O Equador precisava de uma apresentação perfeita, o famoso clichê ‘jogo da vida’. Encontrou algo ainda maior: uma daquelas vitórias que mudam completamente a leitura de uma campanha. Depois de entrar na última rodada pressionado, com apenas um ponto, sem gols marcados e ameaçado por uma eliminação precoce, La Tri derrotou a Alemanha por 2 a 1, de virada, no New York/New Jersey Stadium, e transformou o que parecia uma despedida em renascimento.

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Foi uma vitória gigantesca não apenas pelo peso do adversário, mas pelo contexto. A Alemanha saiu na frente logo aos 2 minutos, com Sané, e parecia encaminhar mais uma atuação de controle, mesmo sem precisar do resultado para avançar. Mas o Equador não desmoronou. Pelo contrário. Reagiu rápido, empatou aos 9 minutos, com Angulo, e passou a jogar a partida como quem sabia que não havia amanhã. No segundo tempo, Gonzalo Plata apareceu para marcar, aos 33 minutos, o gol que mudou tudo: a classificação, o humor da delegação, a narrativa do grupo e, possivelmente, o destino do mata-mata.

Equador Decisivo para a vaga, Gonzalo Plata explode de alegria no gol da vitória de virada do Equador sobre a Alemanha
Decisivo para a vaga, Gonzalo Plata vibra ao marcar o gol da vitória de virada do Equador sobre a Alemanha / Fifa

Equador carimba vaga

Com o resultado, o Equador terminou em terceiro lugar, com quatro pontos e saldo zero. Foi suficiente para avançar entre os oito melhores terceiros colocados. Depois da derrota para a Costa do Marfim na estreia e do empate sem gols contra Curaçao, a seleção equatoriana parecia refém de uma campanha truncada. Faltava gol, faltava leveza, faltava uma vitória. Ela veio exatamente contra o adversário mais improvável. E por isso tem ainda mais força simbólica.

Para se ter uma ideia do feito histórico da seleção equatoriana, em jogos de Copa do Mundo, foi a primeira derrota da Alemanha para uma seleção sul-americana desde a final de 2002, quando o Brasil venceu por 2 a 0 e conquistou o pentacampeonato. Desde então, os alemães haviam enfrentado adversários da Conmebol seis vezes em Mundiais, com cinco vitórias, uma delas no título em 2014, contra a Argentina, no Maracanã, e um empate, também contra os argentinos, em 2006, em casa, com a classificação nos pênaltis para as quartas de final.

Alemanha vira incógnita

A Alemanha, por sua vez, passa de fase na liderança, mas deixa a primeira etapa do Mundial com uma interrogação incômoda. A equipe de Julian Nagelsmann começou a Copa como um rolo compressor, aplicando 7 a 1 sobre Curaçao, resultado que parecia anunciar uma campanha autoritária. Depois, venceu a Costa do Marfim por 2 a 1, mas no sufoco, com gol nos acréscimos. Agora, encerra a fase de grupos com derrota, depois de sair em vantagem e perder o controle emocional e territorial da partida.

Os seis pontos e o saldo construído na goleada da estreia foram suficientes para manter a Alemanha no primeiro lugar do Grupo E, à frente da Costa do Marfim. Mas a campanha alemã deixa uma advertência: o time que assusta quando acelera também sofre quando o jogo exige paciência, recomposição e resistência a momentos de pressão. No mata-mata, esse tipo de oscilação costuma cobrar caro.

Elefantes mostram força

A Costa do Marfim fez exatamente o que precisava fazer. Depois de vencer o Equador na estreia e levar uma virada dolorosa da Alemanha no segundo jogo, os Elefantes chegaram à rodada final com a obrigação de não tropeçar diante de Curaçao. Cumpriram o serviço, venceram por 2 a 0, dois gols de Pépé, e terminaram na segunda colocação, também com seis pontos. Não foi uma classificação espalhafatosa, mas foi madura. Em um grupo que teve goleada, zebra e reviravolta, os marfinenses foram os mais lineares: competitivos contra todos, fortes fisicamente e suficientemente objetivos para garantir a vaga direta.

Em sua primeira participação em Copas, Curaçao se despede com um ponto histórico, conquistado no empate contra o Equador, e com a memória dura do 7 a 1 sofrido diante da Alemanha. Ainda assim, deixa sua primeira participação com um pequeno marco: resistiu em uma partida, competiu em outra e sentiu, contra duas seleções de maior peso, o tamanho do salto exigido por uma Copa do Mundo.

Equador Com faro de artilheiro, Pepé anota os dois gols da vitória da Costa do Marfim sobre Curaçao
Com faro de artilheiro, Pepé faz a sua parte e anota os dois gols da vitória da Costa do Marfim sobre Curaçao / Fifa

Caminhos traçados

Agora, os caminhos começam a se desenhar, embora parte do chaveamento ainda dependa da definição dos melhores terceiros. Como líder do Grupo E, a Alemanha enfrentará uma seleção que terminou em terceiro em uma das chaves A, B, C, D ou F. Isso abre possibilidades como Coreia do Sul, Bósnia e Herzegovina, Escócia, Paraguai ou Suécia, dependendo da combinação final.

A Costa do Marfim, segunda colocada, terá um cruzamento mais claro e pesado: encara a segunda seleção do Grupo I, chave de França e Noruega. Ou seja, o prêmio pela vaga direta pode vir acompanhado de um desafio brutal logo de saída. O Equador, por sua vez, entra no mata-mata como terceiro colocado e, por isso, ainda depende da distribuição final. Pode cair contra um vencedor de grupo, como México, Suíça ou Estados Unidos, além de líderes ainda a definir nas chaves G, K e L. Mas, depois de derrubar a Alemanha quando estava encurralado, La Tri ganhou o direito de olhar para qualquer adversário sem pedir licença.

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Em resumo, no Grupo E, a Alemanha avançou em primeiro, mas deixou o sabor amargo; a Costa do Marfim ‘comeu pelas beiradas’ e mostrou força para encarar qualquer adversário; por fim, e o Equador transformou uma Copa quase perdida em uma apresentação histórica.

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