O Corinthians entrou em campo na Neo Química Arena carregando aquela perigosa sensação de missão praticamente cumprida. Classificado antecipadamente às oitavas de final da Libertadores, líder do Grupo E e dono de uma campanha sólida até aqui, o time de Fernando Diniz tinha diante do Platense uma tarefa que parecia simples: vencer em casa para garantir uma das melhores campanhas gerais da competição e assegurar o direito de decidir os mata-matas diante de sua torcida.

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Na teoria, uma mera formalidade. Na prática, uma das atuações mais decepcionantes do Corinthians na temporada e a primeira derrota do clube na Libertadores-2026: 2 a 0 para o Platense, em plena Neo Química Arena, diante de um time argentino que fez exatamente o que se espera de qualquer equipe argentina numa noite de Copa Libertadores – competiu até o limite emocional do adversário.

Com a vitória em Itaquera, Platense garante a segunda colocação do grupo e avança de fase na Libertadores / Platense

Bobeou, dançou

Talvez fique como lição. Porque o Corinthians pareceu esquecer que, em Libertadores, ninguém vence jogo de véspera. Muito menos diante de um time argentino. Não importa o tamanho do clube, o investimento ou o momento técnico. Os argentinos gostam dessa competição. Sabem jogá-la e transformam partidas truncadas em armadilhas psicológicas. Sabem usar a marcação forte, o jogo picado, a catimba, a provocação silenciosa e o espírito de luta como ferramentas competitivas. Tudo o que desestabiliza nove entre dez times brasileiros. E o Platense executou tudo isso com perfeição.

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O plano dos visitantes era claro desde o começo: sobreviver à pressão inicial do Corinthians, controlar o ritmo da partida e aproveitar o nervosismo corintiano diante da pressão e impaciência das arquibancadas. Funcionou exatamente como imaginaram. Porque, embora tenha terminado o jogo com quase 70% de posse de bola, o Corinthians jamais teve controle emocional ou técnico da partida.

Destaques decepcionam

O time errou passes demais. Muito acima do aceitável para uma equipe que depende da circulação rápida de bola para construir suas jogadas ofensivas. As conexões não aconteceram. Garro esteve abaixo. Raniele errou saídas simples. Os lados produziram pouco. Yuri Alberto ficou isolado. E Memphis Depay, na aguardada volta ao time titular, teve atuação decepcionante.

Memphis Depay faz a sua última partida pelo Corinthians antes da Copa do Mundo de 2026 / Corinthians

Sem ritmo de jogo, lento e errando praticamente todas as jogadas que tentou, o holandês esteve longe de justificar toda a expectativa criada em torno de sua escalação. Recuperado da lesão muscular e das dores na panturrilha, Memphis voltou justamente no dia em que foi convocado por Ronald Koeman para defender a Holanda na Copa do Mundo. Era uma noite que tinha todos os ingredientes para ser festiva, mas que acabou se tornando melancólica. Até porque pode ter sido sua despedida.

O adeus de Memphis?

Liberado pelo Corinthians para se apresentar imediatamente à seleção holandesa, Memphis deixou o estádio sem saber se volta. A renovação contratual por mais dois anos está muito bem encaminhada, praticamente acertada, mas ainda não assinada oficialmente. Vai embora com essa indefinição no ar – provisória ou definitiva.

Uma noite para esquecer

Dentro de campo, porém, o roteiro da derrota começou a ser escrito muito antes disso. O Platense abriu o placar aos 20 minutos do primeiro tempo, num pênalti marcado após intervenção do VAR, que identificou toque de mão de Garro dentro da área. Zapiola cobrou com personalidade e colocou os argentinos em vantagem. Fernando Diniz tentou mudar o cenário no intervalo. Sacou Raniele para a entrada de Labyad, aumentou o número de jogadores ofensivos e também trocou Memphis por Kaio César numa tentativa clara de aumentar o volume de ataque.

Mas qualquer esperança de reação morreu logo no começo do segundo tempo. E morreu da pior maneira possível: num erro grotesco do próprio Corinthians. Hugo Souza saiu jogando mal, entregou a bola nos pés de Zapiola e viu o camisa 10 argentino tocar por cobertura, com enorme categoria, para fazer 2 a 0. O lance sintetizou a noite corintiana. Um time nervoso, desconcentrado e emocionalmente desorganizado.

Fora da Copa

No caso específico de Hugo, o erro também escancara o tamanho do impacto emocional causado pela não convocação para a Copa do Mundo. O goleiro, que alimentava expectativa real de aparecer na lista da Seleção, vive claramente um momento de abalo psicológico. A falha desta noite pareceu o retrato de um jogador tragado por uma crise de confiança. A parada da Copa pode lhe fazer bem.

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