada dependendo de ajuda. 

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A ajuda veio de quem dominou o grupo. O Independiente Rivadavia, estreante e surpresa da chave, já havia garantido a liderança antes da rodada final. Mesmo assim, entrou no jogo contra o Bolívar com peso decisivo para o destino tricolor. E, ao vencer nos acréscimos, acabou funcionando como ajuda involuntária da classificação do Fluminense.

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