A contagem regressiva para a bola rolar está chegando ao fim, e o Grupo A da Copa do Mundo de 2026 desponta como um dos mais imprevisíveis e equilibrados. Com a histórica mudança no formato do torneio, que agora passa a contar com 48 seleções divididas em 12 chaves na etapa inicial, a margem de erro para as grandes potências foi reduzida de forma drástica. Mas, ainda assim, o sorteio tratou de colocar doses de emoção.
O México, um dos países sedes da competição, carrega o enorme privilégio e a consequente obrigação de ser o cabeça de chave, precisando dar uma resposta imediata perante a torcida nos estádios da Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.

O pontapé inicial desta jornada, que marca a abertura oficial do campeonato, acontece no dia 11 de junho, no místico Estádio Azteca, diante da África do Sul.
Equilíbrio no horizonte
Comandar as ações em seus domínios e corresponder às expectativas não será uma missão simples para o time do técnico Javier Aguirre. A seleção mexicana, que ostenta uma bagagem de 18 participações ao longo da história dos Mundiais e o feito de ter alcançado as quartas de final em 1970 e 1986, entra em campo com a missão de apagar a péssima impressão deixada no Catar em 2022, quando foi eliminada de forma precoce ainda na fase de grupos.
Para além do favoritismo natural dos donos da casa, os outros componentes da chave chegam referendados por excelentes campanhas em suas respectivas eliminatórias continentais. A Coreia do Sul carimbou o seu passaporte de forma invicta na Ásia sob o comando do técnico Hong Myungbo. Enquanto isso, a República Tcheca, sob a batuta de Miroslav Koubek, garantiu a sua vaga de maneira dramática na repescagem da Europa ao superar rivais duros como Irlanda e Dinamarca.
O choque de estilos entre as diferentes escolas de futebol promete transformar cada rodada em uma batalha pela sobrevivência.
Sem margem para bobear
Jogar no Estádio Azteca representa uma vantagem que poucas seleções no planeta futebol conseguem igualar. O México se orgulha de ser o primeiro país a receber três edições do torneio, e Aguirre aposta suas fichas na mescla de atletas veteranos acostumados com a pressão e jovens promessas que atuam na liga local.
O capitão Edson Álvarez, atualmente no Fenerbahçe, da Turquia, é a principal referência do meio de campo, enquanto Raúl Jiménez, em bom momento no Fulham, segue como opção no ataque. A dúvida que cerca o time é Santiago Giménez, do Milan, que foi bastante prejudicado pelas lesões na Itália. Em condições, é a referência natural de gol dos mexicanos.
A estratégia da comissão técnica mexicana precisa ser somar os três pontos na estreia contra os sul-africanos e tentar encaminhar a vaga contra os sul-coreanos na sequência em Guadalajara, evitando de todas as formas ter de decidir o futuro contra a República Tcheca com a corda no pescoço na jornada final da fase de grupos.
No seu último teste antes da estreia na Copa, na noite de quinta-feira, dia 4, o México recebeu a Sérvia e goleou por 5 a 1, de virada.
A força e a disciplina
Apesar do cenário teoricamente favorável aos mexicanos, os adversários da chave dão mostras de que não vão apenas para fazer figuração no grupo. A seleção da África do Sul, guiada pelo técnico Hugo Broos, carimbou seu retorno ao mapa da elite do futebol mundial após liderar com autoridade o Grupo C das eliminatórias africanas, deixando para trás a tradicional Nigéria. Eles não participavam do Mundial desde que sediaram o torneio, em 2010, e chegam de um empate sem gol no amistoso com a Nicarágua.
A maior parte do time é formada por jogadores da liga doméstica, o que, se por um lado oferece pouca experiência competitiva contra outros modelos de jogo, por outro confere algum entrosamento. Lyle Foster, atacante do Burnley, da Inglaterra, é um dos poucos que representam o país em uma grande liga europeia.

Do outro lado, a Coreia do Sul disputa a sua 11ª edição consecutiva de Mundial e confia fortemente em sua disciplina tática e na velocidade de transição ofensiva para surpreender. Nas eliminatórias asiáticas, classificou de forma invicta, inclusive à frente da China, ausente na Copa. No último amistoso, venceu El Salvador por 1 a 0.
Com o maior contingente de atletas atuando na Europa de toda a sua história, a Coreia do Sul vive a transição para uma nova geração. Ainda assim, velhos conhecidos do público inglês lideram o grupo: o ex-atacante do Tottenham, Son Heung-min, continua ostentando a braçadeira de capitão e o posto de grande estrela da companhia, enquanto Kim Min-jae se firmou como o pilar defensivo do Bayern de Munique.
Após surpreenderem na Copa do Qatar – onde despacharam Portugal e seguiram para oitavas de final —, os sul-coreanos entram no Grupo A muito bem cotados para seguir na disputa.
Resiliência em forma de time
De volta à disputa após ficar de fora desde 2006, a República Tcheca carimbou seu passaporte de forma dramática na repescagem – buscou um 2 a 0 contra a República da Irlanda e despachou a favorita Dinamarca, com os dois confrontos vencidos nos pênaltis. Ou seja, já chega forjada para enfrentar duelos de nervos.
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Sob a liderança do zagueiro e capitão Ladislav Krejčí, referência no Wolves, da Inglarerra, e com a forte presença do meio-campista Tomás Souček, do também inglês West Ham, a equipe aposta na experiência de sua espinha dorsal europeia. No ataque, as esperanças de gols recaem sobre o artilheiro Patrik Schick, dono de 25 gols pela seleção. No último amistoso antes do Mundial, vitória por 3 a 1 diante da Guatemala.
Embora os tchecos possam não ter a mesma profundidade ofensiva que concorrentes diretos como México ou Coreia do Sul, a resiliência e o poder de superação demonstrados no caminho até aqui provam que é de muito bom tom não subestimar.





