Leonardo de Sá
Há 20 anos atrás, o São Paulo conquistava o mundo pela terceira vez. Na ocasião, o campeão da Libertadores enfrentou o Liverpool, vencedor da Champions League daquele mesmo ano. Antes da final, o Tricolor Paulista havia superado o Al-Ittihad por 3 a 2. Mas chegou à decisão sem o favoritismo, que pendia claramente para o clube inglês. Ainda assim, num cenário de extrema dificuldade ao longo de toda a partida, o time brasileiro ergueu a taça e se tornou o primeiro — e até hoje único — clube do país a conquistar três títulos Mundiais: 1992, 1993 e 2005.
Mas naquele dia em Tóquio, a maré não estava a favor do São Paulo. A imprensa estrangeira já tratava a conquista inglesa como praticamente certa. E, de fato, o confronto esteve longe de ser equilibrado. O Liverpool dominou o duelo. Em grande parte do jogo, o São Paulo mal viu a cor da bola: foram 83% de posse para os europeus e 21 finalizações contra a meta brasileira — oito delas no alvo. Não fosse pelos “milagres” de Rogério Ceni, o desfecho da história poderia ter sido outro.

O homem do jogo
Em uma noite de pressão constante, o grande destaque foi a defesa são-paulina, especialmente o goleiro. Ceni, então com 32 anos, já era ídolo do clube e exercia papel de liderança dentro e fora de campo, além de ser o capitão tricolor. Foi nele que, por dez vezes, o sonho do Liverpool parou. Em seis dessas intervenções, Ceni protagonizou defesas plásticas, como na cobrança de falta de Gerrard aos 51 minutos e 49 segundos — números eternizados no terceiro uniforme do clube nesta temporada.
Ao final da decisão, o goleiro foi eleito o melhor jogador da partida e do campeonato, cravando de vez seu nome na história do São Paulo. Depois daquele Mundial, Ceni ainda bateria marcas expressivas: jogador com mais partidas pelo clube (1.237), goleiro com mais gols na história do futebol (131), maior campeão de títulos oficiais (18) e atleta com o maior tempo de permanência no clube (25 anos).

O gol
Sem gols, uma partida não é vencida. A dificuldade imposta pelo Liverpool sufocou o São Paulo e limitou suas ações ofensivas no início do jogo. Porém, aos 27 minutos, o clube inglês encontrou seu algoz: Mineiro. Após receber um passe de trivela de Aloísio Chulapa, o volante ficou cara a cara com Pepe Reina. Como ele próprio relembrou em entrevista ao SPFC anos depois.
Naquele momento em que eu dominei a bola, parece que apagou todo aquele cenário. O torcedor, as vozes… tudo pareceu silenciar. Era como se existíssemos apenas eu, o Pepe Reina e o gol à minha frente. Mineiro
E assim foi. Um domínio, um espaço mínimo e um chute preciso definiram a partida contra o adversário da cidade dos Beatles. A jogada, que começou nos pés de Fabão, passou por Aloísio Chulapa e terminou em Mineiro, foi suficiente para dar a vitória ao time brasileiro.
O São Paulo não voltou a levar perigo após o gol, precisando resistir até o apito final com o apoio das defesas de Rogério Ceni e da solidez defensiva coletiva. O campo virou festa e o Tricolor conquistou o seu terceiro título mundial — vale lembrar que, após decisão da Fifa, os torneios anteriores a 2000 passaram a ser denominados Copa Intercontinental, mas mantêm o peso histórico da disputa. O PSG, por exemplo, ao derrotar o Flamengo, tornou-se campeão mundial.

O ano de 2025
Vinte anos depois, o São Paulo não é nem sombra do que foi. Em 2025, o clube viu todas as suas chances dentro de campo escorrerem pelas próprias mãos. O time não conseguiu conquistar nenhum título e caiu de forma vexatória na Copa do Brasil e na Libertadores — competição tão tradicional na história do clube. Além disso, problemas fora das quatro linhas também afetaram o planejamento e a imagem do São Paulo. O tricolor não se modernizou. Tudo piorou no Morumbi.
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Fora das quatro linhas, o cenário é igualmente preocupante. Crises recentes envolvendo a diretoria, como o caso dos camarotes do Morumbis e a atuação direta de membros da gestão Julio Casares, vieram à tona nos últimos dias. Antes disso, problemas no departamento médico já haviam sido expostos, refletidos em uma temporada marcada por contusões e pela ausência prolongada de jogadores importantes.
Soma-se a isso uma dívida que segue na casa dos R$ 900 milhões. É difícil acreditar que o primeiro clube brasileiro a conquistar o mundo três vezes atualmente esteja se equilibrando nas cordas para sobreviver ao próximo ano.





