A morte de Paulo Angioni, aos 80 anos, encerra a trajetória de um dos personagens mais experientes e importantes do futebol brasileiro nos últimos 40 anos. Dirigente de perfil discreto, longe dos holofotes que tantas vezes cercam o futebol e os personagens, Angioni construiu uma carreira marcada pela capacidade de montar elencos, negociar jogadores e entender o futebol para além das quatro linhas. Era educado, dava atenção às pessoas e apontava caminhos. Ele tratava de um câncer no pâncreas.

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Foi no Palmeiras, durante a parceria com a Parmalat, que o seu nome ganhou uma dimensão nacional ainda maior. Angioni chegou à empresa em 1998 para coordenar o trabalho junto ao clube paulista e permaneceu lá até 2000. Era um período em que a Parmalat já começava a reduzir sua participação no futebol, e o dirigente teve a missão de reorganizar o departamento e manter o Palmeiras competitivo.

Futebol se despede do diretor de futebol Paulo Angioni, aos 80 anos, com problemas no pâncreas / Fluminense

A passagem pelo Palmeiras ficou marcada por contratações e por um trabalho de bastidor que ajudou a formar um dos times mais importantes da história recente do clube. A equipe tinha nomes como Marcos, Arce, Roque Júnior, César Sampaio, Zinho, Paulo Nunes, Oséas e Alex. Em 1998, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul. No ano seguinte, veio a Libertadores, um dos maiores títulos da história alviverde.

Ele começou no Vasco

Angioni, porém, nunca foi apenas um homem da Parmalat. Sua carreira começou no Vasco, em 1979, onde permaneceu por 14 anos. Também passou pelo Flamengo, Corinthians e Fluminense, além de ter trabalhado como supervisor da seleção brasileira no fim dos anos 1980, durante o ciclo que levou à Copa do Mundo de 1990. Era, portanto, um profissional que conhecia diferentes estruturas, dirigentes e modelos de gestão.

No Palmeiras, ele viveu um momento importante do futebol brasileiro. A parceria com a Parmalat trouxe uma nova lógica para o mercado: investimento, planejamento, contratação de jogadores de alto nível e uma estrutura empresarial dentro do futebol. Angioni esteve no centro desse processo, quando os clubes começavam a perceber que o departamento de futebol precisava de profissionais capazes de fazer a ponte entre dirigentes, investidores, treinadores e jogadores.

Também esteve no Corinthians

Mais tarde, Angioni levou essa experiência para outros projetos. No Corinthians, participou da estruturação da parceria com a MSI e do time que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005. No Fluminense, teve quatro passagens e construiu uma relação tão forte com o clube que voltou em 2018 para assumir novamente a direção executiva de futebol. Moreu trabalhando pelo tricolor do Rio. Talvez a maior contribuição de Paulo Angioni tenha sido essa: ajudar a construir a figura do executivo de futebol no Brasil. Em uma época em que presidentes e conselheiros ainda concentravam grande parte das decisões, ele representava um novo tipo de profissional. Alguém que precisava conhecer jogadores, mercado, treinadores, contratos, ambiente de clube e saber tomar decisões.

Angioni deixa uma história que atravessa diferentes gerações do futebol brasileiro. Passou por Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Fluminense, trabalhou com grandes jogadores e técnicos e esteve envolvido em projetos que marcaram épocas. No Palmeiras da Parmalat, especialmente, ajudou a montar equipes que devolveram ao clube o protagonismo nacional e internacional. Seu nome pode não aparecer entre os grandes personagens daquela geração, mas deveria. Porque muitos dos grandes times que entram para a história também são construídos por homens que trabalham longe dos refletores. Paulo Angioni foi um deles.

Nota do Flu

O Fluminense FC comunica o falecimento do tricolor e diretor executivo de futebol, Paulo Sérgio Scudiere Angioni, aos 80 anos, na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro.

Em sua carreira, uma das mais longevas e bem-sucedidas do futebol brasileiro, foi pioneiro na função de diretor executivo no Brasil. Com passagem pela Seleção Brasileira e outros grandes clubes, ele reuniu inúmeras conquistas esportivas e se destacou, fundamentalmente, pela coleção de amigos que acumulou ao longo de sua trajetória.

À frente do departamento de futebol do Fluminense nesta quarta passagem pelo clube, a partir de 2018, foi um dos principais responsáveis pela conquista dos títulos da Taça Rio de 2020, Taça Guanabara de 2022, 2023 e 2026, Campeonato Carioca de 2022 e 2023, Conmebol Libertadores e Recopa.

Títulos que ajudaram o clube a retomar seu protagonismo e se destacar no cenário mundial recente. Sua contribuição à formação dos jovens será lembrada por muitos e suas lições permanecerão entre nós como exemplo de vida, compaixão e solidariedade.

À sua família e amigos, nossos sentimentos mais elevado.

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